terça-feira, 23 de novembro de 2010
HIENAS, ABUTRES E CHACAIS...em jeito de apelo à Greve Geral
ci-cli-ca-men-te
hienas chacais
chacais hienas
a disputa
é por demais
com os abutres
ali ao lado…
e portugal?
portugal…
sempre adiado!
ci-cli-ca-men-te
portugal
desespera
roga
olhando o céu
e o que vê?
um bando de abutres
à espera!...
ci-cli-ca-men-te
entre hienas
abutres
e chacais…
portugal assim…
…nunca mais…
…nunca mais…
da cepa torta sais.
eduardo roseira
23/Nov/2010
(às portas duma Greve Geral)
Imagem: Sapo/imagens - Portinari, "A Greve"
Etiquetas:
Greve Geral; Portugal; Portinari; apelo
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
UMA QUESTÃO DE MEDIDAS
Já lá vão cerca de vinte e cinco anos a esta parte, que por uma questão de medidas deixei de fumar. Não medidas colocadas por questões de saúde e muito menos medidas impostas por qualquer lei ou norma governamental. Foram apenas medidas. Mas adiante.
Não vou, nas linhas que se seguem, deixar avisos contra os malefícios que advém do prazer do acto de fumar, mas sim por estar totalmente contra a campanha anti-tabaco, que obriga os fabricantes a colocar alertas garrafais nos maços de cigarros. Penso que não terá sido esta a melhor forma de combater um produto que fazendo mal à saúde, enche os cofres das finanças, a bom encher. Entendo que não há nada como aumentar o preço do tabaco, desde que a maior parte do dinheiro seja dirigida para o IPO – Instituto Português de Oncologia e não para as Finanças.
Quanto a mim, continuo a achar que a referida campanha é ridícula e por assim a entender, venho propor a quem de direito alguns possíveis slogans, para serem utilizados não nos maços de tabaco, mas sim noutros espaços.
Por exemplo, nos acessos à IP-5 e IP-4 poderiam colocar o seguinte aviso: “Este itinerário prejudica gravemente os seus utentes”; outro poderia dizer, “Atenção, este bairro tem produtos prejudiciais à sua saúde”; ou então “Este lugar de estacionamento, apesar de pago, é um risco para a pintura do seu automóvel”, e já este outro “As SCUT’s são prejudiciais às estradas secundárias.” etc..
Mas que a campanha é ridícula, lá isso é, muito especialmente quando é sabido que existem equipas ligadas ao sector do Ministério da Saúde e outros, que estão a fazer um estudo, em fase já avançada, para, e como forma de combater o consumo de estupefacientes/drogas, se legalize o consumo da cannabis.
Quanto à medida que me levou, ao fim de vinte e cinco anos, a deixar de fumar, foi apenas a de um certo dia, a força de vontade ter batido à minha porta, quando orgulhosamente olhei para o cigarro que tinha entre os dedos, medi-o de alto a baixo e disse-lhe: “Anda esta coisinha de sete centímetros a dominar-me a mim que tenho mais de metro e meio! Isso é que era bom!”
Nunca mais voltei a fumar, e embora me sinta bem no aspecto de saúde, garanto-vos que após uma boa refeição, ainda sinto saudade do prazer de fumar, mas lá tenho resistido às poucas vezes que a tal sou tentado, talvez porque nessas alturas me lembro que afinal…
…é tudo uma questão de medidas....
Eduardo Roseira
terça-feira, 2 de novembro de 2010
CARLOS PINTO in memoriam - A Voz que nos deu Voz...
Foi a incinerar hoje dia 2 de Novembro de 2010 o Camarada/Amigo dos poetas e declamadores de Portugal e proprietário do “Púcaros Bar” CARLOS PINTO.
Homem solidário, de causas e de nobres ideais, o Carlos foi: A Voz Que Nos Deu Voz!
Muitas palavras haveria para dizer dele, mas mais que tudo talvez seja “in memoriam”,
repassar com a devida vénia a sua última entrevista no artigo publicado no semanário “O Sol” - 31 de Outubro, 2010 - Por João Pedro Barros (texto) e Ricardo Castelo (fotografias)
A tertúlia de poesia ininterrupta mais antiga do país
Às 0h15, toca a sineta. «Fechou a cloaca», grita Carlos Pinto, proprietário do Púcaros, situado nas arcadas de Miragaia, em frente à Alfândega do Porto. É sempre assim que começam as noites de poesia, todas as quartas-feiras (muitas vezes, só têm início na madrugada de quinta).
O que se segue, pela noite dentro, é um desfilar de versos mais ou menos conhecidos, ditos por gente mais ou menos inspirada. A única regra é a liberdade total, a raiar a anarquia: não há tema, não há ordem definida, não há hora para acabar.
Os conflitos entre vários participantes desta tertúlia são recorrentes, mas as querelas dificilmente causam mossa. Quando é preciso, Carlos Pinto põe ordem na casa, mas sempre de forma bem humorada. «Digo tudo porque ouço tudo», explica. Há dois ou três palavrões lançados para o ar e a poesia continua.
Um dos habitués é Anthero Monteiro, que já tem várias obras de poesia publicadas. Numa mala, traz uns «cinco quilos de livros» e mais uma pasta cheia de poemas impressos. «O que faz rir é geralmente o que funciona melhor. No entanto, o poema mais dito aqui - e, provavelmente, em qualquer tertúlia poética portuguesa - deve ser o Cântico Negro, de José Régio», observa.
Quem também tem obra publicada é António Pedro Ribeiro, que apresentou no próprio Púcaros, em Maio, uma candidatura independente à presidência da República. «Quero fazer passar uma mensagem anti-mercado, contra o utilitarismo e a transformação de tudo e de todos em mercadorias», afirma. Esta incursão política não é inesperada: em 2006, o poeta escreveu Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro, uma provocação a desafiar o líder do Governo.
As noites de poesia do Púcaros cumprem 14 anos em Novembro e Carlos Pinto orgulha-se de ser o responsável pela «tertúlia poética ininterrupta mais antiga do país». A ideia inicial era «fazer uma noite dedicada aos dizeres populares, mas essa malta não é acessível», relembra.
Por isso, alargou-se o conceito à poesia e, desde então, todas as quartas-feiras, o ritual é sagrado: «Mesmo quando isto fica alagado, cumpre-se a tradição. Vamos ali para o cimo da rampa, recitamos dois ou três poemas e dizemos que nem as cheias nos hão-de calar». Numa sessão comum, a leitura é feita no meio das arcadas que dividem o bar - imaginamos que o espaço tenha sido em tempos idos um armazém de pipas de vinho do Porto. A bebida oficial é a sangria, servida nos púcaros que dão o nome à casa. Quem pedir uma bebida não alcoólica arrisca-se a ouvir uma boca do proprietário.
Muitos participantes lêem poemas de sua autoria e destas noites já resultou a colectânea Um Púcaro de Poesia, da editora Corpos. Mas esta é uma tertúlia de amadores e apaixonados pelas palavras: quem vem apenas ouvir poesia é bem-vindo, quem vem ler pela primeira vez é bem recebido.
As picardias estão reservadas aos veteranos: na noite a que assistimos criticou-se o mau gosto de deixar um poema a meio e a incapacidade dos presentes para «ir até Saturno» através da poesia. As palavras foram azedas , mas na semana seguinte estavam lá todos, amigos como dantes.
Homem solidário, de causas e de nobres ideais, o Carlos foi: A Voz Que Nos Deu Voz!
Muitas palavras haveria para dizer dele, mas mais que tudo talvez seja “in memoriam”,
repassar com a devida vénia a sua última entrevista no artigo publicado no semanário “O Sol” - 31 de Outubro, 2010 - Por João Pedro Barros (texto) e Ricardo Castelo (fotografias)
A tertúlia de poesia ininterrupta mais antiga do país
Às 0h15, toca a sineta. «Fechou a cloaca», grita Carlos Pinto, proprietário do Púcaros, situado nas arcadas de Miragaia, em frente à Alfândega do Porto. É sempre assim que começam as noites de poesia, todas as quartas-feiras (muitas vezes, só têm início na madrugada de quinta).
O que se segue, pela noite dentro, é um desfilar de versos mais ou menos conhecidos, ditos por gente mais ou menos inspirada. A única regra é a liberdade total, a raiar a anarquia: não há tema, não há ordem definida, não há hora para acabar.
Os conflitos entre vários participantes desta tertúlia são recorrentes, mas as querelas dificilmente causam mossa. Quando é preciso, Carlos Pinto põe ordem na casa, mas sempre de forma bem humorada. «Digo tudo porque ouço tudo», explica. Há dois ou três palavrões lançados para o ar e a poesia continua.
Um dos habitués é Anthero Monteiro, que já tem várias obras de poesia publicadas. Numa mala, traz uns «cinco quilos de livros» e mais uma pasta cheia de poemas impressos. «O que faz rir é geralmente o que funciona melhor. No entanto, o poema mais dito aqui - e, provavelmente, em qualquer tertúlia poética portuguesa - deve ser o Cântico Negro, de José Régio», observa.
Quem também tem obra publicada é António Pedro Ribeiro, que apresentou no próprio Púcaros, em Maio, uma candidatura independente à presidência da República. «Quero fazer passar uma mensagem anti-mercado, contra o utilitarismo e a transformação de tudo e de todos em mercadorias», afirma. Esta incursão política não é inesperada: em 2006, o poeta escreveu Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro, uma provocação a desafiar o líder do Governo.
As noites de poesia do Púcaros cumprem 14 anos em Novembro e Carlos Pinto orgulha-se de ser o responsável pela «tertúlia poética ininterrupta mais antiga do país». A ideia inicial era «fazer uma noite dedicada aos dizeres populares, mas essa malta não é acessível», relembra.
Por isso, alargou-se o conceito à poesia e, desde então, todas as quartas-feiras, o ritual é sagrado: «Mesmo quando isto fica alagado, cumpre-se a tradição. Vamos ali para o cimo da rampa, recitamos dois ou três poemas e dizemos que nem as cheias nos hão-de calar». Numa sessão comum, a leitura é feita no meio das arcadas que dividem o bar - imaginamos que o espaço tenha sido em tempos idos um armazém de pipas de vinho do Porto. A bebida oficial é a sangria, servida nos púcaros que dão o nome à casa. Quem pedir uma bebida não alcoólica arrisca-se a ouvir uma boca do proprietário.
Muitos participantes lêem poemas de sua autoria e destas noites já resultou a colectânea Um Púcaro de Poesia, da editora Corpos. Mas esta é uma tertúlia de amadores e apaixonados pelas palavras: quem vem apenas ouvir poesia é bem-vindo, quem vem ler pela primeira vez é bem recebido.
As picardias estão reservadas aos veteranos: na noite a que assistimos criticou-se o mau gosto de deixar um poema a meio e a incapacidade dos presentes para «ir até Saturno» através da poesia. As palavras foram azedas , mas na semana seguinte estavam lá todos, amigos como dantes.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Poema retirado do currupiao.blogspot.com -
terça-feira, 5 de outubro de 2010
UM DIA
ao eduardo roseira, poeta e irmão
"Me dá só um dia
Não mais que um dia
Que eu faço desatar
A minha fantasia...
Só um santo dia..."
-Da canção de Chico
Buarque e Ruy Guerra, para a peça
Calabar Ou O Elogio à Traição, proibida, na
época, pela censura.
o
dia por si é só o dia
e já não pesa em
nossas costas
por ser só o dia
o dia
um dia
basta um
dia
por isso é só um dia
podre como todos os dias
daqui
do outro
lado do atlântico
onde meninas apodrecem de sífilis e aids
os homens
se riem com poucos dentes na boca
e as crianças têm fome e frio
o que
escrever numa cruz de sal?
já não me faz mais gosto
olhar a moça bela
da janela
pra me mim basta um dia
___________
Júlio
Saraiva,
São Paulo, Brasil
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
A República tem 100 anos!...QUE RICA COMEMORAÇÃO
- 1 - O desencanto fez com que baixasse os braços e me ausentasse desta nossa página de desabafo e indignação, mas obrigo-me a voltar para gritar mais uma vez a revolta que me/nos vai na alma e especialmente no bolso. Como era de esperar os donos do País, leia-se Governo/AR, e logo à boleia das medidas destes, o empresariado, voltam a atacar o pobre povo… É o aumento do IVA para 23%, com todos os outros aumentos que este trás por arrasto, a começar pelos bens essenciais e o IRS; o aumento do IMI - Imposto Municipal sobre Imóveis; os cortes nos ordenados da FP, o congelamento das reformas, o aumento dos gastos com a saúde, e voltam à carga com o mais que provável corte no SUBSÍDIO DE NATAL!
- 2 - Entretanto os "pequenos" roubos surgem sem darmos, nem deles nos darem conta, como foi o caso do aumento em nada mais nada menos 25% = a 3 €, que sofreu o Cartão de Cidadão, passando de 12 para 15 euros. Os submarinos já começaram a chegar, o TGV e o Aeroporto continuam a ser obras importantes, para o Governo que não desiste delas. E arranjam CINCO MILHÕES para comprar carros blindados e material tecnológico altamente sofisticado para estrangeiro ver, aquando da próxima cimeira da OTAN/NATO em Lisboa. É um regabofe, pago à custa do Povo que vai ter que pagar ainda mais para poder deslocar-se nas SCUTs para ir trabalhar…
- 3 - O (des)Governo Sócrates para levar o défice de 7,3% para 4,6% necessita de 4,5 mil milhões de euros, ou seja tanto quanto enterrou no BPN e no BPP. Entretanto à boleia destes cortes orçamentais, devido à “crise” de que ninguém é culpado, mas que os donos deste País nos últimos, mais de trinta anos, são os grandes responsáveis, leia-se governos PS+PSD+CDS, que através de sucessivos desgovernos e (combino)coligações, levaram este país à bancarrota, dizia eu, …à boleia das últimas medidas… já levantaram as vozes dos mesmos abutres de sempre, ou seja, as associações patronais, que arrotando a lagosta, se puseram logo a dizer que os cortes nos salários da FP (Função Pública), são válidos para serem aplicados no sector privado por se basearem na mesma Lei/regime jurídico… E já não duvido que os sangue-sugas da banca, mais tempo, menos tempo, ainda se vão pôr a pedir mais uns apoios…
- 4 – E o homem(?) não tem a maioria, imaginem se a tivesse…E apesar de tudo isto, o que me dói mais, é saber que às vezes, entre os que se queixam estão a mais de metade dos eleitores, que não vão votar, quando tem o DEVER de ir às urnas e lá depositarem o seu voto CONTRA, sem votar nesta canalha partidárioportunista, votando BRANCO ou NULO, por serem votos que contam nas percentagens totais, evitando maiorias e assim dizerem do desagrado do Povo.
Nota final : Neste último aspecto, é caso para em nome do Povo a que orgulhosamente pertenço, dizer: “ Mal uns (políticos) nos comem a carne, logo pousam os abutres (privados) para nos roerem os ossos”
– AINDA NÃO ACHAM QUE É TEMPO DE DIZER BASTA?
Coitados de nós, da Democracia e da República…Não ao salve-se quem puder, mostremos a nossa Indignação de forma comum e solidária, em nome do futuro dos nossos filhos e netos.
eduardo roseira
(Escrito em 4 de Outubro de 2010, cem anos após a implantação da República)
Imagem: sapo imagens
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
RIO DOURO
águas do meu nascer
rio do meu pranto
águas do meu olhar
rio do meu viver
águas do meu encanto
rio que me ensinou a nadar!
eduardo roseira
Porto/Metro/Aeroporto
19/Set/2010
Fotografia da autoria de: Maria José Roseira
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Maria José Roseira; rio Douro
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
AO MAR E AO VENTO
deitei ao mar
as cartas de amor
que guardava numa velha caixa.deitei ao vento
todas as fotos (já amarelas),
que se escondiam no fundo
duma esquecida gaveta.
as cartas e as fotos
que ofereci ao mar e ao vento,
gostaram de ser soltas
e ficarem livres…
- deixaram de estar tristes.
eduardo roseira
Imagem: sapo imagens
sábado, 31 de julho de 2010
A ANTÓNIO FEIO
não é de espanto
que mantenho
os meus olhos
bem abertos.
é apenas
um natural reflexo
de todos os meus sentires
que pretendo sempre
bem despertos.
e será sempre assim
até à minha morte.
eu não quero partir
como alguns...desertos...
que morrem como viveram:
- sós, parados
e de olhos fechados!
eduardo roseira
VNGaia
Poema escrito ao fim do dia - 29-Julho-2010
dedico-o a um HOMEM e ARTISTA
que soube ter os seus sentidos sempre bem despertos
Imagem - Felizardo - sapo/imagens
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António Feio; olhos; despertos
terça-feira, 13 de julho de 2010
segunda-feira, 12 de julho de 2010
À SOMBRA DE DEUS!
em tempo de calor/brasa
na frescura/dádiva
da sombra
tento escrever um poema...
...as palavras
concentram-se todas
numa só:
- deus!
Poema e foto de eduardo roseira
Celorico de Basto, 7-Julho-2010
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deus; Celorico de Basto
sábado, 26 de junho de 2010
Palavras Vivas - stand-up Poetry em Lourosa
Imagens da presença do espectáculo Palavras Vivas - stand-up Poetry, de eduardo roseira + Ana Maria Roseira, no dia 25 de Junho de 2010 na Casa da Cultura de Lourosa, integrado na acção cultural "Paulo Fontes & friends".
As imagens fora gravadas , montadas e cedidas pelo artista plástico Paulo Fontes:
As imagens fora gravadas , montadas e cedidas pelo artista plástico Paulo Fontes:
quinta-feira, 10 de junho de 2010
...em memória de um "melhor amigo"...
aos que te chamam animal,
não dês ouvidos
nem leves a mal.
eles ignoram,
mas têm piores apelidos.
tu és
companheiro fiel.
estrela guia
e amigo do teu amigo.
tu és zulu
guerreiro na paz
e meu companheiro maior.
és agora
imensa constelação.
porque foste e és tu,
mais que um simples cão.
tu és o eterno amigo zulu.
eduardo roseira
VNGaia
10-Junho-2010
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cão,
melhor amigo,
zulu
segunda-feira, 7 de junho de 2010
POEMA(s)
poema do tudo
poema do nada
poema da noite escura
poema do dia claro
poema que tudo cura
poema que é escarro
poema que censura
poema do coração
poema de escárnio
poema que é a razão
poema do açoite
poema que desafia
poema escrito à noite
poema lido de dia
poema que começa
poema que nunca acaba
poema que foi o primeiro
poema de muito outros poemas
poemas do meu canteiro
poemas das minhas alegrias e penas
eduardo roseira
poema do nada
poema da noite escura
poema do dia claro
poema que tudo cura
poema que é escarro
poema que censura
poema do coração
poema de escárnio
poema que é a razão
poema do açoite
poema que desafia
poema escrito à noite
poema lido de dia
poema que começa
poema que nunca acaba
poema que foi o primeiro
poema de muito outros poemas
poemas do meu canteiro
poemas das minhas alegrias e penas
eduardo roseira
sexta-feira, 4 de junho de 2010
SER BEIRA-RIO
Ao Abílio Guimarães
maré – união
força – constante
corrente – conselho
fé – ombro irmão
gente – mareante
corrente – espelho
desta gente – paz
que no sol
e no frio
é…
faz
e sente
o ser beira-rio
de forma
sempre presente.
Beira-Rio / VNGaia
25/Abril/2006
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Gaia
terça-feira, 25 de maio de 2010
TRÊS NOTÍCIAS...
A crise obriga-me a não comprar diariamente o jornal e a optar pela sua leitura através da internet, assim esta manhã lá cumpri o meu ritual de pesquisa das (poucas) boas novas através do sapo.pt.
Assim que abri esta página deparei-me com três títulos que me deixaram a sorrir, não com as notícias, mas sim com a escolha da ordem das mesmas, por parte de quem as editou.
Eis os títulos:
1 – BILHETES DOS TRANSPORTES DEVEM AUMEnTAR EM JULHO (TSF)
2 – DEPUTADOS VÃO RECEBER MAIS DINHEIRO PARA VIAGENS E TRANSPORTES (Sol)
3 – GOVERNO PEDE “EMPENHO DE TODOS” PARA ULTRAPASSAR A CRISE (TSF)
Realmente, o alinhamento destas notícias, só podem ter sido propositadamente escolhidos para colocar os leitores a pensar nas mesmas, o que pela certa não aconteceria se aparecessem isoladamente.
Na primeira notícia, ao lê-la fiquei a saber que para lá do aumento dos transportes públicos, o mais certo é também não demorar muito a que o Governo retire o apoio aos “Passes Jovens”, destinados aos estudantes até aos 23 anos. Aliás em resposta aos jornalistas sobre se este apoio iria terminar, o Secretário de Estado dos Transportes Públicos, Correia da Fonseca, fugiu habilmente à questão dizendo: “A realidade é extremamente volátil. Andamos ao sabor dos “rattings” da República e dos “spreads”. Hoje em dia, talvez seja mais fácil prever o Totobola, do que prever como é que os mercados vão funcionar no dia seguinte. Por isso temos que ser comedidos nas afirmações, porque não sabemos o que vamos enfrentar.” - Eis aqui um dado a reter desta frase, que é a seguinte: com a mesma estão resolvidas as declarações contraditórias que tem existido quase diariamente entre membros do Governo.
Na segunda notícia, chegamos à conclusão, que afinal as medidas de contenção não são para todos, e por tal há que aumentar os gastos com os transportes para os senhores Deputados em mais 25 por cento (nada mais do que 780 mil euros)…E aqui pergunto eu: - Será que com este aumento está resolvido o problema do custo das viagens de uma menina Deputada do PS, que concorreu pelo Circulo Eleitoral de Lisboa e lhe andaram a pagar as viagens de ida e volta até Paris, onde reside?
Na terceira notícia, é que nos rimos mesmo desta sem-vergonhice governativa, quando a senhora Ministra do Trabalho, vem exigir o “empenho de todos” para ultrapassar a crise. Realmente tenho que concluir que a senhoreca até tem razão. Porque eu vou-me empenhar para fazer face aos gastos com os transportes, com o IVA, IRS e mais impostos e os senhores Deputados e Governantes vão estar a empenhados a gastar o que me vão tirar a mim. Sim a mim que não me chamo ZÉ, mas sou tramado na mesma, porque sou parte deste pobre POVO!
eduardo roseira
25-Maio-2010
Imagem - Jorge Arbach, Brasil
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crise,
Jorge Arbach,
notícias
domingo, 23 de maio de 2010
sexta-feira, 21 de maio de 2010
"Tudo o que o meu pai me disse quando, aos 15 anos, declarei em família que iria começar a escrever poesia:
«Antes
de te sentares
à mesa
lava bem
essas mãos.»
Luís Filipe Parrado,
in: "RESUMO - a poesia em 2009",
edição Assírio & Alvim, Lisboa, 2010
«Antes
de te sentares
à mesa
lava bem
essas mãos.»
Luís Filipe Parrado,
in: "RESUMO - a poesia em 2009",
edição Assírio & Alvim, Lisboa, 2010
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poesia; Luís Filipe Parrado
terça-feira, 11 de maio de 2010
A CRISE...
A CRISE…
lenta mente
lá vai ela
campos fora
pé ante pé
em passinhos
de coelho
silenciosa mente
lá vai ela
como se fosse nada
tudo tira ao povo
de forma mansa
e descarada
entretanto…
amarga e
mansa mente
o povinho
de bandeira em arco
e pensar lento
celebra o Benfica
e o papa bento…
eduardo roseira
lenta mente
lá vai ela
campos fora
pé ante pé
em passinhos
de coelho
silenciosa mente
lá vai ela
como se fosse nada
tudo tira ao povo
de forma mansa
e descarada
entretanto…
amarga e
mansa mente
o povinho
de bandeira em arco
e pensar lento
celebra o Benfica
e o papa bento…
eduardo roseira
domingo, 25 de abril de 2010
...E DEPOIS DO ADEUS...
…”e depois do adeus”…
aceitei uma “grândola vila morena”!...
…entretanto:
hipotecaram-me o passado.
Iludiram-me o presente.
roubaram-me o futuro.
entre cravos e promessas
em troca dum passado abandonado,
tive um presente envenenado,
com um país com futuro adiado.
agora, relembro sempre
essa madrugada mágica
que se transformou
em democracia frágil
e constante cleptocracia trágica.
neste país que ruiu…
hoje pergunto-me:
- onde está a grândola canção
que em abril o povo uniu?...
eduardo roseira
vila do conde
25/Abril/2010
aceitei uma “grândola vila morena”!...
…entretanto:
hipotecaram-me o passado.
Iludiram-me o presente.
roubaram-me o futuro.
entre cravos e promessas
em troca dum passado abandonado,
tive um presente envenenado,
com um país com futuro adiado.
agora, relembro sempre
essa madrugada mágica
que se transformou
em democracia frágil
e constante cleptocracia trágica.
neste país que ruiu…
hoje pergunto-me:
- onde está a grândola canção
que em abril o povo uniu?...
eduardo roseira
vila do conde
25/Abril/2010
memória
as manhãs tinham um hálito agradável, um odor a verde e a feno, terra húmida mas serena, impávidos insectos num repouso de folhas e caules e teimosas raízes que subiam árvores e muros e paredes onde viçosos musgos escondiam experiências, instintos e vidas trazidas por ventos brancos e alimentadas por chuvas sem branco. terra revolta, à margem dos canteiros floridos, feridas com sulcos de carruagens, rodas e flores, ouro de sol, prata de fios-d'-água, beijos de saudades, beijos-em-flor, pedras nuas expostas à luz, dispostas a tudo.
do mar se via a terra.
subíamos a ladeira descalça do monte, crepitando inocentes passadas rumo a um previsto e desejado desconhecido. haviam esperanças nas meninas e nos olhos, esbugalhados calhaus, saltitões quietos, palavras sem nome, gritos de silêncio em canto alto; desunidos ramos secos, pasmo espasmo de mãos agarradas à terra.
da terra se via o mar.
ondas, espuma, areia nos cabelos, seiva negra de tão pura sujidade. navios -quem os inventou?- traziam maresias com memórias de nevoeiros descobertos, gelos derretidos em fogo, quentes frios arrepios; infinita saliva.
arremessados paus, galhos de velas desfeitas galgavam margens de asfalto, botes de raiva afundavam águas onde nenhuma caravela nadara, nenhum incauto marinheiro guerreara; paraíso do peixe, sombra do risco, subterfúgio da alma. gaivotas a picar a pele do sonho, vistes?
sim, também nasciam ondas de cravos vermelhos de insuspeitas fontes, promessas de ventos em mudança, um riso sorriso nas palmas das mãos, armas floridas carregando costas nuas, bandeiras desfraldando a liberdade do vento; um rio de gente a caminho.
e o rio unia terra e mar.
***
vieram carros do combate, sem combater o futuro, arrasado o passado, vieram tantos e tantas, anónimas vozes e gritavam, expeliam o silêncio dos corajosos, repeliam a força à força de palavras como estas: que nojo vos turvara a mente?
que carinho nos transformou em gente?
ai!, quem souber desenhar almas que conte! que digam a verdade mentindo, mintam dizendo, enganem a memória, enterrem a história; o mundo vive para além disso. embrulhem as alegres lágrimas em sacos dos vossos lixos; rompidos, incessantemente rompidos, desaguarão os limites da imagem: recordação, tu nunca mentes!
que recordação vos magoou, ó gentes?
voltaram todos do monte, acorreram das serras e dos vales dos vossos sonhos, vieram voando em nuvens de desejo, trouxeram a morte e o beijo, carregaram o espinho e a rosa, acordaram o trovão e a corda, redes, pescadores, rezes, fomes a cheirar ao pão; amassaram os caminhos, corpos pequeninos e passarinhos, abutres também: se a presa é oferecida que mais vos falta para a festa?
e depois do adeus, da solene despedida do morto anunciado, partíamos, ai!, suprema alegria voar o barro, dissipar o catarro, esticar o torpor, matar, sim, matar o ditador!
que morte vos mudou, gente?
sem medos, povos das selvas montes serras rios mares, para além do crime, dizei-me:
que falso carinho vos devolveu a crença?
***
nómadas do esquecimento.
sobre as águas do inferno lavais as lembranças e escolheis o fogo do paraíso para festejar o esquecimento com que suportais a vida: até quando? homéricos poemas à laia de discurso, palavreado belo do engano, mística de cómodo olhar, esbracejar da lassidão; como é breve o tempo que há-de vir, como inutilizastes a memória!
sedentários do nada!
acordávamos felizes. então, sempre que o mar nos trazia um naufrágio de esperanças, acorriamos às areias em busca do remoinho; agora, destruída a caixa de Pandora, afundais-vos em terra solta e das ondas fizestes sepulcros. e com cruzes desenhais madeira.
carpinteiros do artifício!
esquecestes as horas da boa-espera, as madrugadas a fio, as auroras da navalha. esquecestes igualmente as praias e as rochas e as maresias; seguis caranguejos a caminho da solidão. Narcisos sem rumo, espelhos falsificados, anúncios da desgraça.
construtores da armadilha!
longe, muito longe do que é aqui, resistem prados e versos: nem as rimas vos salvarão!
que fizestes das palavras?
***
arautos dizem esquecei! lembrai-vos sempre disso!
recuperai memória, criai história, fazei acontecer! tornai ao âmago das coisas, alimentai-vos do sopro, reconstrua-se a carne: não vos falo do verbo e muito menos do adjectivo, Vaidade! Falo-vos da oração completa: voltai a desenhar as letras...
Luís Nogueira
do mar se via a terra.
subíamos a ladeira descalça do monte, crepitando inocentes passadas rumo a um previsto e desejado desconhecido. haviam esperanças nas meninas e nos olhos, esbugalhados calhaus, saltitões quietos, palavras sem nome, gritos de silêncio em canto alto; desunidos ramos secos, pasmo espasmo de mãos agarradas à terra.
da terra se via o mar.
ondas, espuma, areia nos cabelos, seiva negra de tão pura sujidade. navios -quem os inventou?- traziam maresias com memórias de nevoeiros descobertos, gelos derretidos em fogo, quentes frios arrepios; infinita saliva.
arremessados paus, galhos de velas desfeitas galgavam margens de asfalto, botes de raiva afundavam águas onde nenhuma caravela nadara, nenhum incauto marinheiro guerreara; paraíso do peixe, sombra do risco, subterfúgio da alma. gaivotas a picar a pele do sonho, vistes?
sim, também nasciam ondas de cravos vermelhos de insuspeitas fontes, promessas de ventos em mudança, um riso sorriso nas palmas das mãos, armas floridas carregando costas nuas, bandeiras desfraldando a liberdade do vento; um rio de gente a caminho.
e o rio unia terra e mar.
***
vieram carros do combate, sem combater o futuro, arrasado o passado, vieram tantos e tantas, anónimas vozes e gritavam, expeliam o silêncio dos corajosos, repeliam a força à força de palavras como estas: que nojo vos turvara a mente?
que carinho nos transformou em gente?
ai!, quem souber desenhar almas que conte! que digam a verdade mentindo, mintam dizendo, enganem a memória, enterrem a história; o mundo vive para além disso. embrulhem as alegres lágrimas em sacos dos vossos lixos; rompidos, incessantemente rompidos, desaguarão os limites da imagem: recordação, tu nunca mentes!
que recordação vos magoou, ó gentes?
voltaram todos do monte, acorreram das serras e dos vales dos vossos sonhos, vieram voando em nuvens de desejo, trouxeram a morte e o beijo, carregaram o espinho e a rosa, acordaram o trovão e a corda, redes, pescadores, rezes, fomes a cheirar ao pão; amassaram os caminhos, corpos pequeninos e passarinhos, abutres também: se a presa é oferecida que mais vos falta para a festa?
e depois do adeus, da solene despedida do morto anunciado, partíamos, ai!, suprema alegria voar o barro, dissipar o catarro, esticar o torpor, matar, sim, matar o ditador!
que morte vos mudou, gente?
sem medos, povos das selvas montes serras rios mares, para além do crime, dizei-me:
que falso carinho vos devolveu a crença?
***
nómadas do esquecimento.
sobre as águas do inferno lavais as lembranças e escolheis o fogo do paraíso para festejar o esquecimento com que suportais a vida: até quando? homéricos poemas à laia de discurso, palavreado belo do engano, mística de cómodo olhar, esbracejar da lassidão; como é breve o tempo que há-de vir, como inutilizastes a memória!
sedentários do nada!
acordávamos felizes. então, sempre que o mar nos trazia um naufrágio de esperanças, acorriamos às areias em busca do remoinho; agora, destruída a caixa de Pandora, afundais-vos em terra solta e das ondas fizestes sepulcros. e com cruzes desenhais madeira.
carpinteiros do artifício!
esquecestes as horas da boa-espera, as madrugadas a fio, as auroras da navalha. esquecestes igualmente as praias e as rochas e as maresias; seguis caranguejos a caminho da solidão. Narcisos sem rumo, espelhos falsificados, anúncios da desgraça.
construtores da armadilha!
longe, muito longe do que é aqui, resistem prados e versos: nem as rimas vos salvarão!
que fizestes das palavras?
***
arautos dizem esquecei! lembrai-vos sempre disso!
recuperai memória, criai história, fazei acontecer! tornai ao âmago das coisas, alimentai-vos do sopro, reconstrua-se a carne: não vos falo do verbo e muito menos do adjectivo, Vaidade! Falo-vos da oração completa: voltai a desenhar as letras...
Luís Nogueira
sexta-feira, 23 de abril de 2010
O QUE DEUS LHE DEU
Um Senhor disse ao criado:
- Amanhã vamos à feira,
tu não és preciso na eira
e eu vou-te comprar um arado.
E o criado perguntou:
- Senhor e o que compro eu?
O Senhor então respondeu:
- Tu? Tu não precisas de nada,
dou-te o arado e a enxada
e já tens o que Deus te deu.
Aí o criado pensou:
- Tenho o que Deus me deu
e ele ainda me dá o arado e a enxada,
então se Deus não lhos deu
ele vai ficar sem nada.
O criado então disse:
- Senhor, não posso aceitar
aquilo que me quereis dar
e que Deus a si não deu.
- Ficai com o arado e a enxada
que embora não vos sirva para nada
eu já tenho o que Deus me deu.
O Senhor replicou:
- Não te preocupes comigo,
que isso te posso eu dar,
porque Deus é meu amigo
e criou-te para ficares comigo,
para eu não ter de trabalhar.
Por fim o criado chorou, pensou
e sozinho consigo mesmo falou:
- “COMO É BOM TER UM AMIGO”.
Leandro Santos
In: “Sons das Palavras”,
Prémio Nacional de Poesia
da Vila de Fânzeres – Gondomar -2003
- Amanhã vamos à feira,
tu não és preciso na eira
e eu vou-te comprar um arado.
E o criado perguntou:
- Senhor e o que compro eu?
O Senhor então respondeu:
- Tu? Tu não precisas de nada,
dou-te o arado e a enxada
e já tens o que Deus te deu.
Aí o criado pensou:
- Tenho o que Deus me deu
e ele ainda me dá o arado e a enxada,
então se Deus não lhos deu
ele vai ficar sem nada.
O criado então disse:
- Senhor, não posso aceitar
aquilo que me quereis dar
e que Deus a si não deu.
- Ficai com o arado e a enxada
que embora não vos sirva para nada
eu já tenho o que Deus me deu.
O Senhor replicou:
- Não te preocupes comigo,
que isso te posso eu dar,
porque Deus é meu amigo
e criou-te para ficares comigo,
para eu não ter de trabalhar.
Por fim o criado chorou, pensou
e sozinho consigo mesmo falou:
- “COMO É BOM TER UM AMIGO”.
Leandro Santos
In: “Sons das Palavras”,
Prémio Nacional de Poesia
da Vila de Fânzeres – Gondomar -2003
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quarta-feira, 21 de abril de 2010
A MINHA IDADE
são três,
as idades que trago em mim!
- a da identidade, à qual fugir não quero.
a da amargura, que da primeira faz o dobro dos invernos.
- e a mais importante de todas,
que não sei quantas primaveras tem de peso
e que me dá vigor para carregar
o desgaste físico de uma
e os males d’alma da outra.
- é a idade constante da esperança!
eduardo roseira
as idades que trago em mim!
- a da identidade, à qual fugir não quero.
a da amargura, que da primeira faz o dobro dos invernos.
- e a mais importante de todas,
que não sei quantas primaveras tem de peso
e que me dá vigor para carregar
o desgaste físico de uma
e os males d’alma da outra.
- é a idade constante da esperança!
eduardo roseira
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sexta-feira, 9 de abril de 2010
PUDESSE VOLTAR A NASCER
pudesse voltar eu,
a nascer outra vez.
queria ser o mesmo.
queria ser – eu!
bom feitio.
mau feitio.
mudo por vezes
num repente.
das virtudes sou vadio,
assim serei
eternamente.
bons momentos já vivi.
maus bocados já passei!
muita terra conheci.
mas a uma só amei.
botão de rosa
eu nasci.
hoje sou…roseira.
de tudo, quase vivi.
mas fi-lo à minha maneira.
eduardo roseira
a nascer outra vez.
queria ser o mesmo.
queria ser – eu!
bom feitio.
mau feitio.
mudo por vezes
num repente.
das virtudes sou vadio,
assim serei
eternamente.
bons momentos já vivi.
maus bocados já passei!
muita terra conheci.
mas a uma só amei.
botão de rosa
eu nasci.
hoje sou…roseira.
de tudo, quase vivi.
mas fi-lo à minha maneira.
eduardo roseira
quinta-feira, 8 de abril de 2010
DEFINIÇÃO
a mim que sou poeta,
não me peçam
para o definir.
pois por o ser,
só digo a verdade
mesmo que pareça
estar a fingir.
mas se insistem
em que vos diga
o que dos poetas
eu penso?
só vos posso dizer,
sem o real iludir .
que o poeta é um ser,
que cala sem nunca consentir!
eduardo roseira
não me peçam
para o definir.
pois por o ser,
só digo a verdade
mesmo que pareça
estar a fingir.
mas se insistem
em que vos diga
o que dos poetas
eu penso?
só vos posso dizer,
sem o real iludir .
que o poeta é um ser,
que cala sem nunca consentir!
eduardo roseira
quarta-feira, 7 de abril de 2010
UMA ESTRELA CHAMADA AMIZADE - texto colectivo
Certa vez, uma “menina estava a dormir
e a luz da Estrela entrou no seu quarto.”
Era uma ”Estrela Mágica”
tão mágica…tão mágica…
que “à noite brilha muito, muito, muito…”
O seu brilhar é tanto, que
“…dá luz ao Planeta Terra”.
A Estrela chama-se “Amizade
e é muito bonita por Amor”.
Um dia ao saber que a poluição
afligia uns amigos seus,
“A Estrela caiu no rio e sorriu para os peixes.”
Isto aconteceu porque :
“A Amizade é estar com os nossos amigos
quando precisam de nós.”
Porque :
“A Amizade não se compra constrói-se,
todos a devemos construir.”
E a melhor forma de a construir,
é unir todas as estrelas mágicas
que existem dentro de nós
e fazermos uma Estrela chamada Amizade.
eduardo roseira
Vila Nova de Gaia
23-Setembro-2004
Poema elaborado com base nas frases sobre a “Amizade” e “A Estrela Mágica”, de alunos do 1.º ano do Ensino Básico, da Escola da Praia – Santa Marinha – Vila Nova de Gaia, seleccionadas pela Professora Maria do Céu, no ano lectivo 2003/2004.
- A Amizade é muito bonita por Amor.
- A Amizade é estar com os nossos amigos quando precisam de nós.
- A Amizade não se compra constrói-se, todos a devemos construir.
- A Estrela à noite brilha muito, muito, muito…
- A Estrela brilha e dá luz ao Planeta Terra.
- A Estrela caiu no rio e sorriu para os peixes.
- A menina estava a dormir e a luz da Estrela entrou no seu quarto.
e a luz da Estrela entrou no seu quarto.”
Era uma ”Estrela Mágica”
tão mágica…tão mágica…
que “à noite brilha muito, muito, muito…”
O seu brilhar é tanto, que
“…dá luz ao Planeta Terra”.
A Estrela chama-se “Amizade
e é muito bonita por Amor”.
Um dia ao saber que a poluição
afligia uns amigos seus,
“A Estrela caiu no rio e sorriu para os peixes.”
Isto aconteceu porque :
“A Amizade é estar com os nossos amigos
quando precisam de nós.”
Porque :
“A Amizade não se compra constrói-se,
todos a devemos construir.”
E a melhor forma de a construir,
é unir todas as estrelas mágicas
que existem dentro de nós
e fazermos uma Estrela chamada Amizade.
eduardo roseira
Vila Nova de Gaia
23-Setembro-2004
Poema elaborado com base nas frases sobre a “Amizade” e “A Estrela Mágica”, de alunos do 1.º ano do Ensino Básico, da Escola da Praia – Santa Marinha – Vila Nova de Gaia, seleccionadas pela Professora Maria do Céu, no ano lectivo 2003/2004.
- A Amizade é muito bonita por Amor.
- A Amizade é estar com os nossos amigos quando precisam de nós.
- A Amizade não se compra constrói-se, todos a devemos construir.
- A Estrela à noite brilha muito, muito, muito…
- A Estrela brilha e dá luz ao Planeta Terra.
- A Estrela caiu no rio e sorriu para os peixes.
- A menina estava a dormir e a luz da Estrela entrou no seu quarto.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
QUISERA EU...
…quisera eu…
que fosses
eco
do meu silêncio.
…quisera eu…
que fosses
brilho
do meu olhar.
…quisera eu…
que fosses
o tudo
do tudo
que te quero
dar!
eduardo roseira
que fosses
eco
do meu silêncio.
…quisera eu…
que fosses
brilho
do meu olhar.
…quisera eu…
que fosses
o tudo
do tudo
que te quero
dar!
eduardo roseira
sábado, 27 de março de 2010
ALICE NO CÉU
A
Alice com imensa saudade...
quando alice
chegou ao céu
tinha à sua espera
um anjo
com um sorriso
igualzinho ao seu.
ao vê-la, disse-lhe:
- entra, alice!
que o céu
sempre te pertenceu!
bem junto
à porta da entrada,
um grupo de anjos
colocou
um banco
com ripas de madeira…
…é nele que alice
sempre sorridente,
descansa a sua
canseira…
eduardo roseira
In: "o sorriso de deus"
Imagem: Foto montagem de eduardo roseira
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dois poemas - "Antes do fim" e "Fim"
ANTES DO FIM…
antes do fim
aproveitarei
todos os tubos
e sondas
com torneiras
bem abertas
para sorver
a vida…
…e…
até à última
gota de soro
serei poema…
eduardo roseira
Maia
21/Março/2010
--------------------------------------------------------------
FIM
…entre o terror da morte
e a esperança
da eutanásia…
eduardo roseira
Maia
21/Março/2010
antes do fim
aproveitarei
todos os tubos
e sondas
com torneiras
bem abertas
para sorver
a vida…
…e…
até à última
gota de soro
serei poema…
eduardo roseira
Maia
21/Março/2010
--------------------------------------------------------------
FIM
…entre o terror da morte
e a esperança
da eutanásia…
eduardo roseira
Maia
21/Março/2010
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quinta-feira, 25 de março de 2010
FAMÍLIA
I
Aos meu filhos Helena e Mário.
...folha
a folha
se alicerça
o futuro
da família.
nascem folhas
em amor renovado
que colocam
as amarguras de lado...
...é a vida
na sua lógica
a alimentar
a àrvore
geneológica.
II
A meu Pai nos dois anos de partida.
...ramo
a ramo
se constrói...
a àrvore
geneológica.
ida
a
ida
de adeus
em adeus
se destrói...
penso para mim:
- esta àrvore...
"jánãoélógica" *
eduardo roseira
* palavreando o Poeta angolano, Ondjaki
Aos meu filhos Helena e Mário.
...folha
a folha
se alicerça
o futuro
da família.
nascem folhas
em amor renovado
que colocam
as amarguras de lado...
...é a vida
na sua lógica
a alimentar
a àrvore
geneológica.
II
A meu Pai nos dois anos de partida.
...ramo
a ramo
se constrói...
a àrvore
geneológica.
ida
a
ida
de adeus
em adeus
se destrói...
penso para mim:
- esta àrvore...
"jánãoélógica" *
eduardo roseira
* palavreando o Poeta angolano, Ondjaki
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domingo, 21 de março de 2010
DIA MUNDIAL DA POESIA - Brinde do Ecos do Meu Pátio, com um poema de Kim Berlusa
Hoje não falo, nem falarei
de poesia.
De tudo me alhearei
e tudo farei
para deixar a mente
completamente vazia.
A poesia é uma serpente
que se aperta e que se enleia
em torno da ideia.
A poesia é uma corrente
estranha e incerta
é uma maré
onde de repente, se não
estamos alerta
perdemos o pé.
Assim hoje decidi
que quero deixar
a mente completamente
vazia.
Por isso hoje
não falo nem
falarei de poesia!
Kim Berlusa - Porto
de poesia.
De tudo me alhearei
e tudo farei
para deixar a mente
completamente vazia.
A poesia é uma serpente
que se aperta e que se enleia
em torno da ideia.
A poesia é uma corrente
estranha e incerta
é uma maré
onde de repente, se não
estamos alerta
perdemos o pé.
Assim hoje decidi
que quero deixar
a mente completamente
vazia.
Por isso hoje
não falo nem
falarei de poesia!
Kim Berlusa - Porto
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segunda-feira, 15 de março de 2010
TEU TUDO
tua boca
sal
manhã.
teus olhos
céu
a brilhar.
tuas mãos
afago
divinal.
teu corpo
diva
sensual.
teu odor
corporal
perfume.
teu sexo
flor
eterno
desabrochar.
teu tudo…
neste
pouco
para te dar.
eduardo roseira
sal
manhã.
teus olhos
céu
a brilhar.
tuas mãos
afago
divinal.
teu corpo
diva
sensual.
teu odor
corporal
perfume.
teu sexo
flor
eterno
desabrochar.
teu tudo…
neste
pouco
para te dar.
eduardo roseira
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pouco,
tudo
domingo, 14 de março de 2010
ESTA SEDE...
esta sede
de palavras
esta sede
de carícias
esta sede
que trago
na sede
que tenho
de ti…
de palavras
esta sede
de carícias
esta sede
que trago
na sede
que tenho
de ti…
sexta-feira, 12 de março de 2010
PASSO A PASSO
passo a passo
descanso
o cansaço
na ternura
do teu regaço.
o teu abraço
dá-me espaço
único
para te
declamar.
eduardo roseira
descanso
o cansaço
na ternura
do teu regaço.
o teu abraço
dá-me espaço
único
para te
declamar.
eduardo roseira
quinta-feira, 11 de março de 2010
CARTA AO MEU FILHO - escrita à treze anos.
Porto, 11 de Março de 1997
Meu querido menino,
Já lá vão oito meses, desde quando a tua Mãe foi fazer a primeira ecografia, a qual nos mostrou que estava tudo bem e que eras rapaz. Só queria que tivesses visto a sempre sorridente cara da tua mãe a conter o maior sorriso que algum dia lhe tinha visto, ao mesmo tempo que, conhecendo-a como conheço, ouvi dentro do seu peito a soltar-se um enorme grito, bem na moda de: - «yESsss!!!». Eu, pela minha parte nem sei como consegui reprimir uma lágrima de felicidade que se ficou pelo canto do olho, ao mesmo tempo que o meu coração batia bem mais forte ao receber tão boa notícia.
De imediato, começamos a fazer projectos em tons de azul-bébé!
Hoje ao fim de nove meses e alguns dias de gestação normal, nasceste com uma boa batida de coração, com quatro quilos e a medir cinquenta e dois centímetros e meio. Graças a Deus, com saúde! A tua Mãe está bem.
Nunca esquecerei o momento em que a enfermeira-parteira te colocou nos meus braços. Estavas a dormir tranquilamente como um anjo. Se é que os anjos dormem. Ao pegar-te, senti não o teu peso, mas sim o da responsabilidade por te guiar nos primeiros passos da tua vida, desde as noites em que com dores nos irás “atrapalhar” o sono e nós quase sem saber o que mais te fazer para as mesmas passarem; depois virão as gracinhas; as primeiras palavras; o primeiro passito e tudo o mais que irás fazendo ao longo do teu crescimento. Até que um dia, já contigo a “palrar” que nem um papagaio, chegará a altura das interrogações naturais que te irão surgindo com o passar dos dias e então colocarás imensos porquês!? Para uns as respostas ser-te-ão dadas de imediato, de tão evidentes que são as questões, outras porém, ficarão sem qualquer resposta. É que há certos “porquês” que não tem “porquê” de existir, tais como:
- Os meninos sem pão! Os meninos com guerra! Os meninos sem a alegria de um Lar! Os meninos sem amor!
A estes e a outros “porquês” não te saberei dar respostas concretas e infelizmente sou levado a crer que nos muitos anos que tens à tua frente, nunca encontrarás respostas ou alguém que tas saiba dar. Nem mesmo por parte daqueles que:
- Negam o pão aos meninos! Lhes dão guerras como prendas! Se recusam a ser pais! Não lhes dão amor! - Negando assim aos meninos o que há de mais belo, que é, o deixá-los ser meninos!
Penso que talvez o façam porque também eles nunca o foram. Da minha parte, espero vivamente que ao aperceberes-te de tudo isto não te tornes frio e cruel, e que mesmo quando fores homem, continues com a pureza dos meninos durante toda a tua vida. Por mim, peço a Deus que me ajude a dar-te a meninice a que naturalmente tens direito.
Beijos e carinhos para ti, meu menino, do Pai amigo.
(Eduardo Roseira)
P.S.- Ah! Já me esquecia, beijos da tua Mãe Maria José e muitos miminhos da tua irmã Helena Sofia.
Meu querido menino,
Já lá vão oito meses, desde quando a tua Mãe foi fazer a primeira ecografia, a qual nos mostrou que estava tudo bem e que eras rapaz. Só queria que tivesses visto a sempre sorridente cara da tua mãe a conter o maior sorriso que algum dia lhe tinha visto, ao mesmo tempo que, conhecendo-a como conheço, ouvi dentro do seu peito a soltar-se um enorme grito, bem na moda de: - «yESsss!!!». Eu, pela minha parte nem sei como consegui reprimir uma lágrima de felicidade que se ficou pelo canto do olho, ao mesmo tempo que o meu coração batia bem mais forte ao receber tão boa notícia.
De imediato, começamos a fazer projectos em tons de azul-bébé!
Hoje ao fim de nove meses e alguns dias de gestação normal, nasceste com uma boa batida de coração, com quatro quilos e a medir cinquenta e dois centímetros e meio. Graças a Deus, com saúde! A tua Mãe está bem.
Nunca esquecerei o momento em que a enfermeira-parteira te colocou nos meus braços. Estavas a dormir tranquilamente como um anjo. Se é que os anjos dormem. Ao pegar-te, senti não o teu peso, mas sim o da responsabilidade por te guiar nos primeiros passos da tua vida, desde as noites em que com dores nos irás “atrapalhar” o sono e nós quase sem saber o que mais te fazer para as mesmas passarem; depois virão as gracinhas; as primeiras palavras; o primeiro passito e tudo o mais que irás fazendo ao longo do teu crescimento. Até que um dia, já contigo a “palrar” que nem um papagaio, chegará a altura das interrogações naturais que te irão surgindo com o passar dos dias e então colocarás imensos porquês!? Para uns as respostas ser-te-ão dadas de imediato, de tão evidentes que são as questões, outras porém, ficarão sem qualquer resposta. É que há certos “porquês” que não tem “porquê” de existir, tais como:
- Os meninos sem pão! Os meninos com guerra! Os meninos sem a alegria de um Lar! Os meninos sem amor!
A estes e a outros “porquês” não te saberei dar respostas concretas e infelizmente sou levado a crer que nos muitos anos que tens à tua frente, nunca encontrarás respostas ou alguém que tas saiba dar. Nem mesmo por parte daqueles que:
- Negam o pão aos meninos! Lhes dão guerras como prendas! Se recusam a ser pais! Não lhes dão amor! - Negando assim aos meninos o que há de mais belo, que é, o deixá-los ser meninos!
Penso que talvez o façam porque também eles nunca o foram. Da minha parte, espero vivamente que ao aperceberes-te de tudo isto não te tornes frio e cruel, e que mesmo quando fores homem, continues com a pureza dos meninos durante toda a tua vida. Por mim, peço a Deus que me ajude a dar-te a meninice a que naturalmente tens direito.
Beijos e carinhos para ti, meu menino, do Pai amigo.
(Eduardo Roseira)
P.S.- Ah! Já me esquecia, beijos da tua Mãe Maria José e muitos miminhos da tua irmã Helena Sofia.
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