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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Fernando Peixoto - 4 anos de saudade...

Onde estarás?

por ‎Maria Helena Peixoto‎ a ‎‎Quarta-feira, 3 de Outubro de 2012‎ às ‎3:17‎ ·‎
Sabes Pai,
A solidão é uma noite longa e escura...
E a tua ausência,
O calor e o brilho dos teus olhos,
São quebranto gelado...
Pergunto onde estarás...
E antes que respondas
Já a tua voz,
Quente carinhosa e forte,
Na minha mente se acendeu...
E escuto-te...
Sob a forma de poema,
Vejo-te nas tábuas do palco da Vida,
Ou no calor do raio de Sol...
Descubro-te entre as gotas de chuva...
Ou no cheiro intenso da terra molhada...
E eis que a resposta surge...
Doce pergunta feita saudade...
Onde estarás, Pai?
Estás em mim!
03.10.2012
HELENA PEIXOTO

terça-feira, 11 de setembro de 2012

A VISITA DA SAUDADE...



Aos meus Pais, Maria Helena e Eduardo Roseira

 

um dia, sem bater à porta, aconteceu a visita da saudade…

a casa ficou com mãos de nada…

as paredes, vestiram-se de nudez…

o ranger da porta deixou de cantar…

de tristeza, as molduras, ficaram vazias…

as cortinas, outrora bordeaux, viraram cor da palidez…

o gato, esse, deixou de connosco falar…

as paredes, nuas…frias…

os móveis prontos a partir…

o silêncio das noites, invadiu os dias nesta casa solidão…

por detrás dos armários, as teias, agora são rugas…

o que antes falava da história da casa, é agora velha tralha…

as prateleiras, plenas de cultura, estão ocas…nuas…

o tapete, primeira serventia da casa, já só atrapalha…

num canto, esquecida, uma jarra de rosas murchas, solta um lamento…

do velho relógio, ainda na parede, o cuco já não sorri…

é a invasão da tristeza em lume brando e tempo lento…

o piano, agora desafinado, em desafio toca um dó, em lugar dum si…

a ferrugenta gaiola de vazia, emudeceu…

num constante martelar a saudade, apenas o “ping…pang…ping…pang…”

da torneira do lavatório, como que reclamando o seu eterno adiado arranjar…

perdido neste silêncio,  ecoa um fado saudade, tocado no avariado gira-discos …

colado na parede do escritório, o amarelecido mapa…da geografia da vida,

já não nos seduz para qualquer destino…

a carunchosa credência, junto à entrada, aguarda a chegada do lixeiro,

e ironicamente, na sua gaveta conserva uma velha cautela que a vida não premiou…

 

...eis a história do dia em que dentro da casa a saudade se instalou…

 

Eduardo Roseira

 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

RIO DA MINHA SAUDADE...

 
Foto tirada às 17 HORAS num dia de Agosto de 2012
 
 
olhando as imagens
deste meu rio douro,
o meu coração chora
saudosamente
"...a sua beleza a qualquer hora..."
vejo e sinto:
"...os ocres e amarelos
que se esbatem na névoa...
o branco e a história que se beijam..."
imagens do rio
das gentes
da cidade
lembranças
"...das cores, dos cheiros...
...das neblinas..."
deste
"...rio da minha saudade!..."
 
eduardo roseira
(Escrito em 27 de Agosto de 2012, com base nas frases,
que estão "entre aspas", que são da autoria de Marta Cordeiro,
em comentários às minhas fotos, postadas no Facebook)
 
 
Foto tirada às 07 HORAS num dia de Agosto de 2012

 
 
 


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Festas da Sr.ª do Amparo - 2012


lágrimas fogo
pendem em cachos d'ouro
das faces negras do céu.
nuvens de fumo
escondem o rubro-verde
de cintinlantes cordões
que se abraçam
ao brilho anil
que vem beijar
docemente as águas
calmas do tua.
olhares mil
mil olhares
agradecem sem reparo
as bençãos
da nossa senhora do amparo.

eduardo roseira
5/Agosto/2012
Mirandela


Fotografia de: Maria José Roseira

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O Carnaval da Estupidez


Só a indumentária mudaram os algozes.
Insolente dicurso sobe ao púlpito
para democratizar o medo onde festejam
as incongruências desde tempo incelebrável.

Pátria ainda chamamos em comum a este lugar
onde acoitamos as ind´zíveis ânsias dos eleitos.
Desengravatados para o carnaval da estupidez
os néscios não cabem na tribuna do riso insufragado.

Nelson Saúte (Moçambique)
In: "A Viagem Profana"


Imagem: Google.com

terça-feira, 3 de abril de 2012

ESCREVO-ME


…na dor do meu sorriso
levo a vida a cantar
…no sofrer do meu sorrir
engano a dor
do sentir
o gosto amargo do sorriso

e em cada nova dor
descubro um novo sorriso
porque conservo em mim
uma alma cheia de sorrisos
e sorrindo
escrevo-me
escrevendo

eduardo roseira

domingo, 25 de março de 2012

frente a frente... - um poema do real escrito no Dia Mundial da Poesia


frente a frente
tu de Ipad na mão
lês um e-book.
eu, folheio um livro.

tecnologicamente
sorris para mim.
eu, faço de conta
que não sinto o teu olhar
e viro mais uma página
do livro que me deixa
na mão rastos de tinta.
tu, sorris orgulhoso
exibes o Ipad, com pinta
que tem o tal e-book.
estás no virtual.
o meu livro tem gralhas,
defeito de ser tão real.
além disso o meu livro
não tem truques
e está isento de vírus
e cooquies…
tu continuas de Ipad na mão,
todo prazenteiro.
eu, página a página
disfruto o livro
e feliz sinto
o seu cheiro!

eduardo roseira
VNGaia
21-3-12
Dia Mundial da Poesia
(História verdadeira de um frente a frente, 
entre um livro e um Ipad, durante uma 
viagem de metro.)

quarta-feira, 21 de março de 2012

"O Poema Pode Ser", de Aristides Silva, no DIA MUNDIAL DA POESIA












Aristides Silva a dizer poesia na Biblioteca Municipal de Gaia


Antes de mais, o poema
é sentido e pensado
e só depois é escrito.
Pode ser lido ou dito,
cantado e até musicado.
Mas, muito mais do que isto,
o poema deve ser
divulgado e vivido!
Não só por quem o sentiu
mas também por quem o disse,
cantou, leu,
ou apenas o escreveu.
O poema, para o ser,
deve mudar, transformar
em ser o que é parecer!
Não necessita rimar.
O poema pode ser
um triste fado ou canção.
Hino ou balada.
Tudo ou nada.
Pode ser soneto ou quadra,
com refrão, sem estribilho.
O poema, após nascer,
é para o poeta um filho
que, embora escrito à mão,
saiu do seu coração!

Façamos versos, pois então!...

Aristides Silva


Imagem de: José Mário Roseira

quinta-feira, 15 de março de 2012

NO RITMO DAS PALAVRAS


À Fernanda Cardoso


entrar no ritmo das palavras
e sequiosamente
absorvê-las.

ouvir atentamente
o cantar
sílaba a sílaba
dos versos que dizes.

entrar no ritmo das palavras
quando em tom ternura
falas amor
e em voz tremura
dizes horror.

perceber em tudo,
até no silêncio
das tuas deixas
a mensagem
que da tua voz
emana….

e permanecer
no ritmo das palavras…

Eduardo Roseira
Porto
15 de Março de 2012

Imagem: retirada com a devida vénia de:  http://poesianagaleria.blogspot.com