sexta-feira, 14 de outubro de 2011
ORÇAMENTO DE ESTADO
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
CONTAS À MODA DO pORTO...
Fique sabendo que é mesmo assim, que resolvi escrever, ou seja, a palavra PORTO com “p” minúsculo, isto porque ao contrário daquilo que muita gente pensa é errado dizer-se: “Contas à moda do Porto”, referindo-se à “Mui Nobre e sempre Leal cidade Invicta”.
Na verdade, este termo era aplicado há muitos anos, quando um navio ao fim de largos meses no mar, atracava a um porto e assim que era colocada a prancha para o cais, logo começavam a descer por ela os impacientes marinheiros, que na sua sofreguidão se dirigiam para o mundo proibido, durante meses e meses no mar, a caminho das tabernas onde encontravam o delírio de mulheres sonhadas noite após noite de vigília nocturna; das rixas sem motivo e das apetecidas bebidas, ingeridas em um ou dois rápidos tragos, tudo isto com um sabor de exotismo e diferença das paragens por onde o seu barco aportava ao longo da viagem.
Depois, nos ruidosos e escuros bares e tabernas, os recem desembarcados, mastigavam uma refeição saborosa, pelo menos, porque isenta do baloiçar do navio, e emborcavam copo atrás de copo de cerveja ou vinho, o que aliás pouco importava, desde que de álcool se tratasse.
Entretanto, era chegada a altura do pagamento, e cada um deles atirava um “amarrotado” de notas ou um punhado de moedas, para o meio da mesa ou cimo do balcão, em quantias certas relativas à despesa de cada um. Sem que de qualquer deles, houvesse um gesto que fosse de gentilmente se oferecer a suportar o consumo de um dos amigos ou companheiros de bordo.
É que contas são contas e entre os marinheiros existia uma lei tácita, a que todos obedeciam sem quaisquer contemplações, que era:
- Contas à moda do porto!!!
E tal como referi no início desta crónica, quando escrevi a palavra porto com “p” minúsculo, estava correcto, só que há pessoas que ignorando esta tradição entre os marítimos, penso que de todo o mundo, digam que é um hábito austero que é originário da cidade do Porto e escrevam, digam e logo pensem com um “P” maiúsculo porto, que o é, mas sim um dos muitos que existem por esses mares que são cruzados por um sem número de navios.
A finalizar, e para que se desfaça o engano aqui fica o registo, para que se saiba também que no mundo, há pouca gente com franqueza e generosidade igual à dos tripeiros…(1)
(1) - Designação que se dá aos naturais da cidade do Porto.
eduardo roseira
(baseado no texto “Contas à Moda do Porto”,
de António Manuel Couto Viana)
(imagem: sapo.pt)
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
UM POEMA AOS MEUS AMIGOS - sms de Vitor Carvalhais e resposta de eduardo roseira
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
...ignoro...
cujos olhos
são as vozes/maldosas
dos outros!...
eduardo roseira
(imagem: sapo.pt)
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
AQUI…*
Aos desempregados,
à “menina” Filomena
e a mim… (porque não?)
aqui…
atende-se
a desilusão
e o desencanto.
aqui…
ouve-se
o lamento
e o pranto.
aqui…
oferece-se
a esperança
e o alento.
aqui…
renova-se
a alegria
e a confiança.
aqui…
afasta-se
todo o desgosto,
receitando-se calma,
com o melhor sorriso
que temos na alma
e no rosto.
…porque…aqui…
neste rame-rame diário
atendemos vidas
presas ao calendário.
eduardo roseira
* Ecos de um posto de atendimento
da “Apresentação Quinzenal”, do
IEFP a que estão obrigados os
desempregados.
sábado, 21 de novembro de 2009
VINGANÇA...

... na rua, distraídamente,
comendo pipocas,
ao atravessar a passadeira,
fui atropelado por um bando
desgovernado de...
...GALINHAS!?!?...
eduardo roseira
sexta-feira, 1 de maio de 2009
O TIJOLO
A
Vinícius de Moraes
feito besta
a dar cabo do coirão.
tijolo em cima
de tijolo
constrói mais em prédio
para o patrão.
enquanto o operário
se alimenta
com barro e pó.
o patrão usurário
enche o bucho
a lagosta e pão-de-ló.
dizer sim
a tudo o que
quer o patrão
é sua sina.
sem nunca
poder dizer não
aos que lhe
negam o pão.
e tijolo
após tijolo,
o operário prossegue
a sua construção.
lutando por
permanecer de pé,
pegando a vida
pelos cornos.
até que pelas costas,
um tiro lhe dão.
de tijolos fazer,
oferecem-lhe
como prémio
um espaço
entre meia dúzia
de tábuas.
dão-lhe enfim
descanso!
deixa de ser
escravo,
porque hirto,
gélido
e sem qualquer
préstimo
para tijolos fazer.
agora,
resta-lhe aguardar
pelo patrão
numa terra onde,
(porque iguais são)
lado a lado
ficarão eternamente
a fazer…tijolo.
eduardo roseira
1/Maio/ 2001
VNGaia
sábado, 11 de abril de 2009
Poema de João de Melo
SINAIS DOS TEMPOS
Uma pressa com duas vendas nos olhos
Duas mãos fantasmáticas perdidas no ar
Uma infiltração de água na coluna
Um riso estúpido bloqueando as narinas
Um pêndulo amnésico entre as pernas
João de Melo (Angola)
In: “Auto-retrato”
(desenho de: eduardo roseira)
domingo, 5 de abril de 2009
UM POEMA DE JULIO SARAIVA

BREVE RAIO X DO POETA
para Domingos da Mota e Eduardo Roseira, numa roda d'amigos - consagro
o poeta não é o samba
o poeta não é o fado
o poeta não é a zoeira
o poeta não é o enfado
o poeta não é a verdade
o poeta é foda
o poeta é fato
pé de sapato esquecido
resto de dicionário
palavra fora de uso
o poeta não faz seu destino
e nem fará a revolução
o poeta é um filho da puta
o poeta é um serviçal
o poeta é uma sentinela
o poeta não é porra nenhuma
o poeta é um sacripanta
violador de meninas
tocador de violoncelo numa
sexta-feira de chumbo qualquer
o poeta é a puta que me pariu
por detrás dos muros da morte
o poeta não é bravo e nem forte
nem um mar de velas pandas
o poeta não é bandeira
o poeta não é pessoa
é só sujeitinho à toa
que cai no meio da rua
o poeta é um viado
pecado capital da palavra
é um animal sem sorriso
o poeta é o funcionário público
que diz pois-não-obrigado
o poeta subverte à ordem
o poeta cospe no chão
o poeta caga na rússia
e declara amor ao japão
o poeta adivinha a lua
o poeta vai ao comício
o poeta foge do hospício
o poeta é bicho de circo
o poeta morre de enfarto
aos pés da primeira mulher
sem que o jornal se apoquente
o poeta...
de uma vez por todas
sejamos sinceros
: o poeta ontem ia bem - obrigado
Júlio Saraiva (Brasil)
In: http://www.escritartes.com/
Fotografia extraida com a devida vénia do site: escritartes
segunda-feira, 30 de março de 2009
A propósito dos 200 anos das Invasões Francesas
Duzentos anos de vida.
Apresentado por inteiro ou aos “nacos”, todos nós o comemos e faz parte dos nossos hábitos alimentares diários, com mais ou menos sal, é o pão.
Há uma variedade imensa de tipos, uma das quais é o “papo-seco”, o qual cá por terras do Porto, é mais conhecido como “molete”.
Quem já não disse e ouviu dizer:
- “Ó Mãiee, dá-m’um molete” Tou co’fome!” – e como resposta – “Ó rapaz, bai à padaria e pede pra t’abiarem meia dúzia de moletes!”
Apesar de ser um vulgar tipo de pão, o molete pode orgulhar-se de ser o mais conhecido, embora a maior parte das pessoas que o comem, não saiba a sua história e o porquê de assim se chamar.
Como é do conhecimento geral, o Concelho de Valongo, no Porto, foi e é uma zona muito importante de panificação e moagem, como são exemplo disso os moinhos de água do Rio Ferreira, ainda existentes, e alguns recuperados. Para além disso, temos o “Pão de Valongo”, vulgarmente conhecido como Regueifa.
Aquando das Invasões Francesas, em 1809, as tropas invasoras estiveram estacionadas em Valongo, tendo nessa altura havido falta de cereais, pelo que houve necessidade de se fazer racionamento do pão.
A forma adoptada foi a de diminuir ao peso, reduzindo o tamanho do pão para metade.
Essa medida foi tomada pelo General francês que comandava as tropas invasoras, que dava pelo nome de Moulet.
Daí o povo ter baptizado aquele pão com o nome de “molete”, aproveitando o nome do General que “decretou” a diminuição ao peso e ao tamanho do pão, para dessa forma poder alimentar os seus soldados.
E é esta a história dum tipo de pão que é conhecido por papo seco, mas que cá pelo Porto, embora já a cair em desuso, lhe chamam “molete”.
eduardo roseira
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
POEMA PARA JOSÉ GOMES FERREIRA
José Gomes Ferreira
cavalguei horizontes
no dorso de uma nuvem,
desafiando trovões/tempestades
sem tirar vantagem.
descobri o presente…
vivi o futuro…
acariciei o passado…
de murmúrio em murmúrio,
em cada viagem,
meu rumo – o arco-íris
de imaginada miragem.
eduardo roseira
8/Nov/2006
VNGaia
sábado, 7 de fevereiro de 2009
EM RITMOS DE SETE...
Foto - SapoFotos(ondas do mar)À
Isabel Pires de Carvalho,
um poema “com sabor ao cheiro de manteiga de cacau”.
…uma a uma…
pequenas ondas
na areia enroladas
tecem com espuma
a orla praia.
…uma a uma…
em ritmos de sete
constroem marés
de bilros
num emaranhado
d’emoções.
…uma a uma…
ora sete pequenas
ornando areias
limo
troncos
conchinhas…
ora sete maiores
que rudeza mar
desfazem
sonhos…
ilusões…
…uma a uma…
em ritmos de sete…
mais sete…
…uma a uma…
em ritmos de sete…
em ritmos de sete…
em ritmos de sete…
eduardo roseira
29-Junho-2008
Auto Viação do Tâmega
Porto-Penafiel-Chaves
…ou a vantagem de não ter viatura própria












