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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

"Mensagem" de Bom Ano



mais um novo ano
mais guerras novas
que as velhas (raios...)
nunca mais morrem...
...e nós preocupados
com os aumentos!?...

está quase na hora do jantar,
abro o frigorífico
e a escolha é difícil!
que chatice... (raios...)
ter que fazer mais uma refeição...
...por falar nisso...
a Somália ainda existe?
...e nós preocupados
com a inflação!?

mas que importam todos
os conceitos e nobres filosofias,
se o que eu quero,
é apenas viver feliz
neste novo ano,
resolver de uma vez por todas,
o que destinar para as refeições
e continuar a ir aos concertos "? aid"
e vender armas para a próxima guerra.

...e dirão todos vós: RAIOS!!!
que estúpida contradição
tem este gajo!



eduardo roseira

BOM ANO e vamos reflectir no que fazer para que a nossa esperança, deixe de ser sonho, mas sim real.

(imagem: sapo.pt)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O QUE ME IRRITA


Mário Soares, disse um dia: “- Todos, temos o direito à indignação!” - Uma frase que de tão usada por “todos” e por “dá cá aquela palha”, me leva a ultrapassar os limites do tal “direito à indignação”, ao ponto de ficar verdadeiramente irritado, por dois motivos:


- Primeiro, com o uso e abuso da dita frase.

- Segundo, com o facto de na maioria das vezes, serem pessoas de responsabilidades ao nível do Estado, do Governo e da política, os quais se ficam apenas pelo acto de indignados, sem darem soluções, ou fazerem seja o que for, para resolverem os casos que lhes causam tal “direito á indignação”.

Eu, sinceramente, que me irrito e de que maneira!

E ao olhar para o que me rodeia, acreditem que me perco na longa lista de situações que me levam a dizer, entre outras coisas, que...



... O QUE ME IRRITA...

...é saber que existem pessoas que não vão a uma consulta ao Centro de Saúde, por não terem os cerca de três euros para pagar a taxa moderadora.

...é saber que muitos dos que vão a essa consulta, saem de lá com requisições de exames, análises e outro tipo de tratamentos que necessitam de fazer, mas não os fazem, por não terem dinheiro para tal.

... outros há, que saem das consultas com receitas para medicamentos, que nunca são comprados na farmácia, porque o dinheiro que tem no bolso, mal lhes chega para a alimentação, agravando assim o estado de saúde.

... noutras ocasiões, se chegam a comprar a medicação, por incrível que pareça, são forçados a “cortar” na alimentação, agravando na mesma a sua saúde.



...O QUE ME IRRITA...

...é saber que na maior parte destes casos, se encontram reformados, que trabalharam décadas a fio e actualmente recebem muito menos do que algumas pessoas que estão no desemprego, após terem trabalhado poucos meses, ou pior ainda, os que recebem o “máximo”, do chamado Rendimento Mínimo e até andam à “biscatada”, sendo que a maior parte deles nunca descontaram para a Segurança Social.

...é saber também, que mesmo no tempo das noites de Verão, em que sabe bem ir dar um pequeno passeio higiénico, existem pessoas, particularmente as idosas, que se resignam a um “cárcere privado” (1), embora por auto imposição, em virtude de terem medo de sair à rua, devido à insegurança que se faz sentir.

...é ter assistido a três energúmenos, após terem agredido um pacato cidadão sem qualquer razão aparente, à luz do dia, num parque público, terem feito frente, com insultos, ameaças, empurrões, recusarem-se a ser identificados e a serem levados para a Esquadra, perante nove, repito nove agentes da polícia.

...é ter ouvido um desses agentes a dizer, que nada faziam, porque no dia seguinte os indivíduos passavam por eles e ainda os gozavam, e que tinham também receio de os energúmenos em causa, mais tarde virem a declarar situações menos abonatórios, contra os agentes, que levassem os mesmos a ter que ir fazer umas “férias” em qualquer estabelecimento prisional deste País.

Para além disto e de muito mais, O QUE ME IRRITA, é saber que os tais que dizem ter “Direito á indignação!”, não param para ver, agir e solucionar, antes que muitos outros comecem a dizer, tal como eu:

- O QUE ME IRRITA...



eduardo roseira

(imagem: sapo.pt)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A MALDIÇÃO DOS TELEMÓVEIS


Toca o telemóvel, são quase duas horas da manhã, coisa rara, eu dificilmente tenho o “télélé” ligado a tal hora.


Olho para o visor – número desconhecido – não atendo porque desde sempre tenho por costume não o fazer, pois não dou ouvidos a pessoas que se escondem no anonimato.

O “anónimo”, (aquela hora não devia ser um vendedor?), volta a insistir por mais duas vezes – Irra que é chato! – penso para comigo – Não estranho de quem seja a chamada, pois todos os meus amigos e familiares sabem bem que não atendo quando surge – número desconhecido – no visor, portanto posso ir dormir descansado.

Já é Sábado, amanhã não trabalho e só volto a fazê-lo daqui por oito dias – féééérias – ah!, coisa boa, descanso e mais descanso.

Durmo até às duas da tarde, a única coisa que tenho em que pensar é para onde hei-de ir nestes próximos dias, a escolha é fácil, ou seja, vou para perto porque os euros são poucos, quanto ao resto é ir até à praia e entreter-me com a leitura de uma ou outra revista de viagens com paisagens paradisíacas… e sonhar.

Por falar em viagem e sonho, já me contentava com uma ida a Paris, só que o que se gasta na passagem de ida e volta, dá-me para uns bons dias de férias por cá, no campismo.

Revejo mais uma vez o saldo bancário e decido que amanhã bem cedo parto de viagem e vou acampar em Vila Nova de Mil Fontes, está decidido!

…………………………………………………………………………………..

Com tudo isto já são quase seis horas da tarde quando chego ao meu destino, como estou de férias e nunca fui “escravo” do telemóvel só o volto a ligar agora.

- Ena!? – tenho o aviso de três chamadas não atendidas, do – número desconhecido – e um SMS que dizia o seguinte:

- “Migo, tenho um tlm novo- 900 123 321. Tentei ligar éne X – parto pra paris às 5 da manhã, volto dentro 5 dias. Keres vir, dou-te boleia. Liga-me, bjs, lena”........



eduardo roseira

(Imagem: sapo.pt)

domingo, 27 de dezembro de 2009

O NATAL E O NATAL



Imaginem o vosso espanto, se de repente vos aparecesse pela frente alguém que vos dissesse:


- Eu não gosto do dia de Natal!

Com certeza, que ao ouvirem tal afirmação, umas pessoas ficariam chocadas, outras até estupefactas.

Eu pessoalmente, já não fico duma maneira nem doutra, ao ouvir tal frase.

Aceito normalmente, que as pessoas assim pensem, pelo facto de que eu conheço alguém que costuma dizer que não gosta do dia de Natal e que, para além de ser meu intímo amigo, é aquilo a que se pode chamar de, um homem com “H” grande!

Este meu amigo é das poucas pessoas que tem a coragem de dizer aquilo que pensa, tendo contudo, o cuidado de respeitar sempre as opiniões dos outros, mesmo quando são opostas à sua forma de estar, (coisa muito rara nos tempos que correm!...).

Mas, para exemplificar melhor a sua maneira de ser e pensar, este meu amigo, ao dizer que não gosta do Natal, dá como razão principal, nada mais, nada menos, do que o seu nome:

- MANUEL ANTÓNIO NATAL!

E é por via deste seu último nome, que ele afirma não gostar da quadra que recentemente festejamos.

Diz ele, com um ar de graça, mas cheio de convicção, que não tem necessidade do Natal para o ser, pois ele já o é desde que foi à pia baptismal.

Aos mais intímos, como eu, ele diz que aquilo que mais adora ver no Natal, é precisamente o que gosta de assistir durante todo o ano:

- O brilho dos olhos de uma criança, que sorri cheia de felicidade!

Ao dizer isto, o meu amigo, Manuel António Natal, transmite aquilo que de bom ele tem e é, na realidade, ou seja:

- Um bom homem!

Ele é mesmo, daquele tipo de pessoas, incapaz de mentir aos outros, com receio de se enganar a si próprio.

É uma pessoa que: - Adora a sua família; ajuda os pobres; olha pelos idosos; dá de vestir aos nús; dá comida aos que tem fome; visita os reclusos e doentes; faz imediatamente as pazes com os que lhe querem mal (coisa difícil); dá brinquedos e ternura às crianças! E faz tudo isto sem ser rico. Aliás a sua riqueza não é a do dinheiro, mas sim a dos valores!

Enfim, o meu amigo Natal, também se podia chamar, Paz, Amor, Fraternidade ou Alegria, que qualquer um destes nomes lhe assentaria perfeitamente.

Entre ele e eu só existe uma diferença.

É que a família, os pobres, os idosos, os nús, os que tem fome, os reclusos, os doentes, os amigos, os inimigos, as crianças e o ser bom, para ele são coisas que existem e das quais se lembra durante todos os dias que o ano tem. Enquanto que para mim, o Natal tem sido só em Dezembro!

Afinal, dou a mão à palmatória, é que ao dizer que não gosta do Natal, que tem mesmo razão é o meu amigo:

- Manuel António Natal!



eduardo roseira


(imagem: sapo.pt)

sábado, 26 de dezembro de 2009

"VENDIDA" A LISBOA



Após o Natal, voltamos ao real e cabe aqui tomar uma posição sobre o maior evento que até hoje aconteceu no Norte do País (que Portugal é só Lisboa).
Mas para lá de a Red Bull Air Race estar "vendida" à (e ao) capital, não podemos deixar de exprimir a nossa revolta nortenha, pelo facto de Lisboa, ter levado na parcela de Turismo do Orçamento, nada mais, nada menos do 75%!!! E o resto do País que se contente com a divisão dos restantes 25%!!!
Vergonhoso, especialmente quando TODO o País vai pagar o novo aeroporto, o TGV e o resto...

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

EMBRULHO DE NATAL


natal!

tempo de prendas fazer
em caixas de diversos tamanhos.
tudo feito com peso
e de forma desmedida,
mesmo que sem dinheiro na conta.

não esquecendo as fitinhas
e lacinhos de ornamentos
a condizer, para alimentar
o ego e o faz-de-conta.

natal!
faz-se da ocasião, montra
para esquecer todos os erros
e mesmo até qualquer ingratidão.

natal!
é também tempo para desculpar
o habitual “coitado”,
que afinal nos dá razão
para dizer que:

- o natal serve-se frio e…bem embrulhado!



eduardo roseira

(imagem: sapo.pt)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O PINHEIRINHO DE NATAL



Papá, vens deitar-me que eu conto-te uma história!


— Disse a pequena Helena Sofia, uma miúda ladina de sete anitos.

Eis uma situação não muito habitual, que soou como uma prenda de Natal.

Já aconchegada no calor da cama, com o seu pai sentado ao lado, a pequena Lenita começou a sua história:

— “Se eu fosse um pinheirinho de natal…



os meus brincos eram duas bolas de enfeite.

Os meus olhos, duas estrelas a cintilar.

O meu cabelo entrançado, as fitas brilhantes que abraçam a árvore.

O meu narizito, um pequeno sino a anunciar a vinda do Jesus Menino.



Depois, pedia muitas estrelas emprestadas, para com elas fazer uma enfiada de luzes.

Da minha boca sairia uma brisa suave, na qual viajava o Pai Natal.

O gancho do meu cabelo, era o trenó em que o Pai Natal, carregava as prendas para todos os meninos.

O trenó trazia sacos e sacos.



Num trazia Paz.

Noutro pão.

Noutro ainda, amor.

Nos restantes, tudo de bom para o Mundo.

Depois, quando voltasse a ser menina outra vez, gostaria de ter como prenda...ser um pinheirinho de natal!!!”

.................................................



Gostaste papá? — perguntou Lenita, já meia ensonada e após um breve silêncio.

Sem palavras, o pai aconchegando-lhe a roupa, beijou-lhe a testa.

Entretanto a pequena Helena Sofia, com um doce sorriso nas faces já dormia.

Com que é que estaria a sonhar?



NOTA: História escrita por mim, eduardo roseira, baseada numa história contada pela minha filha Helena Sofia Nunes Roseira, aos sete anos (1992) e ilustrada com uma colagem feita pelo meu filho José Mário Vasques Roseira, aos quatro anos (2001).

Esta a minha prenda de Natal para todos vós.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

AI, A NEVE É TÃO CHIQUE



“Serra da Estrela!”


disse o Pai Natal

“Aspen!”

disse o Diabo

“Val d’Isére!”

disse o Menino Jesus

“Cortina D’Ampezzo!”

disse Deus



Welcome to Sierra Nevada

terra de nuestros hermanos

neve barata para aquecer a alma

pinheiros de Natal e ponche quentinho



O Diabo portou-se mal no avião

encheu o corredor todo de pipocas

deu vivas a Bin Laden em voz alta

e apalpou o traseiro à hospedeira



À chegada foram todos equipar-se

gastaram um dinheirão só em esquis

a estância é para tias bem burguesas

gajos com muito cacau para torrar



Na noite de Natal lá no hotel

o Pai Natal adormeceu de boca aberta

o gorro às três pancadas, pendurado

as botas a brilhar junto à lareira



O Diabo embebedou-se com bagaço

pôs-se a escrever poemas escabrosos

e a discutir com Deus, aos berros

as razões do Boavista ter sido campeão



A noite acabou com artes Plásticas

toda a gente a desenhar com marcadores

corações, dedicatórias ternurentas

na perna engessada do Menino Jesus





Ai, é tão chique um Natal na neve!



Luís Graça

In: “Florilégio de Natal – 2001”

Editada pela Tertúlia Rio de Prata,

de Lisboa.

(imagem: sapo.pt)

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

NÃO GOSTO DO PAI NATAL




Não gosto do Pai Natal


porque a mim já não me ilude:

todas as prendas que traz

dão-me cabo da saúde.



Traz no saco, que carrega,

cada vez mais sofrimento

e deixa-me logo «à pega»

baixando-me o vencimento.



Com discursatas perversas,

mil ilusões repartidas

enche o saco de promessas

que nunca serão cumpridas.



Eu não quero dizer mal

mas temos gostos opostos:

peço prendas plo Natal

e ele dá-me mais impostos.



E mal entra o Ano Novo

logo me cheira e pressinto

que eu, que pertenço ao Povo,

vou ter de apertar o cinto.



Sobe a água, sobe a luz,

e os aumentos são bem fortes

e, para aumentar a cruz

sobem também os transportes.



É pior de cada vez

que olho esse velho gaiteiro:

Já sei que vai sobrar mês

quando acabar o dinheiro.



No País em que vivemos

(somos quase 10 milhões)

Ali-Babás... poucos temos,

mas temos muitos ladrões.



Por isso é que não me ilude

este velhote atrevido:

Pai Natal é Robin Hood,

mas Robin Hood ... invertido.



Fernando Peixoto

(imagem: sapo.pt)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

VAZIOS...ou o outro lado do Natal




o seu muito

é o pouco

que têm.



a sua riqueza

é ter muito…

de nada.



à noite

num colchão

feito cartão/soalho,

sem tempo para insónias,

dormem com as nuvens…

como agasalho.



o seu sono

tem por companhia

o sonhar…

com nadas.



a sua vida

é feita

com a riqueza

de imensos

vazios…



eduardo roseira

   VNGaia

21/Dez/2009



(imagem: sapo.pt/www.combonianos.com)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

ALEGRIA DE VIVER...(matemáticamente)



ai, deus meu!...
...um espelho partido...
...são sete anos de azar!!!

vou já partir mais três,
a ver se consigo
andar por cá
mais vinte e oito!!!

eduardo roseira
VNGaia
13/Outubro/2009

(Imagem: sapo.pt)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

uma nota...



uma nota
solta-se da pauta
e vai ao encontro
dum pássaro
a voar no céu,
que a segura na asa.

leva-a ao ninho
e deposita-a
nos pequenos bicos
que hão-de aprender
novos chilreios...

   eduardo roseira
      VNGaia
19/Outubro/2009

(imagem: sapo.pt)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

DESESPERO...



... uma janela para o nada
num beco sem saída
numa casa desencantada
nesta cidade perdida...

  eduardo roseira
      VNGaia
4/Setembro/2009

(imagem: sapo.pt)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

ES...QUE...CIMENTO...



sem folhas
despida
quase nua
a àrvore
            ainda erguida
num terreno
da minha rua
sobrevive
esquecida
à sombra de uma grua
amarela.
de quando em quando
espreito
da minha janela
e lanço a lanço
vejo o crescer
de paredes cimento
e assisto ao morrer
da àrvore no seu descanso
em lento...
muito lento
es...que...cimento...
................
................
assumi
de novo à janela
passadas algumas luas
e a àrvore já não vi...
...no seu lugar
existiam
mais duas gruas...

 eduardo roseira
    VNGaia
8-Outubro-2009
In:"20 anos Poesis/20 poemas"
(Imagem: sapo.pt)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

AO CARDUME E À VARA...



eh! freguês…


é o bom do robalo…

andava no mar em cardume

e foi pescado à vara.



é o bom do robalo…

é a dez…

é a dez…

é aproveitar…

é o bom do robalo…

leve lá, óh…freguês…

é só a dez…



o quê?...

a dez!?...

o preço do robalo?!...

puxa…está caro…

mais vale por outra

“espécie” trocá-lo,

ou então…

ou então…roubá-lo!



oh!,,, freguês…

olhe que é a bom preço

este bom do robalo…

além do mais, vou embrulhá-lo,

para si que é bom cliente,

num bom envelope…

vai ver que fica

aquilo que se chama:

um mimo…um regalo…
eh! freguês…


é o bom do robalo…

andava no mar em cardume

e foi pescado à vara.



é o bom do robalo…

é a dez…

é a dez…

é aproveitar…

é o bom do robalo…

leve lá, óh…freguês…

é só a dez…



o quê?...

a dez!?...

o preço do robalo?!...

puxa…está caro…

mais vale por outra

“espécie” trocá-lo,

ou então…

ou então…roubá-lo!



oh!... freguês…

olhe que é a bom preço

este bom do robalo…

além do mais, vou embrulhá-lo,

para si que é bom cliente,

num bom envelope…

vai ver que fica

aquilo que se chama:

um mimo…um regalo…



oh!…freguês…

escute…escute…

é aproveitar…

é aproveitar…

antes que esgote.

oh!... freguês…

olhe que a oportunidade

ainda lhe escapa…

leve…leve o bom do robalo

mesmo ao preço da sucata!....


  eduardo roseira
       VNGaia
10/Dezembro/2009




(imagens retiradas do sapo.pt)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

ACRÓSTICO ANTI-NATAL




Fomenta a discórdia
Entre os que te rodeiam
Lacra os sentimentos
Insulta tudo e todos
Zaragateia a toda a hora

Nega os teus sorrisos
Atropela a inocência
Tortura os animais
Atormenta o teu próximo
Lubrifica toda a tua mesquinhez

(… e então, verás tudo aquilo que não desejas que te façam…)


eduardo roseira

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

MANGUITO...



... e no dia em que um caixão
me couber em sorte...
... partirei então...
sorrindo e fazendo
um grande manguito à morte!

                   eduardo roseira
                         VNGaia
                     

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

OBAMA - Um Ponto Negativo




A rádio TSF noticiava às 23:48 no seu site, ontem, dia 24 de Novembro de 2009 o seguinte:

"ADMINISTRAÇÃO OBAMA EXCLUI ASSINAR PROIBIÇÃO DAS MINHAS TERRESTRES - O executivo norte-americano decidiu não assinar uma convenção internacional que proíbe as minas terrestres, revelou esta terça feira o porta-voz do Departamento de Estado. Ian Kelly afirmou que a administração Obama acabou recentemente de reapreciar a questão e decidiu não mudar a política da administração Bush."

O comentário que mais se ouve aqui pelo "pátio" é de que o "Nobel da Paz" Obama, perdeu um ponto na nossa consideração.
E assim deixo aqui ficar um grito de revolta, em nome de todos os estropiados e vitímas mortais, devido às minas terrestres, especialmente aos que participaram directa e indirectamente na Guerra Colonial.



GUERRA

Guerra rima com terra e coms serra.
Estranhamente, guerra não rima
com dor,
com horror,
com terror,
mas a guerra é um estupor.
Estranhamente, guerra não rima
com milhões
de vidas desperdiçadas à toa,
com biliões
em dinheiro, seja o dólar ou a coroa,
que vai enriquecer mafiosos,
nem um pouco escrupolsos.
Estranhamente,
guerra que devia rimar com dor,
rima com terra e com serra
que deveriam rimar com flor.

Regina Gouveia, in "Reflexões e Interferências"

Nota: As imagens foram extraídas do sapo/imagens, sendo que a que mostra a manifestação é da época do ex-Presidente norte-americano, George Bush.

sábado, 21 de novembro de 2009

VINGANÇA...




... na rua, distraídamente,
comendo pipocas,
ao atravessar a passadeira,
fui atropelado por um bando
desgovernado de...
...GALINHAS!?!?...

eduardo roseira

AVES...





vós sois aves
em permanente voar
de poiso
em poiso
em busca do seu
melhor estar.

estáticamente
em sereno olhar
sinto a raiva
que vós sentis
do voar
dos vossos pares.

eu…
estátua
permaneço indiferente
ao vosso cagar.

eduardo roseira

(Foto da autoria de Eduardo Roseira,Pai,Porto,1997)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

20 ANOS POESIS - 3 - Palavras Vivas



Integrado nas comemorações do 20.º aniversário do Grupo Cultural Poesis, na Casa da Cultura de Paranhos, no Porto, no dia 14 de Novembro de 2009, eduardo roseira apresentou o seu espectáculo "Palavras Vivas", na versão infanto-juvenil.

É um espectáculo com base em poesia de autores portugueses e braliseiros, à qual o "animador da palavra", eduardo roseira, alia técnicas de Teatro com base na pantomina e na mímica e anima os poemas que vai contando....

OS CONTACTOS PARA ESPECTÁCULOS PODEM SER FEITOS ATRAVÉS DO Telemóvel - 966 238 966 ou para o e-mail: eduardoroseira@gmail.com


(a fotografia que acompanha este texto é da autoria de Júlia Meireles)

20 ANOS POESIS - 2 - lenços poéticos



No passado dia 14 de Novembro de 2009, no decorrer das comemorações dos 20 anos do Grupo Cultural Poesis, a artista plástica Júlia Meireles, lançou a sua colecção de lenços bordados com poesia, cuja apresentação esteve a cargo de eduardo roseira, que sobre os mesmos referiu:

"Este produto é: artesanal; original; pode ser acessório de moda; peça decorativa e simultâneamente é um artigo cultural e didático - ou seja - pode ser considerado com um verdadeiro POP - Produto Original Português."

Já agora para todos os interessados em encomendar um lenço poético, podem enviar o poema escolhido para o seguinte email: julia8meireles@gmail.com - que em breve receberão a resposta com o estudo do lenço e o respectivo orçamento.

(A foto que acompanha este texto é da autoria de Júlia Meireles)

20 ANOS POESIS - 1




A apresentação da Revista Nova Àguia foi sem dúvida o ponto alto das comemorações do vigéssimo aniversário do Grupo Cultural Poesis,que teve lugar no passado Sábado, 14 de Novembro de 2009, na Casa da Cultura de Paranhos, no Porto.

Do programa constou uma exposição de alguns artistas do Poesis, que apresentaram Pintura, Kim Berlusa e Luís Nogueira; Fotografia, eduardo roseira e de Artesanato de Júlia Meireles, que apresentou uma colecção de lenços bordados com poesia.

Na parte da tarde teve lugar o espectáculo infanto-juvenil "Palavras Vivas", de eduardo roseira e de seguida a apresentação da revista "Nova Àguia".

À noite aconteceu a habitual Tertúlia mensal da Poesis/Casa da Cultura de Paranhos, durante a qual teve lugar a apresentação da colectânea poética "20 anos POESIS 20 poemas", dedicada a Fernando Peixoto.

(A fotografia que acompanha o texto é de Júlia Meireles)

sábado, 7 de novembro de 2009

20 ANOS SOBRE A QUEDA DO MURO DE BERLIM



- 0 dia 9 de Novembro, entre boas e más memórias


Há precisamente vinte anos, dia 9 de Novembro de 1989, estava eu “preso” no Hospital da Prelada no Porto, tendo apenas a “liberdade” condicionada, o poder-me deslocar na cadeira de rodas.
Tinha sido operado ao fémur dois dias antes, situação que deixa qualquer mortal física e moralmente em baixo e sem paciência para nada, até porque em situações como esta andamos meios zonzos, porque afectados com a medicação que ingerimos.
Nesse dia 9 fui alertado pelo meu companheiro de sempre, o rádio portátil, que me deu uma notícia que me fez esquecer onde estava e as próprias dores do pós operatório, “saltei” para a cadeira de rodas e tive que “namorar” o pessoal de enfermagem para que me deixassem ficar depois da dez na sala a ver a Rádio Televisão Portuguesa… o Muro de Berlim tinha caído.

No dia seguinte ligaram-me da redacção da Rádio Paralelo, de Ermesinde, onde na altura trabalhava, a pedirem-me a habitual crónica para o noticiário das 13 horas, dizendo que tinha que ser, mesmo sabendo que estava hospitalizado. Já não me lembro do teor da mesma, apenas fiquei com os dois estes dois poemas:



OS POETAS VENCERAM!

poeta é aquele
que voa nas asas do sonho.
poeta é aquele
que torna verdade,
fazendo do que parece irreal,
com esperança e resignação,
uma verdade fundamental!

irmão, tu que és poeta,
tal como eu,
agarra-te às minhas asas
e comigo anda voar.
voar p’rá liberdade…
anda!
agarra-te a elas
e comigo voa.

força!
solta as amarras
que te impuseram.
vá junta-te a outros
nossos irmãos
e sem medo
derruba esse muro
que te castra a imaginação.
fá-lo dizendo não aos mitos
e aos “outros”, deixa-lhes
a vergonha.

depois, diz bem alto,
libertando os teus abafados gritos:
- abaixo os muros!
- adeus vergonha!
- os poetas venceram!


VINTE E OITO ANOS
(1961 - entre a construção e a queda - 1989)

foi sofrimento!
calado…
foi consentimento!
recalcado…
havia marchas,
ao som de tambores.
durante vinte e oito anos
de mágoas, marcas
e imensos dissabores.


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A nove de Novembro de 1989, Berlim acordava para o mundo, o Muro caia. Noite dentro, entre lágrimas e abraço, os habitantes daquela cidade dividida ao longo de quarenta anos, festejaram o (re)encontro.
Ao som de palmas, seguidas de lufadas de ar negro, os “Trabis”, os pequenos carros alemães-democráticos com cores de rebuçado, invadiram as ruas do lado ocidental.
Dessa vez, ninguém ousou evocar as leis da protecção do meio ambiente. As garrafas de champanhe andavam de mão em mão. Era o princípio do fim de um longo pesadelo chamado Guerra-Fria.
A data não desperta, porém, boas memórias. Já em 1938, Berlim tinha acordado o mundo em nove de Novembro. A noite em que bandos de nazis iniciaram a sua “caça”, com espancamentos, prisões, destruição de lojas e pintura de paredes com a acusadora/denunciadora estrela de David e a frase “Não compres a Judeus.”. Era o primeiro passo para o Holocausto!
Uma tragédia que ficou conhecida na história, com o nome perversamente romântico de: “Noite de Cristal”.

Ironia das ironias, hoje festeja-se e bem, a Queda do Muro há vinte anos, a Nove de Novembro, mas ninguém refere o outro, nada romântico, nove de Novembro de há setenta e um anos.





eduardo roseira

terça-feira, 13 de outubro de 2009

PRÉMIO NOBEL DA PAZ 2009

O Nobel da Paz foi este ano atribuído ao Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama!...
Torci com os americanos para que ele fosse eleito e continuo a simpatizar com ele, mas daí
até concordar com a atribuição deste Nobel, acho que é muito cedo...sem mais comentários cito
as palavras, que subscrevo, de um outro Presidente norte-americano, que também admirei:

"SÃO PRECISOS DOIS PARA FAZER A PAZ!" - John F. Kennedy (1917-1963)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

DOIS EM UM - Debate(?) Louça x Jerónimo

Assistimos não a um debate, mas sim a duas entrevistas em paralelo, daí o dois (entrevistados) em um (debate?).
Conversa entre camaradas de diferentes partidos, mas com inimigos comuns (a direita e o bloco central).
Esta conversa com uma moderadora/entrevistadora, foi morna, tipo - eu e tu não nos atacamos - "cada um com a sua bicicleta", mas com as buzinas caladas.
Empate técnico...porque combinado.

Só faltou no final, ver o Louça e o Jerónimo, abraçados e a cantarem em uníssono a "Internacional Socialista"!

terça-feira, 21 de julho de 2009




canto a miguel torga,
o poeta da liberdade


“O universal é o local sem paredes.”

Miguel Torga

um metro e setenta e sete
tinha o poeta de altura
o corpo todo magreza
no olhar tristeza tão dura
punha oculta a beleza
não exibia candura
era assim o doutor adolfo
com aqueles que desde cedo
desenhou-se a vida dura
pro mundo foi miguel torga
gênio da literatura

seus hábitos trasmontanos
ele trouxe para o brasil
onde viveu alguns anos
sob os cuidados de um tio
mas atendendo à saudade
doída da aldeia natal
tratou de juntar-se ao povo
sofrido do seu portugal
torga adotou por nome
que é planta do chão agreste
e com a voz inconteste
gritou alto contra a fome
gritou contra a força do mal
disse não à censura
basta à ditadura
desafiou general

no entanto quem o bem canta
cedo perde a razão
o ditador se levanta
e dá-lhe por prêmio a prisão
aljube tem por destino
e por alimento água e pão
então riu-se todo o burguês
engordou de satisfação
vendo que o camponês
ficou longe do seu irmão


mas posto em liberdade
mais forte o poeta voltou
cantando a sua verdade
cantando as águas do douro
cantando as mágoas do tejo
cantando o correr do mondego
seu canto jamais se calou
nem quando perdeu a guerra
pra morte em câmara lenta
passado já dos noventa
se a mão da inimiga apanhou
adolfo correia rocha
miguel torga continuou
seu canto em toda parte
na boca de alguma gente
nos sonhos que sempre sonhou
de um mundo assim sem paredes
livre das fomes das sedes
não preso só aos limites
do mapa do seu portugal
um mundo de uma só língua
todos num único barco
sem comandante na proa
quer no brasil quer em goa
o mesmo sol o mesmo sal
em angola em moçambique
em são tomé guiné-bissau
no timor em cabo verde
também nos confins de macau
quem sonha não vê distância
tira a capa da arrogância
sonha um sonho universal

júlio saraiva (Brasil)
Poeta/Jornalista

quinta-feira, 2 de julho de 2009

escritArtes - ESCLARECIMENTO



Antes de passar ao esclarecimento, começo por publicar, com a devida vénia e agradecendo a autorização do autor, o poema, de José Félix, que foi alvo de censura por parte da Administração do site “escritArtes” e que causou uma polémica que provocou uma expulsão (a do poeta Xavier Zarco) e alguns abandonos, a do próprio José Félix (a pedido, por não concordar com acto censório) e de outros, a par dos que, pelo menos mencionaram tal intenção:


Soneto (ecfrásico)sobre a imagem identificativa de "Helen de Rose", no escritArtes

Na vertente do olhar, Helen de Rose
Não cabe a escuta, o eco da tua voz
A messalina que tem essa pose
Descreve os lábios um desejo atroz.

Os olhos são assim a dupla dose
Que no sentido lúbrico são a foz
De Eros submetido à Hipnose
Transformando-a, a deusa, em seu algoz.

Que te sossegue o rosto, o teu cabelo
E as faces sejam lume nos meus lábios
Se houver a mais pequena transparência.

Porém, se não for atendido o apelo
Eu fico no devaneio dos sábios
A perscrutar a voz da minha urgência.




José Félix , In: ateiadaaranha.blogspot.com
e retirado por censura no www.escritArtes.com
__________________



ESCLARECIMENTO:

A minha presença no site “escritArtes”, surgiu a convite da senhora Goreti Dias, que para tal solicitou ao, aqui “residente” neste pátio, Domingos da Mota, ao sabê-lo meu amigo, o meu e-mail pessoal. Aceitei o convite e de forma alguma estou arrependido, pois não confundo os colectivos, com as atitudes pessoais. A foto identificativa que lá coloquei é mesmo minha, tal como o nome (Eduardo Roseira). Nunca me escondi e dando a cara e o nome, verdadeiros, nada tenho a esconder, ao mesmo tempo que, por tal, sou responsável por tudo o que por lá escrevi e venha a escrever.

Por lá andei, umas vezes mais assíduo do que outras, e sempre evitando ao máximo comentar poemas e mesmo até a agradecer comentários que me eram dirigidos.

Até que um dia, pensando eu que estava num lugar de verdadeira Poesia e como tal de Liberdade, respeito por ideias e expressões contrárias, motivado contra o acto de censura praticado pela anterior Administração ao poema de José Félix, acima publicado, por solidariedade com este e com o solidário e expulso Xavier Zarco, postei em 19 de Junho, o poema de minha autoria, que passo a publicar:

SIRVAM-SE!...
(a alguns censores e outros estupores)

minhas senhoras
e meus senhores.
porque esperam?
sirvam-se!
sirvam-se dela à vontade!
vá lá, continuem o banquete.
que a mesa posta
é fruto
da vossa maldade.

porque esperam?
continuem a reinação.
sirvam-se dela,
que é vossa!
pois embora seja filha
da imaginação que é minha.
ela é o vosso espelho.
porque é feita de...
...ca...qui...nha!...

vá lá!
façam dela serventia.
sirvam-se!
sirvam-se...da minha poesia!




eduardo roseira



Este meu poema, independentemente do seu pouco valor literário, veio a suscitar um renovar da polémica que envolveu o belíssimo poema (de descrição ecfrásica) de José Félix, que o levou a ser alvo de censura e à expulsão de Xavier Zarco, e de tal forma, que foi alvo de dois comentários (ver mais à frente), do senhor Dionísio Dinis, (antigo Administrador), em que me pedia para parar de insultar e de caluniar a senhora Goreti Dias, (antiga Administradora).

Eu estranhei, mas compreendi, que o senhor Dionísio Dinis, viesse em defesa da referida senhora, apesar de eu NUNCA a ela me ter referido, mas sim e sempre me ter dirigido à ADMINISTRAÇÃO no seu TODO, o qual é logicamente, constituído por um grupo de pessoas, com diferentes formas de pensar e ver, mas que no caso em questão, não souberam, inicialmente, lidar com a situação de “conflito” entre o José Félix e a “Helen de Rose”.

Quanto a mim a dividida Administração, devia ter, independentemente dos diferentes critérios de opinião, feito um comunicado no “escritArtes”, a esclarecer de imediato, tudo e todos, assumindo claramente as suas atitudes e evitando assim toda a polémica que surgiu.
Mas quem sou eu para estar aqui a “meter foice em seara … administrativa”…

Ainda relativamente ao comentário do senhor Dionísio Dinis era para não lhe dar resposta, aceitando o final do seu comentário: “…Assunto encerrado!”

Contudo fui “forçado” a mudar de opinião, isto porque entretanto, recebi uma mensagem pessoal, enviada para o meu e-mail e proveniente do e-mail da senhora Goreti Dias, com carácter insultuoso, mentiroso e ameaçador. (ver mais à frente).

Embora estupefacto, pelo facto de a referida senhora, não ter comentado no “escritArtes” o poema “Sirvam-se!...”, (apesar de, ao que me parece, ter delegado no senhor Dionísio Dinis), não estranhei, pois a senhora Goreti Dias, ao enviar-me um e-mail particular, pensava estar livre de dizer o que muito entendesse e de forma “escondida”, para assim continuar a aparecer no “seu” “escritArtes”, “angelicamente” aos olhos de quem a lê…

Ao usar este blog para acrescentar um pouco de clareza a esta polémica e aos ataques que me fazem, tal como o está a fazer o José Félix, no seu blog: ateiadaaranha.blogspot.com, faço-o essencialmente e, aqui, de forma mais elaborada, para não o fazer no “escritArtes”, devido ao respeito que me merecem a grande maioria dos que por lá escrevem e convivem.
Por outro lado, este blog, é aberto a todos os que quiserem comentar! E podem estar à vontade que não haverá censura, nem expulsões! Aqui os comentários são directamente publicados e nunca serão retirados.

A DUALIDADE DE CRITÉRIOS DOS MEMBROS DA EX(?) ADMINISTRAÇÃO DO ESCRITARTES!

Os membros da ex-Administração do “escritArtes” e muito particularmente o senhor Dionísio Dinis e a senhora Goreti Dias, pelos vistos, entre outros males, padecem do mal da dualidade de critérios, senão veja-se, ou seja, leia-se:

1 - Júlio Saraiva, Poeta e Jornalista brasileiro, em comentário ao poema “Lápis” de Domingos da Mota, refere o seguinte:

>“- parágrafo único: embora nem todo o filho da puta seja censor, todo o censor é filho da puta”

2 – Júlio Saraiva, no seu post “Visto de Saída”, refere-se à “expulsão e censura” dos poetas José Félix e Xavier Zarco.

3 – Domingos da Mota, Poeta de Gaia, Portugal, em comentário ao “Visto de Saída”, de Júlio Saraiva, a dado passo diz: “…e assim, uns por censura, outros por expulsão, ou em solidariedade….”

Estranhamente (ou talvez não), em nenhum destes post’s, ninguém da Administração (actual e antiga), nem pessoalmente o senhor Dinis e a senhora Dias, vieram comentar, dizendo que não tinha havido censura, expulsão, ou mesmo até (e especialmente) insurgirem-se contra o jogo de palavras usadas pelo Júlio Saraiva, “censor/filho da puta”.

No meu caso, e refiro-me ao meu poema “Sirvam-se!...”, que dedico (a alguns censores e outros estupores), o senhor Dinis, fez logo o primeiro comentário (não sei se sentindo-se com a palavra “censores” se com a “estupores”), tendo feito um segundo comentário após resposta minha ao dele e ao do Domingos da Mota, os quais, e sempre, com a intenção de me referir contra o acto censório tomado pela ADMINISTRAÇÃO no seu TODO e nunca a ninguém em particular, respondi dizendo que o meu poema “Sirvam-se!...” - era um recado a uma série de “… recalcados e prepotentes…com mente de merda…” , ao que o senhor Dinis, comenta desta forma e vindo em defesa da senhora Dias e muito ligeiramente da Administração da qual tinha feito parte:

“Prezado Roseira, aqui nesta casa não existe censura, nem a administração anterior, na pessoa de Goreti Dias, teve atitudes censórias ou coisa semelhante.
Haja vergonha na cara, para que o insulto e a calúnia à Goreti Dias - como administradora cessante, termine de vez. Porque sem fundamento e sem qualquer razão válida!

Assunto encerrado!”

______________________________________________

Do que eu mais gostei, foi do ditatorial “Assunto encerrado!”.

Se da minha parte, como já referi, iria dar o assunto por encerrado, ao receber o e-mail (particular) da senhora Dias, o qual transcrevo, porque sou Senhor de publicar toda a correspondência que me é dirigida, assim como quem não deve não teme, apenas lamentando que a senhora Dias, não tivesse tido coragem de me responder publicamente no “escritArtes”, da mesma forma e com as mesmas letras, como o fez para o meu e-mail particular. Deliciem-se que eu não comento e teor do mesmo:


---------- Forwarded message ----------
From: MG Dias
Date: 2009/6/23
Subject: escritartes
To: Eduardo Roseira

Se o púdica era piada para mim, vá chamar púdica a quem sabe... E saiba que merda é o que há na sua cabeça. Páre de insultar quem o recebeu bem naquela casa. E deixe-se de covardias. Conhece-me pessoalmente, venha dizer-mo na cara. Não se esconda que eu quando o encontrar pessoalmente lhe direi o que penso de si. Só não comentei o seu texto porque tenho o direito de não ter vontade de comentar merda.
Passe bem e não se esqueça que eu não sou a administradora. Sou a Goreti que um dia conheceu e com quem conviveu. E pediu que o convidassem para aqui. Você é como os cães que mordem em quem lhes estende a mão para lhes dar de comer. Páre para pensar e porte-se como um homem.
________________________________

CONCLUSÃO

Estranhamente, ou talvez não, o senhor Dinis, dá uma de “advogado” da senhora Dias, até parecendo que nunca houve Administração.
Por outro lado, fala de insulto e calúnia à referida senhora, mas que eu saiba, nunca “insultei” a referida senhora e se tive palavras mais duras foram, repito, contra a ADMINISTRAÇÃO no seu TODO.

Quanto ao facto de não ter existido “censura/atitudes censórias”, porque motivo não teve o senhor Dinis, o mesmo tipo de comentário, noutros poemas e comentários?
É caso para dizer que o senhor Dinis e a senhora Dias, devem sofrer dum mal que é conhecido por: “estrabismo conveniente”, tal a dualidade de critérios, aliás a senhora Dias, tem outro mal, que é o de confundir a liberdade de expressão e opinião, com a subserviência.

Quanto ao e-mail da senhora Dias, eu disse que não o comentava, pois ele fala por si.

Ainda relativamente ao meu poema “Sirvam-se!...”, quando o dedico (a alguns censores e outros estupores), fi-lo a pensar em TODOS os que praticam ou mandam praticar actos censórios, que os apoiam, mesmo que em silêncio. Além disso, não quis só referir ao “escritArtes” mas a todos os mais diversificados espaços em geral, onde se praticam tais más “artes”.


Logo após ter colocado este meu esclarecimento aqui no “ecos do meu pátio”, que está sempre aberto a TODOS, vou despedir-me do site “escritArtes” endereçando os interessados a visitarem este blog, para verem quem é quem no meio disto tudo.

Acresce ainda referir, que no que me diz respeito, não me importo que me chamem de estupor, desde que a tal me obriguem a ser, assumo-o e mais nada. Contudo sentir-me-ia, insultado se me chamassem de censor! Mas se me chamassem de “censor/filho da puta”, aí considerava-me gravemente insultado.

Mas pelos vistos há pessoas que se sentem insultadas quando as apelidam de censores; estupores, recalcados, e prepotentes com mente de merda e de Administração pudica, como eu os tratei e não me arrependo, contudo nem sequer se sentem beliscadas quando as tratam, mesmo que num brilhante jogo de palavras, de “censor/filho da puta”.

NOTA FINAL:

Não preciso de me intitular como defensor desta ou daquela causa, nem dizer que sofri esta ou aquela opressão, antes e até depois do 25 de Abril de 1974, mas ao longo da minha vida sempre me habituei a sofrer/pagar pelo facto de ser SOLIDÁRIO,e NUNCA me arrependi, daí que não me causa estranheza nenhuma as atitudes de alguns….

Termino citando Miguel Torga:

“Os poetas são como os faróis: dão chicotadas de luz à escuridão.”

… neste caso permitam-me, e Torga que me perdoe, ao acrescentar:

… lá pelos “e(u)scritArtes” existem uns quantos iluminados cuja visão anda ofuscada pelo brilho que não tem…

Eu cá pela minha parte (e seguindo a dica do Mestre Júlio Saraiva, poeta e Amigo lá do Brasil), cito outro Poeta brasileiro, Thiago de Mello, no titulo de um dos seus livros:

“Faz escuro, mas eu canto”

Um abraço fraterno e solidário.


eduardo roseira



quinta-feira, 14 de maio de 2009

Oração

















Oremos

como Patxi Andion nos ensinou:


Pai Povo que estás na Terra

Elevados sejam os teus homens

Traguemos o teu reino

E seja feita a tua vontade

Assim na terra como no mar

O pão-nosso de cada dia

Seja ganho hoje

E perdoa-nos por termos nascido

Não permitas que perdoemos os nossos medos

E faz-nos cair na tentação da Liberdade

E livra-nos do mal da Solidão

Amen



(tradução livre de minha autoria das palavras ditas/cantadas por Patxi Andion no trecho musical Padre Pueblo)


Imagem: pintura da p. 156 do meu diário

quinta-feira, 7 de maio de 2009

do sono

sono, muito sono
quantas horas? despertas
as madrugadas que não voltam
nem as asas de um qualquer desespero
teus nervos a sofrer um ataque
dissimulado
esperas, aguardas, submetes-te ao odor do frio



já tens medo da noite?
ao redor das colinas, nas sebes
o Outono sobe, rebelde
assistes ao parto do silêncio:
sei, algo morreu primeiro
do teu gemido já só sabes o gesto!



do sono perdeste a memória
o ranho do sonho explode longe
donde não podes ouvir sequer a sombra
arromba
os trajes com que vestes o mundo que não existe
escava
fundo, finda, funda alma
cansa
cala
teu silêncio



não ouves
um bater de folhas
a bofetada do vento
a rábula do tempo
incerto devoras
as horas
vislumbras as raízes da madrugada
sei, algo nasceu ao mesmo tempo
que a morte do sono
teu



estranha fome a tua
tens a vaga
porque desejas o mar?



luís nogueira
7 de Maio de 2009

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O TIJOLO


















A

Vinícius de Moraes


anda um homem

feito besta

a dar cabo do coirão.

tijolo em cima

de tijolo

constrói mais em prédio

para o patrão.

enquanto o operário

se alimenta

com barro e pó.

o patrão usurário

enche o bucho

a lagosta e pão-de-ló.

dizer sim

a tudo o que

quer o patrão

é sua sina.

sem nunca

poder dizer não

aos que lhe

negam o pão.

e tijolo

após tijolo,

o operário prossegue

a sua construção.

lutando por

permanecer de pé,

pegando a vida

pelos cornos.

até que pelas costas,

um tiro lhe dão.

e porque deixa,

de tijolos fazer,

oferecem-lhe

como prémio

um espaço

entre meia dúzia

de tábuas.

dão-lhe enfim

descanso!

deixa de ser

escravo,

porque hirto,

gélido

e sem qualquer

préstimo

para tijolos fazer.

agora,

resta-lhe aguardar

pelo patrão

numa terra onde,

(porque iguais são)

lado a lado

ficarão eternamente

a fazer…tijolo.

eduardo roseira

1/Maio/ 2001

VNGaia



sábado, 25 de abril de 2009

Ecos do meu Pátio: 25 DE ABRIL SEMPRE, FASCISMO NUNCA MAIS

Ecos do meu Pátio: 25 DE ABRIL SEMPRE, FASCISMO NUNCA MAIS

25 DE ABRIL SEMPRE, FASCISMO NUNCA MAIS

O autor do texto em actuação
(imagem de Júlia Meireles)

Olha Portugal, estas palavras de ordem vão ouvir-se de novo dentro de algumas horas, um pouco por todo o teu território. A voz do Zeca – sempre presente –, irá recordar-te que “Grândola Vila Morena”, mais do que uma canção foi o sonho feito realidade, onde na “Terra da fraternidade o Povo é quem mais ordena, dentro de ti, ó cidade”. Mas isto foi há 35 anos, já foi há 35 anos… Ainda não tinha passado muito tempo – cerca de dois anos, apenas –, e já um amigo do outro lado do mar – o Chico Buarque, lembras-te? – te escrevia, dizendo: “ Foi bonita a festa, pá, fiquei contente, ainda guardo renitente um velho cravo para mim”. E avisou-te, “ Já murcharam tua festa, pá, mas certamente, esqueceram uma semente nalgum canto de jardim.” Eu acredito que sim, eu quero acreditar que sim, que nalgum cantinho teu, resistente a tanta agressão do betão armado, a tanto fogo posto e outras irracionalidades criminosas, surgirá uma flor nova para te dignificar… Mas porquê tanto tempo para germinar? 35 anos não chegam? Terás de esperar que passem 48 outra vez, para levantares a cabeça e gritares “ Aqui estou de novo e orgulho-me de quem sou?”

Eu sei que não é fácil entenderes esta espécie de esquizofrenia que te atormenta os dias. Ora alegre, ora triste. Seduziram-te com cantos de sereia e, tu que não resistes a uma bela melodia deixaste-te embarcar no conto do vigário. Até te convenceram que o 25 de Novembro era para defender as liberdades do 25 de Abril, como se a luz da primavera precisa-se do nevoeiro do Outono para ser mais clara. Como é possível tanta distracção? Depois, disseram-te que ias ser europeu e tu acreditaste… Mas que porra tinhas sido tu até então?

Sabes Portugal, eu sei que não é fácil lidar com tanta confusão… Uma parte de ti a celebrar Abril pensando em Novembro, oficial, formal, hipocritamente com cravos na lapela a assistir a desfiles militares, com os seus discursos para surdos, as suas condecorações, as suas riquezas e corrupções, as suas amantes finas e suas televisões, as suas mordomias, manias e tias, e primos, e tios, e secretários, e directores, e banqueiros, e gestores, e ministros, e, e, e…

A outra parte, a das pessoas reais, a gente que vive e sofre, a que aspira depois de 35 anos que se cumpra Abril, a que recorda os três “Ds” do movimento que naquela madrugada saiu à rua trocando as balas pelos cravos oferecidos pelas mulheres de Lisboa, o Capitão Salgueiro Maia e tantos outros que disseram “Nós não queremos o Poder, mas com o Povo exigimos descolonizar, democratizar, desenvolver”. Descolonizou-se e, não se nega que desenvolvimento, tem havido. E a democracia onde anda? Que me dizes Portugal? Consideras-te democrático com os teus 2 milhões de pobres? Consideras-te democrático com a grande maioria da tua população a mal - viver com salários de Miséria? Consideras-te democrático com as centenas de milhares de crianças que não comem quando as escolas estão fechadas? Consideras-te democrático com centenas de milhar de idosos no ocaso da vida sem saberem se amanhã têm pão para meter na boca? Consideras-te democrático desinvestindo na saúde e na educação para enterrares o dinheiro em estádios de futebol? Consideras-te democrático com as tuas prisões cheias de Pobres enquanto os banqueiros corruptos, os políticos corruptos, os gestores corruptos, os empresários ricos corruptos e tantos outros criminosos de colarinho branco se passeiam impávidos e serenos pelas artérias das tuas cidades? Consideras-te democrático sabendo-te o país da Europa com mais desigualdades?
Não Portugal, a democracia de Abril não tem nada a ver com isto. Só assim se entende que dentro de umas horas o teu mais alto representante oficial – o Presidente da República - , vá condecorar e promover a Major General um dos militares reconhecidamente inimigos da Revolução – o Coronel Jaime Neves, mesmo contra o parecer do Movimento 25 de Abril, que considera que “Ao comemorarem o 35º aniversário do 25 de Abril com um acto desta natureza, os detentores do poder, sejam os membros dos órgãos de soberania, sejam os chefes militares, não se mostraram dignos dos cargos que ocupam.”

Mas Portugal, tu sabes também que dentro de umas horas os teatros estarão cheios, as avenidas, as ruas e as praças estarão cheias, as associações cívicas e culturais estarão cheias de Povo, para recordar, para recuperar e para celebrar Abril em festa, mas também em luta, com o que tens de melhor: os teus poetas, os teus músicos, os teus artistas e toda esta gente que te trata por tu, porque te quer.

25 de Abril, sempre.

Fernando Fernandes


(Nota: Esta carta foi enviada pelo meu bom amigo e companheiro de imensas cumplicidades, ao fim da tarde de 24 de Abril, não resisti a dizer-lhe: eu assino por baixo! - eduardo roseira)

O DIA PRIMEIRO

A Fernando Peixoto




foi a 25,
o dia primeiro.
um cravo
flor de esperança,
anunciou a primavera,
nas mãos de um capitão
chamado abril.

foi a 25,
o dia primeiro.
soltavam-se as grilhetas
duma aprisionada nação,
que sofria mil agonias.
a liberdade tocou as trombetas.
ouviu-se uma grândola/canção.
abriu-se a porta a novos dias.

foi a 25,
o dia primeiro.
o medo para bem longe fugiu,
as vozes vieram às janelas
e bem alto
em uníssono gritaram:
- liberdade!
- liberdade!

hoje,
trago dentro de mim
um velho cravo
que guardei desde
esse que
foi a 25,
o dia primeiro.

eduardo roseira

quinta-feira, 23 de abril de 2009

POEMA POVO

“Ser poeta é escolher as palavras que o povo merece!”

J. C. Ary dos Santos



ser palavra
na pena
do poeta

ser escolha
do poema
sempre novo

ser voz
que nunca
emudece

dar ao povo
as palavras
que merece.



eduardo roseira

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O QUILÓMETRO DO MEDO

Foto: Carlos Matos Cunha

os homens
não se medem
aos palmos…
dizem!

e o medo…
quanto mede
o medo?
alguém o saberá dizer?

os que me podiam dizer,
já não os oiço mais.
o sousa
o nico
o nando
e outros mais
que por lá
perderem a juventude
e o ser
no meio da mata
e da luta

foi no 17 -
o quilómetro do medo
na curva da morte
naquela picada
filha da puta.


eduardo roseira
VNGaia
16/Abril/09

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Poema dedicado ao Domingos da Mota

Ao Domingos da Mota


do poema
a construção
da palavra
a melodia
da frase
o suor
do todo
a filosofia

no labor
a rima cantada
a imagem (de)cantada
do suor do poema

a imagem
torna ave a palavra
que esvoaça
sobre o poema
na construção
da paisagem papel
onde a palavra sol(idário)
ilumina
a obra


eduardo roseira
VNGaia
13/Abril/09

domingo, 12 de abril de 2009

Albano Martins na Biblioteca Municipal de Gaia no Dia Mundial da Poesia - 2009

O animador da palavra eduardo roseira entrega
ao poeta Albano Martins (ao centro), uma folha A4, com um
poema deste impresso e um borrão azul pintado, depois de o ter lido.
O Convidado estava ladeado pelo poeta gaiense Fernando Morais e pela
Directora da Biblioteca Municipal de Gaia, Dr.ª Cristina Margaride.


Albano Martins foi o poeta convidado da Tertúlia da Biblioteca Municipal de Gaia, comemorativa do Dia Mundial da Poesia, em 21 de Março de 2009, ontem (11/Abril/2009) recebi em minha casa os artistas e poetas Júlia Meireles e Luís Nogueira, para mais uma agradável noite de convívio, a dado passo o Luís foi para o computador e escreveu....:

Uma Sessão de Poesia

Daqui vêem-se as margens do rio dispersando saliva nos rumores da Ribeira e do Cais, trocando luzes entre os lados opostos, prateando as águas supostamente d’ouro; daqui é aquela ponte arqueada por onde circula vida, dum lado para o outro, dos centros para os lados; daqui ouvem-se viaturas sonolentas, buzinas silenciosas quanto baste; daqui absorve-se o espaço, entre duas goladas de cerveja gelada, um naco de bolo, dois espasmos de fumo pigarreado. É uma daquelas noites iguais a tantas outras e por isso mesmo, daquelas que não se perdem; nesta doce calmaria recorda-se.
A memória lembra-se do Dia Mundial da Poesia – ainda se juntam as pessoas por causa disso!- que por acaso foi uma noite na Biblioteca Municipal de Vila Nova de Gaia. De memória sabemos que após entrarmos, à esquerda em frente à direita, sala 6: filas de cadeiras com gente, flores e telas pintadas de alguns dos presentes, uma mesa para receber com honra um grande poeta, Albano Martins. Escolha apropriada pela inquestionável grandeza da figura poética radicada em Gaia.
Ouvimos o poeta falar da poesia, de toda e da sua. Não cansou, aprendemos. Depois, as justas homenagens ao ilustre escritor tradutor poeta professor, lidas poesias e poemas, um violino. Quem fazia de árbitro disse: -Intervalo!
Já sabeis o caminho, regresso à entrada para um Porto de honra, de amena cavaqueira, reconhecimentos – ao tempo que certas pessoas não se reencontravam! - vai um biscoito, um sumo, um cálice, que vais ler a seguir? Sei lá!
À esquerda em frente à direita, sala 6: segunda parte, cantemos, recitemos, levantam-se uns, escondem-se outros, uns falam muito alto, outros muito baixo, alguns…não falam; acontece. Palmas, esperamos que para a poesia, sorrisos, surpresas, todas as sessões de poesia são assim; poucas ficam verdadeiramente na alma, muitas se perdem na prosa. Esta de que nos recordamos entre dois goles de cerveja apaixonados pelas margens do rio escorre suavemente, teima em resistir: é a homenagem que Albano Martins merece.
Haverá quem se tenha contentado com um abraço do poeta; existem ainda os que abraçaram a poesia do ilustre convidado. Esses, apenas esses, estiveram verdadeiramente lá e por isso mesmo conseguirão compreender esta ponte este rio estas margens que se avistam…daqui.

Luís Nogueira

Dia Mundial da Poesia - 2009 - Biblioteca Municipal de Gaia

Na foto o animador da palavra, eduardo roseira a dizer o seguinte poema de Albano Martins:


Borrão azul
na brancura da página:
o poema.

In:"Com as Flores no Sagueiro", 1995

Foto de Júlia Meireles

sábado, 11 de abril de 2009

Poema de João de Melo



SINAIS DOS TEMPOS

Uma pressa com duas vendas nos olhos
Duas mãos fantasmáticas perdidas no ar
Uma infiltração de água na coluna
Um riso estúpido bloqueando as narinas
Um pêndulo amnésico entre as pernas


João de Melo (Angola)
In: “Auto-retrato”

(desenho de: eduardo roseira)

segunda-feira, 6 de abril de 2009

DIA NACIONAL DOS MOINHOS - 7 de Abril


“Partiram-me os búzios, deixei de cantar.
Tiraram-me os vitrais, deixei de ver.
Rasgaram-me as velas, deixei de andar.
Tiraram-me as forças, deixei de moer!”


(Quadra escrita num moinho em Porto de Mós)
Foto de: Eduardo Roseira (Pai)

domingo, 5 de abril de 2009

UM POEMA DE JULIO SARAIVA



















BREVE RAIO X DO POETA

para Domingos da Mota e Eduardo Roseira, numa roda d'amigos - consagro






o poeta não é o samba
o poeta não é o fado
o poeta não é a zoeira
o poeta não é o enfado
o poeta não é a verdade
o poeta é foda
o poeta é fato
pé de sapato esquecido
resto de dicionário
palavra fora de uso
o poeta não faz seu destino
e nem fará a revolução
o poeta é um filho da puta
o poeta é um serviçal
o poeta é uma sentinela
o poeta não é porra nenhuma
o poeta é um sacripanta
violador de meninas
tocador de violoncelo numa
sexta-feira de chumbo qualquer
o poeta é a puta que me pariu
por detrás dos muros da morte
o poeta não é bravo e nem forte
nem um mar de velas pandas
o poeta não é bandeira
o poeta não é pessoa
é só sujeitinho à toa
que cai no meio da rua
o poeta é um viado
pecado capital da palavra
é um animal sem sorriso
o poeta é o funcionário público
que diz pois-não-obrigado
o poeta subverte à ordem
o poeta cospe no chão
o poeta caga na rússia
e declara amor ao japão
o poeta adivinha a lua
o poeta vai ao comício
o poeta foge do hospício
o poeta é bicho de circo
o poeta morre de enfarto
aos pés da primeira mulher
sem que o jornal se apoquente
o poeta...
de uma vez por todas
sejamos sinceros
: o poeta ontem ia bem - obrigado




Júlio Saraiva (Brasil)
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