Gosto de observar, plantado como uma árvore,
a linha que os aviões traçam no céu,
quando sobem rompendo os ares.
É verdade que hoje,
quando bastariam apenas alguns segundos
para que a humanidade desaparecesse num ápice,
debaixo (dizem)
de uma terrível nuvem alaranjada,
voar já não tem mistério.
Porém,
a altiva e bela diagonal
desenhada no azul transparente pelos aviões que partem
enche-me as medidas...
João Melo (Angola)
In: "Auto-Retrato",
Ed. Caminho, Lisboa, 2007
Imagem de: eduardo roseira
quinta-feira, 5 de maio de 2011
domingo, 1 de maio de 2011
GEO-POÉTICA
há países
que são literatura
com paisagens
que são poemas
e um povo que os lê.
eduardo roseira
terça-feira, 26 de abril de 2011
MOÇAMBA
Menino pequeno,
gaiato,
moreno,
com medo do cão.
Risada gostosa,
traquinice pronta,
terno coração.
Criança feliz,
livre de cuidados
vivia contente.
Cresceu e aprendeu
que a vida magoa
quem cresce e aprende.
Aprendeu saudade,
dor, separação.
Almoçou tristeza.
Jantou solidão.
Confuso e inseguro
tacteia no escuro,
procura a verdade.
Cansado,
dorido,
recorda o passado,
mata-o a saudade.
Não sabe o que quer.
Não sabe onde vai.
Não sabe o que sente.
Inerte a vontade,
perplexo o olhar,
nem sabe se é gente.
...............................
Menino crescido
vagueia perdido,
só na multidão.
que simples que era
ter medo somente
dos dentes de um cão.
Suzette Costa
gaiato,
moreno,
com medo do cão.
Risada gostosa,
traquinice pronta,
terno coração.
Criança feliz,
livre de cuidados
vivia contente.
Cresceu e aprendeu
que a vida magoa
quem cresce e aprende.
Aprendeu saudade,
dor, separação.
Almoçou tristeza.
Jantou solidão.
Confuso e inseguro
tacteia no escuro,
procura a verdade.
Cansado,
dorido,
recorda o passado,
mata-o a saudade.
Não sabe o que quer.
Não sabe onde vai.
Não sabe o que sente.
Inerte a vontade,
perplexo o olhar,
nem sabe se é gente.
...............................
Menino crescido
vagueia perdido,
só na multidão.
que simples que era
ter medo somente
dos dentes de um cão.
Suzette Costa
Imagem: sapo.pt
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Suzette Costa; Moçamba; medo do cão
segunda-feira, 25 de abril de 2011
O meu País...
O meu País.
Ah, o meu País.
Não sei se é
assim que se diz,
está em stand by.
Ai vai de mal a
pior e vai desta
p’ra melhor
se o povo não
se impuser.
O carro anda
à frente dos bois
com tantos
job’s for the boys.
PEC’s, são mais
que as mães
e ferram-nos
como cães.
O meu País
nada vê
pois sofre de
glaucoma
e está em estado
de coma
e quase num
estado terminal.
Por isso já é
tempo
de acabar o
desalento
e dar um grito
visceral:
- Revolta-te ó
Portugal!
Kim Berlusa
Etiquetas:
País;Revolta;Kim Berlusa
domingo, 24 de abril de 2011
O DIA PRIMEIRO
foi a 25,
o dia primeiro.
um cravo
flor de esperança,
anunciou a primavera,
nas mãos de um capitão
chamado abril.
foi a 25,
o dia primeiro.
soltavam-se as grilhetas
duma aprisionada nação,
que sofria mil agonias.
a liberdade tocou as trombetas.
ouviu-se uma grândola/canção.
abriu-se a porta a novos dias.
foi a 25,
o dia primeiro.
o medo para bem longe fugiu,
as vozes vieram às janelas
e bem alto
em uníssono gritaram:
- liberdade!
- liberdade!
hoje,
trago dentro de mim
um velho cravo
que guardei desde
esse que
foi a 25,
o dia primeiro.
eduardo roseira
Imagem: sapo.pt
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o dia primeiro; 25 de abril
sábado, 23 de abril de 2011
ENTULHO
entre o lixo
um montão de pedras.
quantas histórias
de sorrisos
e perdas?
eduardo roseira
Imagem: sapo.pt
Etiquetas:
entulho;perdas;sorrisos
terça-feira, 12 de abril de 2011
SIGILO POÉTICO
Peço-vos sigilo sobre os meus versos
Bem sei que arrisco não constar
nos tops de vendas
mas como é sabido
nos dias que correm
tudo o que é feito com amor
deve ser tratado com a máxima discrição
até porque se os meus versos
forem bons
destruo toda a minha reputação
de diletante e promessa adiada
Por isso vos peço
respeitem a natureza clandestina
dos meus versos
não falem deles a ninguém
nem amigos nem família nem colegas
só aos amantes
Tiago Rodrigues
Imagem: sapo.pt
Etiquetas:
Tiago Rodrigues; sigilo; poético
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