quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
UM POEMA AOS MEUS AMIGOS - sms de Vitor Carvalhais e resposta de eduardo roseira
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
M(á)MÓRIA...
a ânsia
de partir
levou-me…
segui viagem
num colorido
navio…
…de
casco
p
o
d
r
e…
eduardo roseira
(imagem:sapo.pt)
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
...ignoro...
cujos olhos
são as vozes/maldosas
dos outros!...
eduardo roseira
(imagem: sapo.pt)
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
AQUI…*
Aos desempregados,
à “menina” Filomena
e a mim… (porque não?)
aqui…
atende-se
a desilusão
e o desencanto.
aqui…
ouve-se
o lamento
e o pranto.
aqui…
oferece-se
a esperança
e o alento.
aqui…
renova-se
a alegria
e a confiança.
aqui…
afasta-se
todo o desgosto,
receitando-se calma,
com o melhor sorriso
que temos na alma
e no rosto.
…porque…aqui…
neste rame-rame diário
atendemos vidas
presas ao calendário.
eduardo roseira
* Ecos de um posto de atendimento
da “Apresentação Quinzenal”, do
IEFP a que estão obrigados os
desempregados.
sábado, 21 de novembro de 2009
AVES...

vós sois aves
em permanente voar
de poiso
em poiso
em busca do seu
melhor estar.
estáticamente
em sereno olhar
sinto a raiva
que vós sentis
do voar
dos vossos pares.
eu…
estátua
permaneço indiferente
ao vosso cagar.
eduardo roseira
(Foto da autoria de Eduardo Roseira,Pai,Porto,1997)
sexta-feira, 1 de maio de 2009
O TIJOLO
A
Vinícius de Moraes
feito besta
a dar cabo do coirão.
tijolo em cima
de tijolo
constrói mais em prédio
para o patrão.
enquanto o operário
se alimenta
com barro e pó.
o patrão usurário
enche o bucho
a lagosta e pão-de-ló.
dizer sim
a tudo o que
quer o patrão
é sua sina.
sem nunca
poder dizer não
aos que lhe
negam o pão.
e tijolo
após tijolo,
o operário prossegue
a sua construção.
lutando por
permanecer de pé,
pegando a vida
pelos cornos.
até que pelas costas,
um tiro lhe dão.
de tijolos fazer,
oferecem-lhe
como prémio
um espaço
entre meia dúzia
de tábuas.
dão-lhe enfim
descanso!
deixa de ser
escravo,
porque hirto,
gélido
e sem qualquer
préstimo
para tijolos fazer.
agora,
resta-lhe aguardar
pelo patrão
numa terra onde,
(porque iguais são)
lado a lado
ficarão eternamente
a fazer…tijolo.
eduardo roseira
1/Maio/ 2001
VNGaia
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Poema dedicado ao Domingos da Mota
do poema
a construção
da palavra
a melodia
da frase
o suor
do todo
a filosofia
no labor
a rima cantada
a imagem (de)cantada
do suor do poema
a imagem
torna ave a palavra
que esvoaça
sobre o poema
na construção
da paisagem papel
onde a palavra sol(idário)
ilumina
a obra
eduardo roseira
VNGaia
13/Abril/09
sábado, 11 de abril de 2009
Poema de João de Melo
SINAIS DOS TEMPOS
Uma pressa com duas vendas nos olhos
Duas mãos fantasmáticas perdidas no ar
Uma infiltração de água na coluna
Um riso estúpido bloqueando as narinas
Um pêndulo amnésico entre as pernas
João de Melo (Angola)
In: “Auto-retrato”
(desenho de: eduardo roseira)
segunda-feira, 6 de abril de 2009
DIA NACIONAL DOS MOINHOS - 7 de Abril

Tiraram-me os vitrais, deixei de ver.
Rasgaram-me as velas, deixei de andar.
Tiraram-me as forças, deixei de moer!”
(Quadra escrita num moinho em Porto de Mós)
Foto de: Eduardo Roseira (Pai)
domingo, 5 de abril de 2009
UM POEMA DE JULIO SARAIVA

BREVE RAIO X DO POETA
para Domingos da Mota e Eduardo Roseira, numa roda d'amigos - consagro
o poeta não é o samba
o poeta não é o fado
o poeta não é a zoeira
o poeta não é o enfado
o poeta não é a verdade
o poeta é foda
o poeta é fato
pé de sapato esquecido
resto de dicionário
palavra fora de uso
o poeta não faz seu destino
e nem fará a revolução
o poeta é um filho da puta
o poeta é um serviçal
o poeta é uma sentinela
o poeta não é porra nenhuma
o poeta é um sacripanta
violador de meninas
tocador de violoncelo numa
sexta-feira de chumbo qualquer
o poeta é a puta que me pariu
por detrás dos muros da morte
o poeta não é bravo e nem forte
nem um mar de velas pandas
o poeta não é bandeira
o poeta não é pessoa
é só sujeitinho à toa
que cai no meio da rua
o poeta é um viado
pecado capital da palavra
é um animal sem sorriso
o poeta é o funcionário público
que diz pois-não-obrigado
o poeta subverte à ordem
o poeta cospe no chão
o poeta caga na rússia
e declara amor ao japão
o poeta adivinha a lua
o poeta vai ao comício
o poeta foge do hospício
o poeta é bicho de circo
o poeta morre de enfarto
aos pés da primeira mulher
sem que o jornal se apoquente
o poeta...
de uma vez por todas
sejamos sinceros
: o poeta ontem ia bem - obrigado
Júlio Saraiva (Brasil)
In: http://www.escritartes.com/
Fotografia extraida com a devida vénia do site: escritartes
segunda-feira, 30 de março de 2009
Tertúlia POESIS
O Grupo Cultural Poesis, em parceria com a Casa da Cultura de Paranhos, no Porto, vão levar a efeito a partir do próximo mês de Maio, às suas "Tertúlias Poesis", nos segundos Sábados de cada mês, às 21 horas e 30 minutos.Com esta parceria, estão de regresso e para ficar, agora num novo espaço, as tertúlias a que a Poesis nos habituou, sempre em forma de conversa despretensiosa e sem tabús, a par de intervenções poéticas e polémicas, onde o aceitar das diferenças é ponto de honra.
A primeira Tertúlia Poesis, vai ter lugar no dia 9 de Maio, na Casa da Cultura de Paranhos, no Porto, no Largo do campo Lindo, 9.
Registe-se que esta é uma das muitas iniciativas que o Grupo Cultural Poesis, vai levar a efeito, para comemorar os seus 20 anos de existência.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
POEMA PARA JOSÉ GOMES FERREIRA
José Gomes Ferreira
cavalguei horizontes
no dorso de uma nuvem,
desafiando trovões/tempestades
sem tirar vantagem.
descobri o presente…
vivi o futuro…
acariciei o passado…
de murmúrio em murmúrio,
em cada viagem,
meu rumo – o arco-íris
de imaginada miragem.
eduardo roseira
8/Nov/2006
VNGaia
sábado, 7 de fevereiro de 2009
EM RITMOS DE SETE...
Foto - SapoFotos(ondas do mar)À
Isabel Pires de Carvalho,
um poema “com sabor ao cheiro de manteiga de cacau”.
…uma a uma…
pequenas ondas
na areia enroladas
tecem com espuma
a orla praia.
…uma a uma…
em ritmos de sete
constroem marés
de bilros
num emaranhado
d’emoções.
…uma a uma…
ora sete pequenas
ornando areias
limo
troncos
conchinhas…
ora sete maiores
que rudeza mar
desfazem
sonhos…
ilusões…
…uma a uma…
em ritmos de sete…
mais sete…
…uma a uma…
em ritmos de sete…
em ritmos de sete…
em ritmos de sete…
eduardo roseira
29-Junho-2008
Auto Viação do Tâmega
Porto-Penafiel-Chaves
…ou a vantagem de não ter viatura própria
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Homenagem/Evocação ao Fernando Peixoto em 31 de Janeiro de 2009
A noite gélida e invernosa foi aquecida por uma sala repleta de amigos, colegas, alunos, colaboradores, vizinhos e gente anónima que ali se quiseram deslocar para recordar com os seus familiares, o Homem, Fernando Peixoto, em todas as suas vertentes.
A ocasião serviu de oportunidade para o presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, Dr. Filipe Menezes, anunciar que nas Comemorações (?) do dia 25 de Abril, será atribuída a título póstumo a Medalha de Ouro da Cidade ao Dr. Fernando Peixoto.
Sei de pessoas ligadas por diversos laços, alguns bem íntimos, ao Fernando Peixoto, que não se quiseram deslocar à referida “Evocação”, por se terem apercebido antecipadamente que a ocasião iria ser “aproveitada” para tal “encenação”.
Do que conheço do Fernando Peixoto, lá no íntimo da sua “vaidade” teria ficado satisfeito, até porque ele e muitos dos que o rodearam, sem NUNCA lhe virarem as costas, sabíamos que de tal era merecedor, só que em vida…
Sei também que o Fernando dispensava algumas pessoas de se verem “obrigadas” a tal “sacrifício”, ou seja, o de assistirem ao “aproveitamento” da homenagem...
Mas voltando ao que se passou na mesma, à parte a boa vontade de alguns dos participantes, valeu ouvir o Fernando Peixoto na entrevista em vídeo feita por uma aluna da ESAP e muito especialmente através das vozes de Eduardo Roseira, que leu dois excertos do livro “A Linguagem do Silêncio” e do Fernando Fernandes que disse e interpretou o poema “Dádiva”, os quais de seguida passo a citar:
“Dedicatória do livro “A Linguagem do Silêncio”, de Fernando Peixoto, Ciclo da Guerra Colonial, 1984.
Ao Fernando Mota
Ao Rui Carita
Ao Papiniano Carlos
Por uma razão ou por outra, a vós devo muita da seiva com que enchi as artérias latejantes das palavras.
Do chão do medo me ergui para olhar o sol que obliquava sobre o rio estilhaçado de lágrimas dos peixes ausentes, e no lodo que povoa o cais fronteiro à minha casa, espojei meu tronco, meus membros, num regresso necessário e urgente ao lodo de onde vim.
Hoje estou aqui, agreste e vertical, para dizer que estou vivo. E solidário.
Amanhã, e todos os dias que hão-de vestir o futuro, estarei aqui, enquanto o povo continuar o longo êxodo para a terra prometida.
Ouve, amigo: vou partir agora. O sol já se espreguiça sobre o leito granítico da Serra do Pilar. Não posso perder tempo. A cidade está à minha espera e estou ansioso por lançar-me nos braços musculados deste Povo que é o meu. Amanhã de manhã te contarei do sorriso com que me esperam ali, na Praça da Liberdade.
Agosto de 1984”
DÁDIVA
Não me peçam palavras melífluas
quando apenas a sonora gargalhada
me irrompe do peito como pedra lascada
nem sorrisinhos de catálogo de moda
quando o mijar numa esquina da cidade
me sabe a poesia e cheira a vida
não me peçam gestos simétricos e convencionais
quando um cosmopolítico manguito
abarca toda a náusea de Bordallo a Pasolini
não me peçam nunca aquilo que vós quereis
porque eu dou apenas aquilo que possuo
e que é esta raiva enorme de cuspir
esta feroz vontade de gritar
e o sexo amplo enorme e predisposto
a fertilizar o amor em todas as esquinas
peçam-me a mim
e nada mais
e dar-vos-ei tudo o que possuo
o suor o sangue o sexo
EU
e comigo dar-vos-ei o homem primitivo
o que recusa a civilização do marketing
o que caga nas gravatas dos public-relations
mas que aposta no futuro ÚNICO do
CRESCEI E MULTIPLICAI-VOS
Sim peçam-me a vida
Tomai e comei
ESTE É O MEU CORPO
Fernando Peixoto
In: “Diz Ilusão 2 – Cadernos de Poesia”,
NERP – Núcleo de Escritores e Recitadores Portugueses,
Barreiro - 1987
Nota de Rodapé: Fiquei com a sensação que estas duas últimas intervenções tiveram lugar à margem do evento, mas seja como for, valeram bem o esforço que tive de fazer para ter “aguentado” até ao final.
Resta-me dizer ao Amigo Fernando, um obrigado por tudo o que nos deste, legaste e que vai perdurar, se puderes perdoa-nos se esta “Evocação” pecou por não ser a verdadeira e desinteressada Homenagem que tu mereces.
Abraço forte do Lúcio S. O. Jesus (Porto)
Dois poemas dedicados a Fernando Peixoto
Já pouco nos resta
além do corpo oco
a não ser a volátil
compreensão
de sentirmos o nada,
enlear-se num todo
em volta de nós.
A morte escoou-te
a vida
mas permaneces
bem vivo, na
invisível presença
que de ti, emana.
Porque a verdade
é translúcida
na Poesia que
escreveste
no Teatro que
fizeste.
É de ti que falo
é por ti que grito.
À cósmica nave
do infinito!
Kim Berlusa - Porto - 31-Janeiro-2009
Plágio de "Tempo"... (1)
Ao Dr. Fernando Peixoto
Não tenho mais tempo para viver!
Não tenho mais tempo, para viver a correr atrás do tempo.
Nem para viver a correr, a fugir do tempo.
Não consegui agarrar o tempo;
O tempo, correu mais que eu...
Acabou-se o tempo de viver.
Acabou-se o tempo de sofrer.
Chegou o tempo, de descansar no tempo!...
Ana Maria Roseira - Santa Marinha/Vila Nova de Gaia - 3-Outubro-2008
(1) O presente poema foi inspirado no poema "Tempo" da mesma autora, o qual foi escrito e apresentado no "Primeiro Encontro de Escritores e Artistas de Santa Marinha", organizado pela Junta de Freguesia, aquando
o Dr. Fernando Peixoto era Presidente da mesma. O poema em questão, pode ser lido no blog: colardeestrelasdeanamroseira.blogspot.com
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
O PRIMEIRO DIA DE UMA NOVA ERA

O blog Casa dos Poetas publicou os poemas traduzidos para português com versões de Tiago Nené, que com a devida vénia, transpomos aqui para o nosso Pátio, precisamente logo após o discurso da Tomada de Posse do quadragéssimo quarto Presidente do Estados Unidos da América.
PAPÁ
Recostado na sua cadeira, uma cadeira larga e quebrada
E polvilhada com cinzas,
O papá passa os canais, toma outro
Cálice de Seagrams, simples, e pergunta
O que fazer comigo, um rapaz novo e verde
Que nem considera a
Falta de sentido do mundo, desde
Que as coisas se me tornaram fáceis.
Fixo os olhos na sua cara, um olhar
Que lhe afasta a testa;
Estou certo que ele não tem consciência dos seus
Negros olhos de água, estes que
Balançam em diferentes direcções,
E dos seus lentos e indesejados espasmos
Que demoram a desaparecer.
Oiço, aceno abertamente até tocar na sua pálida,
Camisola bege, gritando,
Gritando nos seus ouvidos, pendurados
Com lóbulos pesados; mas ele está a contar
A sua piada, e então pergunto-lhe por que
Parece tão infeliz, ao que me responde….
Mas eu não quero mais a porcaria da resposta, porque
Passou todo o tempo, e por baixo da
Minha cadeira eu tiro o espelho que guardei;
Eu rio-me, rio-me à gargalhada, o sangue escorre
Da sua cara até à minha, e cresce
Um pequeno lugar no meu cérebro, algo
Que deverá ser extirpado, como se fosse um
Caroço de melancia, com os
Dois dedos.
O papá toma outro cálice, simples,
Repara na pequena mancha de âmbar
Nos seus calções, igual à que eu tenho nos meus, e
Faz-me cheirar do seu cheiro, e este vem
Apenas de mim; ele passa os canais, recita um poema antigo
Que escreveu antes de a sua mãe falecer,
Levanta-se, grita, e pede
Um abraço, assim que eu encolho, com os meus
Braços mal conseguindo dar a volta
ao seu grosso e oleoso pescoço, e às suas costas largas; porque
Eu vejo a minha cara emoldurada na
Armação preta dos óculos do papá,
E descubro que ele também se ri.
SUBTERRÂNEO
Grutas debaixo de água
Cheias de macacos
Comendo figos.
Aproximo-me dos figos
Que os macacos
Comem, eles mastigam.
Os macacos guincham, mal
Lhes vejo os dentes, eles dançam,
Lançam-se à água que escorre,
Velhos, as peles secas,
Reflectem a luz no azul.
Barack Obama, presidente dos Estados Unidos.
(tradução de Tiago Nené)
sábado, 8 de novembro de 2008
em chegando, de passagem
cheguei tarde, pingos de roupa molhada espantam chuva que foi, meus olhos lembram coisas vistas, reconhecem já o que sabem estar ao virar da esquina, menina olhos lindos, lua de prata e ouro e olhas, olhas longe?
estou a chegar, mais tarde, pele que seca sem chuva que não há, olhos fechados não esquecem coisas a esquecer, ao virar da esquina deixou de haver esquina, são lindos olhos menina, lua sem prata sem ouro, ainda olhas?
sou, nem tarde nem cedo, sem chuva sem pele sem menina sem lua sem prata sem ouro, sem olhos:
vejo!
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
UM POST DE LUÍS NOGUEIRA
Entendi que o post do Luís Nogueira merecia ter mais visibilidade, daí, mesmo sem sua autorização, aqui vai:
partiste, amigo? de partir
entendo nada; sinto nevoeiro,
de chuva gotas, um leve sorrir
não, (a)deus nem sei escrever;
ramos soltos, esgar de embondeiro
longe, que de tão perto nem sei dizer
partiste, amigo? a quem espero
do partir nego; parte caminheiro,
mas nunca de mim porque eu não quero
luís nogueira
para o meu amigo Fernando Peixoto
23 de Outubro de 2008 23:08
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
HORÁRIO DO FIM
quando chega a vez
é só um solavanco
na estrada por onde já não vamos
morre-se tudo
quando não é o justo momento
e não é nunca
esse momento
Mia Couto, in: "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"












