Imagens da presença do espectáculo Palavras Vivas - stand-up Poetry, de eduardo roseira + Ana Maria Roseira, no dia 25 de Junho de 2010 na Casa da Cultura de Lourosa, integrado na acção cultural "Paulo Fontes & friends".
As imagens fora gravadas , montadas e cedidas pelo artista plástico Paulo Fontes:
sábado, 26 de junho de 2010
quinta-feira, 10 de junho de 2010
...em memória de um "melhor amigo"...
aos que te chamam animal,
não dês ouvidos
nem leves a mal.
eles ignoram,
mas têm piores apelidos.
tu és
companheiro fiel.
estrela guia
e amigo do teu amigo.
tu és zulu
guerreiro na paz
e meu companheiro maior.
és agora
imensa constelação.
porque foste e és tu,
mais que um simples cão.
tu és o eterno amigo zulu.
eduardo roseira
VNGaia
10-Junho-2010
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zulu
segunda-feira, 7 de junho de 2010
POEMA(s)
poema do tudo
poema do nada
poema da noite escura
poema do dia claro
poema que tudo cura
poema que é escarro
poema que censura
poema do coração
poema de escárnio
poema que é a razão
poema do açoite
poema que desafia
poema escrito à noite
poema lido de dia
poema que começa
poema que nunca acaba
poema que foi o primeiro
poema de muito outros poemas
poemas do meu canteiro
poemas das minhas alegrias e penas
eduardo roseira
poema do nada
poema da noite escura
poema do dia claro
poema que tudo cura
poema que é escarro
poema que censura
poema do coração
poema de escárnio
poema que é a razão
poema do açoite
poema que desafia
poema escrito à noite
poema lido de dia
poema que começa
poema que nunca acaba
poema que foi o primeiro
poema de muito outros poemas
poemas do meu canteiro
poemas das minhas alegrias e penas
eduardo roseira
sexta-feira, 4 de junho de 2010
SER BEIRA-RIO
Ao Abílio Guimarães
maré – união
força – constante
corrente – conselho
fé – ombro irmão
gente – mareante
corrente – espelho
desta gente – paz
que no sol
e no frio
é…
faz
e sente
o ser beira-rio
de forma
sempre presente.
Beira-Rio / VNGaia
25/Abril/2006
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Gaia
terça-feira, 25 de maio de 2010
TRÊS NOTÍCIAS...
A crise obriga-me a não comprar diariamente o jornal e a optar pela sua leitura através da internet, assim esta manhã lá cumpri o meu ritual de pesquisa das (poucas) boas novas através do sapo.pt.
Assim que abri esta página deparei-me com três títulos que me deixaram a sorrir, não com as notícias, mas sim com a escolha da ordem das mesmas, por parte de quem as editou.
Eis os títulos:
1 – BILHETES DOS TRANSPORTES DEVEM AUMEnTAR EM JULHO (TSF)
2 – DEPUTADOS VÃO RECEBER MAIS DINHEIRO PARA VIAGENS E TRANSPORTES (Sol)
3 – GOVERNO PEDE “EMPENHO DE TODOS” PARA ULTRAPASSAR A CRISE (TSF)
Realmente, o alinhamento destas notícias, só podem ter sido propositadamente escolhidos para colocar os leitores a pensar nas mesmas, o que pela certa não aconteceria se aparecessem isoladamente.
Na primeira notícia, ao lê-la fiquei a saber que para lá do aumento dos transportes públicos, o mais certo é também não demorar muito a que o Governo retire o apoio aos “Passes Jovens”, destinados aos estudantes até aos 23 anos. Aliás em resposta aos jornalistas sobre se este apoio iria terminar, o Secretário de Estado dos Transportes Públicos, Correia da Fonseca, fugiu habilmente à questão dizendo: “A realidade é extremamente volátil. Andamos ao sabor dos “rattings” da República e dos “spreads”. Hoje em dia, talvez seja mais fácil prever o Totobola, do que prever como é que os mercados vão funcionar no dia seguinte. Por isso temos que ser comedidos nas afirmações, porque não sabemos o que vamos enfrentar.” - Eis aqui um dado a reter desta frase, que é a seguinte: com a mesma estão resolvidas as declarações contraditórias que tem existido quase diariamente entre membros do Governo.
Na segunda notícia, chegamos à conclusão, que afinal as medidas de contenção não são para todos, e por tal há que aumentar os gastos com os transportes para os senhores Deputados em mais 25 por cento (nada mais do que 780 mil euros)…E aqui pergunto eu: - Será que com este aumento está resolvido o problema do custo das viagens de uma menina Deputada do PS, que concorreu pelo Circulo Eleitoral de Lisboa e lhe andaram a pagar as viagens de ida e volta até Paris, onde reside?
Na terceira notícia, é que nos rimos mesmo desta sem-vergonhice governativa, quando a senhora Ministra do Trabalho, vem exigir o “empenho de todos” para ultrapassar a crise. Realmente tenho que concluir que a senhoreca até tem razão. Porque eu vou-me empenhar para fazer face aos gastos com os transportes, com o IVA, IRS e mais impostos e os senhores Deputados e Governantes vão estar a empenhados a gastar o que me vão tirar a mim. Sim a mim que não me chamo ZÉ, mas sou tramado na mesma, porque sou parte deste pobre POVO!
eduardo roseira
25-Maio-2010
Imagem - Jorge Arbach, Brasil
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domingo, 23 de maio de 2010
sexta-feira, 21 de maio de 2010
"Tudo o que o meu pai me disse quando, aos 15 anos, declarei em família que iria começar a escrever poesia:
«Antes
de te sentares
à mesa
lava bem
essas mãos.»
Luís Filipe Parrado,
in: "RESUMO - a poesia em 2009",
edição Assírio & Alvim, Lisboa, 2010
«Antes
de te sentares
à mesa
lava bem
essas mãos.»
Luís Filipe Parrado,
in: "RESUMO - a poesia em 2009",
edição Assírio & Alvim, Lisboa, 2010
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poesia; Luís Filipe Parrado
terça-feira, 11 de maio de 2010
A CRISE...
A CRISE…
lenta mente
lá vai ela
campos fora
pé ante pé
em passinhos
de coelho
silenciosa mente
lá vai ela
como se fosse nada
tudo tira ao povo
de forma mansa
e descarada
entretanto…
amarga e
mansa mente
o povinho
de bandeira em arco
e pensar lento
celebra o Benfica
e o papa bento…
eduardo roseira
lenta mente
lá vai ela
campos fora
pé ante pé
em passinhos
de coelho
silenciosa mente
lá vai ela
como se fosse nada
tudo tira ao povo
de forma mansa
e descarada
entretanto…
amarga e
mansa mente
o povinho
de bandeira em arco
e pensar lento
celebra o Benfica
e o papa bento…
eduardo roseira
domingo, 25 de abril de 2010
...E DEPOIS DO ADEUS...
…”e depois do adeus”…
aceitei uma “grândola vila morena”!...
…entretanto:
hipotecaram-me o passado.
Iludiram-me o presente.
roubaram-me o futuro.
entre cravos e promessas
em troca dum passado abandonado,
tive um presente envenenado,
com um país com futuro adiado.
agora, relembro sempre
essa madrugada mágica
que se transformou
em democracia frágil
e constante cleptocracia trágica.
neste país que ruiu…
hoje pergunto-me:
- onde está a grândola canção
que em abril o povo uniu?...
eduardo roseira
vila do conde
25/Abril/2010
aceitei uma “grândola vila morena”!...
…entretanto:
hipotecaram-me o passado.
Iludiram-me o presente.
roubaram-me o futuro.
entre cravos e promessas
em troca dum passado abandonado,
tive um presente envenenado,
com um país com futuro adiado.
agora, relembro sempre
essa madrugada mágica
que se transformou
em democracia frágil
e constante cleptocracia trágica.
neste país que ruiu…
hoje pergunto-me:
- onde está a grândola canção
que em abril o povo uniu?...
eduardo roseira
vila do conde
25/Abril/2010
memória
as manhãs tinham um hálito agradável, um odor a verde e a feno, terra húmida mas serena, impávidos insectos num repouso de folhas e caules e teimosas raízes que subiam árvores e muros e paredes onde viçosos musgos escondiam experiências, instintos e vidas trazidas por ventos brancos e alimentadas por chuvas sem branco. terra revolta, à margem dos canteiros floridos, feridas com sulcos de carruagens, rodas e flores, ouro de sol, prata de fios-d'-água, beijos de saudades, beijos-em-flor, pedras nuas expostas à luz, dispostas a tudo.
do mar se via a terra.
subíamos a ladeira descalça do monte, crepitando inocentes passadas rumo a um previsto e desejado desconhecido. haviam esperanças nas meninas e nos olhos, esbugalhados calhaus, saltitões quietos, palavras sem nome, gritos de silêncio em canto alto; desunidos ramos secos, pasmo espasmo de mãos agarradas à terra.
da terra se via o mar.
ondas, espuma, areia nos cabelos, seiva negra de tão pura sujidade. navios -quem os inventou?- traziam maresias com memórias de nevoeiros descobertos, gelos derretidos em fogo, quentes frios arrepios; infinita saliva.
arremessados paus, galhos de velas desfeitas galgavam margens de asfalto, botes de raiva afundavam águas onde nenhuma caravela nadara, nenhum incauto marinheiro guerreara; paraíso do peixe, sombra do risco, subterfúgio da alma. gaivotas a picar a pele do sonho, vistes?
sim, também nasciam ondas de cravos vermelhos de insuspeitas fontes, promessas de ventos em mudança, um riso sorriso nas palmas das mãos, armas floridas carregando costas nuas, bandeiras desfraldando a liberdade do vento; um rio de gente a caminho.
e o rio unia terra e mar.
***
vieram carros do combate, sem combater o futuro, arrasado o passado, vieram tantos e tantas, anónimas vozes e gritavam, expeliam o silêncio dos corajosos, repeliam a força à força de palavras como estas: que nojo vos turvara a mente?
que carinho nos transformou em gente?
ai!, quem souber desenhar almas que conte! que digam a verdade mentindo, mintam dizendo, enganem a memória, enterrem a história; o mundo vive para além disso. embrulhem as alegres lágrimas em sacos dos vossos lixos; rompidos, incessantemente rompidos, desaguarão os limites da imagem: recordação, tu nunca mentes!
que recordação vos magoou, ó gentes?
voltaram todos do monte, acorreram das serras e dos vales dos vossos sonhos, vieram voando em nuvens de desejo, trouxeram a morte e o beijo, carregaram o espinho e a rosa, acordaram o trovão e a corda, redes, pescadores, rezes, fomes a cheirar ao pão; amassaram os caminhos, corpos pequeninos e passarinhos, abutres também: se a presa é oferecida que mais vos falta para a festa?
e depois do adeus, da solene despedida do morto anunciado, partíamos, ai!, suprema alegria voar o barro, dissipar o catarro, esticar o torpor, matar, sim, matar o ditador!
que morte vos mudou, gente?
sem medos, povos das selvas montes serras rios mares, para além do crime, dizei-me:
que falso carinho vos devolveu a crença?
***
nómadas do esquecimento.
sobre as águas do inferno lavais as lembranças e escolheis o fogo do paraíso para festejar o esquecimento com que suportais a vida: até quando? homéricos poemas à laia de discurso, palavreado belo do engano, mística de cómodo olhar, esbracejar da lassidão; como é breve o tempo que há-de vir, como inutilizastes a memória!
sedentários do nada!
acordávamos felizes. então, sempre que o mar nos trazia um naufrágio de esperanças, acorriamos às areias em busca do remoinho; agora, destruída a caixa de Pandora, afundais-vos em terra solta e das ondas fizestes sepulcros. e com cruzes desenhais madeira.
carpinteiros do artifício!
esquecestes as horas da boa-espera, as madrugadas a fio, as auroras da navalha. esquecestes igualmente as praias e as rochas e as maresias; seguis caranguejos a caminho da solidão. Narcisos sem rumo, espelhos falsificados, anúncios da desgraça.
construtores da armadilha!
longe, muito longe do que é aqui, resistem prados e versos: nem as rimas vos salvarão!
que fizestes das palavras?
***
arautos dizem esquecei! lembrai-vos sempre disso!
recuperai memória, criai história, fazei acontecer! tornai ao âmago das coisas, alimentai-vos do sopro, reconstrua-se a carne: não vos falo do verbo e muito menos do adjectivo, Vaidade! Falo-vos da oração completa: voltai a desenhar as letras...
Luís Nogueira
do mar se via a terra.
subíamos a ladeira descalça do monte, crepitando inocentes passadas rumo a um previsto e desejado desconhecido. haviam esperanças nas meninas e nos olhos, esbugalhados calhaus, saltitões quietos, palavras sem nome, gritos de silêncio em canto alto; desunidos ramos secos, pasmo espasmo de mãos agarradas à terra.
da terra se via o mar.
ondas, espuma, areia nos cabelos, seiva negra de tão pura sujidade. navios -quem os inventou?- traziam maresias com memórias de nevoeiros descobertos, gelos derretidos em fogo, quentes frios arrepios; infinita saliva.
arremessados paus, galhos de velas desfeitas galgavam margens de asfalto, botes de raiva afundavam águas onde nenhuma caravela nadara, nenhum incauto marinheiro guerreara; paraíso do peixe, sombra do risco, subterfúgio da alma. gaivotas a picar a pele do sonho, vistes?
sim, também nasciam ondas de cravos vermelhos de insuspeitas fontes, promessas de ventos em mudança, um riso sorriso nas palmas das mãos, armas floridas carregando costas nuas, bandeiras desfraldando a liberdade do vento; um rio de gente a caminho.
e o rio unia terra e mar.
***
vieram carros do combate, sem combater o futuro, arrasado o passado, vieram tantos e tantas, anónimas vozes e gritavam, expeliam o silêncio dos corajosos, repeliam a força à força de palavras como estas: que nojo vos turvara a mente?
que carinho nos transformou em gente?
ai!, quem souber desenhar almas que conte! que digam a verdade mentindo, mintam dizendo, enganem a memória, enterrem a história; o mundo vive para além disso. embrulhem as alegres lágrimas em sacos dos vossos lixos; rompidos, incessantemente rompidos, desaguarão os limites da imagem: recordação, tu nunca mentes!
que recordação vos magoou, ó gentes?
voltaram todos do monte, acorreram das serras e dos vales dos vossos sonhos, vieram voando em nuvens de desejo, trouxeram a morte e o beijo, carregaram o espinho e a rosa, acordaram o trovão e a corda, redes, pescadores, rezes, fomes a cheirar ao pão; amassaram os caminhos, corpos pequeninos e passarinhos, abutres também: se a presa é oferecida que mais vos falta para a festa?
e depois do adeus, da solene despedida do morto anunciado, partíamos, ai!, suprema alegria voar o barro, dissipar o catarro, esticar o torpor, matar, sim, matar o ditador!
que morte vos mudou, gente?
sem medos, povos das selvas montes serras rios mares, para além do crime, dizei-me:
que falso carinho vos devolveu a crença?
***
nómadas do esquecimento.
sobre as águas do inferno lavais as lembranças e escolheis o fogo do paraíso para festejar o esquecimento com que suportais a vida: até quando? homéricos poemas à laia de discurso, palavreado belo do engano, mística de cómodo olhar, esbracejar da lassidão; como é breve o tempo que há-de vir, como inutilizastes a memória!
sedentários do nada!
acordávamos felizes. então, sempre que o mar nos trazia um naufrágio de esperanças, acorriamos às areias em busca do remoinho; agora, destruída a caixa de Pandora, afundais-vos em terra solta e das ondas fizestes sepulcros. e com cruzes desenhais madeira.
carpinteiros do artifício!
esquecestes as horas da boa-espera, as madrugadas a fio, as auroras da navalha. esquecestes igualmente as praias e as rochas e as maresias; seguis caranguejos a caminho da solidão. Narcisos sem rumo, espelhos falsificados, anúncios da desgraça.
construtores da armadilha!
longe, muito longe do que é aqui, resistem prados e versos: nem as rimas vos salvarão!
que fizestes das palavras?
***
arautos dizem esquecei! lembrai-vos sempre disso!
recuperai memória, criai história, fazei acontecer! tornai ao âmago das coisas, alimentai-vos do sopro, reconstrua-se a carne: não vos falo do verbo e muito menos do adjectivo, Vaidade! Falo-vos da oração completa: voltai a desenhar as letras...
Luís Nogueira
sexta-feira, 23 de abril de 2010
O QUE DEUS LHE DEU
Um Senhor disse ao criado:
- Amanhã vamos à feira,
tu não és preciso na eira
e eu vou-te comprar um arado.
E o criado perguntou:
- Senhor e o que compro eu?
O Senhor então respondeu:
- Tu? Tu não precisas de nada,
dou-te o arado e a enxada
e já tens o que Deus te deu.
Aí o criado pensou:
- Tenho o que Deus me deu
e ele ainda me dá o arado e a enxada,
então se Deus não lhos deu
ele vai ficar sem nada.
O criado então disse:
- Senhor, não posso aceitar
aquilo que me quereis dar
e que Deus a si não deu.
- Ficai com o arado e a enxada
que embora não vos sirva para nada
eu já tenho o que Deus me deu.
O Senhor replicou:
- Não te preocupes comigo,
que isso te posso eu dar,
porque Deus é meu amigo
e criou-te para ficares comigo,
para eu não ter de trabalhar.
Por fim o criado chorou, pensou
e sozinho consigo mesmo falou:
- “COMO É BOM TER UM AMIGO”.
Leandro Santos
In: “Sons das Palavras”,
Prémio Nacional de Poesia
da Vila de Fânzeres – Gondomar -2003
- Amanhã vamos à feira,
tu não és preciso na eira
e eu vou-te comprar um arado.
E o criado perguntou:
- Senhor e o que compro eu?
O Senhor então respondeu:
- Tu? Tu não precisas de nada,
dou-te o arado e a enxada
e já tens o que Deus te deu.
Aí o criado pensou:
- Tenho o que Deus me deu
e ele ainda me dá o arado e a enxada,
então se Deus não lhos deu
ele vai ficar sem nada.
O criado então disse:
- Senhor, não posso aceitar
aquilo que me quereis dar
e que Deus a si não deu.
- Ficai com o arado e a enxada
que embora não vos sirva para nada
eu já tenho o que Deus me deu.
O Senhor replicou:
- Não te preocupes comigo,
que isso te posso eu dar,
porque Deus é meu amigo
e criou-te para ficares comigo,
para eu não ter de trabalhar.
Por fim o criado chorou, pensou
e sozinho consigo mesmo falou:
- “COMO É BOM TER UM AMIGO”.
Leandro Santos
In: “Sons das Palavras”,
Prémio Nacional de Poesia
da Vila de Fânzeres – Gondomar -2003
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quarta-feira, 21 de abril de 2010
A MINHA IDADE
são três,
as idades que trago em mim!
- a da identidade, à qual fugir não quero.
a da amargura, que da primeira faz o dobro dos invernos.
- e a mais importante de todas,
que não sei quantas primaveras tem de peso
e que me dá vigor para carregar
o desgaste físico de uma
e os males d’alma da outra.
- é a idade constante da esperança!
eduardo roseira
as idades que trago em mim!
- a da identidade, à qual fugir não quero.
a da amargura, que da primeira faz o dobro dos invernos.
- e a mais importante de todas,
que não sei quantas primaveras tem de peso
e que me dá vigor para carregar
o desgaste físico de uma
e os males d’alma da outra.
- é a idade constante da esperança!
eduardo roseira
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identidade
sexta-feira, 9 de abril de 2010
PUDESSE VOLTAR A NASCER
pudesse voltar eu,
a nascer outra vez.
queria ser o mesmo.
queria ser – eu!
bom feitio.
mau feitio.
mudo por vezes
num repente.
das virtudes sou vadio,
assim serei
eternamente.
bons momentos já vivi.
maus bocados já passei!
muita terra conheci.
mas a uma só amei.
botão de rosa
eu nasci.
hoje sou…roseira.
de tudo, quase vivi.
mas fi-lo à minha maneira.
eduardo roseira
a nascer outra vez.
queria ser o mesmo.
queria ser – eu!
bom feitio.
mau feitio.
mudo por vezes
num repente.
das virtudes sou vadio,
assim serei
eternamente.
bons momentos já vivi.
maus bocados já passei!
muita terra conheci.
mas a uma só amei.
botão de rosa
eu nasci.
hoje sou…roseira.
de tudo, quase vivi.
mas fi-lo à minha maneira.
eduardo roseira
quinta-feira, 8 de abril de 2010
DEFINIÇÃO
a mim que sou poeta,
não me peçam
para o definir.
pois por o ser,
só digo a verdade
mesmo que pareça
estar a fingir.
mas se insistem
em que vos diga
o que dos poetas
eu penso?
só vos posso dizer,
sem o real iludir .
que o poeta é um ser,
que cala sem nunca consentir!
eduardo roseira
não me peçam
para o definir.
pois por o ser,
só digo a verdade
mesmo que pareça
estar a fingir.
mas se insistem
em que vos diga
o que dos poetas
eu penso?
só vos posso dizer,
sem o real iludir .
que o poeta é um ser,
que cala sem nunca consentir!
eduardo roseira
quarta-feira, 7 de abril de 2010
UMA ESTRELA CHAMADA AMIZADE - texto colectivo
Certa vez, uma “menina estava a dormir
e a luz da Estrela entrou no seu quarto.”
Era uma ”Estrela Mágica”
tão mágica…tão mágica…
que “à noite brilha muito, muito, muito…”
O seu brilhar é tanto, que
“…dá luz ao Planeta Terra”.
A Estrela chama-se “Amizade
e é muito bonita por Amor”.
Um dia ao saber que a poluição
afligia uns amigos seus,
“A Estrela caiu no rio e sorriu para os peixes.”
Isto aconteceu porque :
“A Amizade é estar com os nossos amigos
quando precisam de nós.”
Porque :
“A Amizade não se compra constrói-se,
todos a devemos construir.”
E a melhor forma de a construir,
é unir todas as estrelas mágicas
que existem dentro de nós
e fazermos uma Estrela chamada Amizade.
eduardo roseira
Vila Nova de Gaia
23-Setembro-2004
Poema elaborado com base nas frases sobre a “Amizade” e “A Estrela Mágica”, de alunos do 1.º ano do Ensino Básico, da Escola da Praia – Santa Marinha – Vila Nova de Gaia, seleccionadas pela Professora Maria do Céu, no ano lectivo 2003/2004.
- A Amizade é muito bonita por Amor.
- A Amizade é estar com os nossos amigos quando precisam de nós.
- A Amizade não se compra constrói-se, todos a devemos construir.
- A Estrela à noite brilha muito, muito, muito…
- A Estrela brilha e dá luz ao Planeta Terra.
- A Estrela caiu no rio e sorriu para os peixes.
- A menina estava a dormir e a luz da Estrela entrou no seu quarto.
e a luz da Estrela entrou no seu quarto.”
Era uma ”Estrela Mágica”
tão mágica…tão mágica…
que “à noite brilha muito, muito, muito…”
O seu brilhar é tanto, que
“…dá luz ao Planeta Terra”.
A Estrela chama-se “Amizade
e é muito bonita por Amor”.
Um dia ao saber que a poluição
afligia uns amigos seus,
“A Estrela caiu no rio e sorriu para os peixes.”
Isto aconteceu porque :
“A Amizade é estar com os nossos amigos
quando precisam de nós.”
Porque :
“A Amizade não se compra constrói-se,
todos a devemos construir.”
E a melhor forma de a construir,
é unir todas as estrelas mágicas
que existem dentro de nós
e fazermos uma Estrela chamada Amizade.
eduardo roseira
Vila Nova de Gaia
23-Setembro-2004
Poema elaborado com base nas frases sobre a “Amizade” e “A Estrela Mágica”, de alunos do 1.º ano do Ensino Básico, da Escola da Praia – Santa Marinha – Vila Nova de Gaia, seleccionadas pela Professora Maria do Céu, no ano lectivo 2003/2004.
- A Amizade é muito bonita por Amor.
- A Amizade é estar com os nossos amigos quando precisam de nós.
- A Amizade não se compra constrói-se, todos a devemos construir.
- A Estrela à noite brilha muito, muito, muito…
- A Estrela brilha e dá luz ao Planeta Terra.
- A Estrela caiu no rio e sorriu para os peixes.
- A menina estava a dormir e a luz da Estrela entrou no seu quarto.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
QUISERA EU...
…quisera eu…
que fosses
eco
do meu silêncio.
…quisera eu…
que fosses
brilho
do meu olhar.
…quisera eu…
que fosses
o tudo
do tudo
que te quero
dar!
eduardo roseira
que fosses
eco
do meu silêncio.
…quisera eu…
que fosses
brilho
do meu olhar.
…quisera eu…
que fosses
o tudo
do tudo
que te quero
dar!
eduardo roseira
sábado, 27 de março de 2010
ALICE NO CÉU
A
Alice com imensa saudade...
quando alice
chegou ao céu
tinha à sua espera
um anjo
com um sorriso
igualzinho ao seu.
ao vê-la, disse-lhe:
- entra, alice!
que o céu
sempre te pertenceu!
bem junto
à porta da entrada,
um grupo de anjos
colocou
um banco
com ripas de madeira…
…é nele que alice
sempre sorridente,
descansa a sua
canseira…
eduardo roseira
In: "o sorriso de deus"
Imagem: Foto montagem de eduardo roseira
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Alice Vasques,
o sorriso de deus,
saudade
dois poemas - "Antes do fim" e "Fim"
ANTES DO FIM…
antes do fim
aproveitarei
todos os tubos
e sondas
com torneiras
bem abertas
para sorver
a vida…
…e…
até à última
gota de soro
serei poema…
eduardo roseira
Maia
21/Março/2010
--------------------------------------------------------------
FIM
…entre o terror da morte
e a esperança
da eutanásia…
eduardo roseira
Maia
21/Março/2010
antes do fim
aproveitarei
todos os tubos
e sondas
com torneiras
bem abertas
para sorver
a vida…
…e…
até à última
gota de soro
serei poema…
eduardo roseira
Maia
21/Março/2010
--------------------------------------------------------------
FIM
…entre o terror da morte
e a esperança
da eutanásia…
eduardo roseira
Maia
21/Março/2010
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vida
quinta-feira, 25 de março de 2010
FAMÍLIA
I
Aos meu filhos Helena e Mário.
...folha
a folha
se alicerça
o futuro
da família.
nascem folhas
em amor renovado
que colocam
as amarguras de lado...
...é a vida
na sua lógica
a alimentar
a àrvore
geneológica.
II
A meu Pai nos dois anos de partida.
...ramo
a ramo
se constrói...
a àrvore
geneológica.
ida
a
ida
de adeus
em adeus
se destrói...
penso para mim:
- esta àrvore...
"jánãoélógica" *
eduardo roseira
* palavreando o Poeta angolano, Ondjaki
Aos meu filhos Helena e Mário.
...folha
a folha
se alicerça
o futuro
da família.
nascem folhas
em amor renovado
que colocam
as amarguras de lado...
...é a vida
na sua lógica
a alimentar
a àrvore
geneológica.
II
A meu Pai nos dois anos de partida.
...ramo
a ramo
se constrói...
a àrvore
geneológica.
ida
a
ida
de adeus
em adeus
se destrói...
penso para mim:
- esta àrvore...
"jánãoélógica" *
eduardo roseira
* palavreando o Poeta angolano, Ondjaki
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domingo, 21 de março de 2010
DIA MUNDIAL DA POESIA - Brinde do Ecos do Meu Pátio, com um poema de Kim Berlusa
Hoje não falo, nem falarei
de poesia.
De tudo me alhearei
e tudo farei
para deixar a mente
completamente vazia.
A poesia é uma serpente
que se aperta e que se enleia
em torno da ideia.
A poesia é uma corrente
estranha e incerta
é uma maré
onde de repente, se não
estamos alerta
perdemos o pé.
Assim hoje decidi
que quero deixar
a mente completamente
vazia.
Por isso hoje
não falo nem
falarei de poesia!
Kim Berlusa - Porto
de poesia.
De tudo me alhearei
e tudo farei
para deixar a mente
completamente vazia.
A poesia é uma serpente
que se aperta e que se enleia
em torno da ideia.
A poesia é uma corrente
estranha e incerta
é uma maré
onde de repente, se não
estamos alerta
perdemos o pé.
Assim hoje decidi
que quero deixar
a mente completamente
vazia.
Por isso hoje
não falo nem
falarei de poesia!
Kim Berlusa - Porto
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segunda-feira, 15 de março de 2010
TEU TUDO
tua boca
sal
manhã.
teus olhos
céu
a brilhar.
tuas mãos
afago
divinal.
teu corpo
diva
sensual.
teu odor
corporal
perfume.
teu sexo
flor
eterno
desabrochar.
teu tudo…
neste
pouco
para te dar.
eduardo roseira
sal
manhã.
teus olhos
céu
a brilhar.
tuas mãos
afago
divinal.
teu corpo
diva
sensual.
teu odor
corporal
perfume.
teu sexo
flor
eterno
desabrochar.
teu tudo…
neste
pouco
para te dar.
eduardo roseira
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domingo, 14 de março de 2010
ESTA SEDE...
esta sede
de palavras
esta sede
de carícias
esta sede
que trago
na sede
que tenho
de ti…
de palavras
esta sede
de carícias
esta sede
que trago
na sede
que tenho
de ti…
sexta-feira, 12 de março de 2010
PASSO A PASSO
passo a passo
descanso
o cansaço
na ternura
do teu regaço.
o teu abraço
dá-me espaço
único
para te
declamar.
eduardo roseira
descanso
o cansaço
na ternura
do teu regaço.
o teu abraço
dá-me espaço
único
para te
declamar.
eduardo roseira
quinta-feira, 11 de março de 2010
CARTA AO MEU FILHO - escrita à treze anos.
Porto, 11 de Março de 1997
Meu querido menino,
Já lá vão oito meses, desde quando a tua Mãe foi fazer a primeira ecografia, a qual nos mostrou que estava tudo bem e que eras rapaz. Só queria que tivesses visto a sempre sorridente cara da tua mãe a conter o maior sorriso que algum dia lhe tinha visto, ao mesmo tempo que, conhecendo-a como conheço, ouvi dentro do seu peito a soltar-se um enorme grito, bem na moda de: - «yESsss!!!». Eu, pela minha parte nem sei como consegui reprimir uma lágrima de felicidade que se ficou pelo canto do olho, ao mesmo tempo que o meu coração batia bem mais forte ao receber tão boa notícia.
De imediato, começamos a fazer projectos em tons de azul-bébé!
Hoje ao fim de nove meses e alguns dias de gestação normal, nasceste com uma boa batida de coração, com quatro quilos e a medir cinquenta e dois centímetros e meio. Graças a Deus, com saúde! A tua Mãe está bem.
Nunca esquecerei o momento em que a enfermeira-parteira te colocou nos meus braços. Estavas a dormir tranquilamente como um anjo. Se é que os anjos dormem. Ao pegar-te, senti não o teu peso, mas sim o da responsabilidade por te guiar nos primeiros passos da tua vida, desde as noites em que com dores nos irás “atrapalhar” o sono e nós quase sem saber o que mais te fazer para as mesmas passarem; depois virão as gracinhas; as primeiras palavras; o primeiro passito e tudo o mais que irás fazendo ao longo do teu crescimento. Até que um dia, já contigo a “palrar” que nem um papagaio, chegará a altura das interrogações naturais que te irão surgindo com o passar dos dias e então colocarás imensos porquês!? Para uns as respostas ser-te-ão dadas de imediato, de tão evidentes que são as questões, outras porém, ficarão sem qualquer resposta. É que há certos “porquês” que não tem “porquê” de existir, tais como:
- Os meninos sem pão! Os meninos com guerra! Os meninos sem a alegria de um Lar! Os meninos sem amor!
A estes e a outros “porquês” não te saberei dar respostas concretas e infelizmente sou levado a crer que nos muitos anos que tens à tua frente, nunca encontrarás respostas ou alguém que tas saiba dar. Nem mesmo por parte daqueles que:
- Negam o pão aos meninos! Lhes dão guerras como prendas! Se recusam a ser pais! Não lhes dão amor! - Negando assim aos meninos o que há de mais belo, que é, o deixá-los ser meninos!
Penso que talvez o façam porque também eles nunca o foram. Da minha parte, espero vivamente que ao aperceberes-te de tudo isto não te tornes frio e cruel, e que mesmo quando fores homem, continues com a pureza dos meninos durante toda a tua vida. Por mim, peço a Deus que me ajude a dar-te a meninice a que naturalmente tens direito.
Beijos e carinhos para ti, meu menino, do Pai amigo.
(Eduardo Roseira)
P.S.- Ah! Já me esquecia, beijos da tua Mãe Maria José e muitos miminhos da tua irmã Helena Sofia.
Meu querido menino,
Já lá vão oito meses, desde quando a tua Mãe foi fazer a primeira ecografia, a qual nos mostrou que estava tudo bem e que eras rapaz. Só queria que tivesses visto a sempre sorridente cara da tua mãe a conter o maior sorriso que algum dia lhe tinha visto, ao mesmo tempo que, conhecendo-a como conheço, ouvi dentro do seu peito a soltar-se um enorme grito, bem na moda de: - «yESsss!!!». Eu, pela minha parte nem sei como consegui reprimir uma lágrima de felicidade que se ficou pelo canto do olho, ao mesmo tempo que o meu coração batia bem mais forte ao receber tão boa notícia.
De imediato, começamos a fazer projectos em tons de azul-bébé!
Hoje ao fim de nove meses e alguns dias de gestação normal, nasceste com uma boa batida de coração, com quatro quilos e a medir cinquenta e dois centímetros e meio. Graças a Deus, com saúde! A tua Mãe está bem.
Nunca esquecerei o momento em que a enfermeira-parteira te colocou nos meus braços. Estavas a dormir tranquilamente como um anjo. Se é que os anjos dormem. Ao pegar-te, senti não o teu peso, mas sim o da responsabilidade por te guiar nos primeiros passos da tua vida, desde as noites em que com dores nos irás “atrapalhar” o sono e nós quase sem saber o que mais te fazer para as mesmas passarem; depois virão as gracinhas; as primeiras palavras; o primeiro passito e tudo o mais que irás fazendo ao longo do teu crescimento. Até que um dia, já contigo a “palrar” que nem um papagaio, chegará a altura das interrogações naturais que te irão surgindo com o passar dos dias e então colocarás imensos porquês!? Para uns as respostas ser-te-ão dadas de imediato, de tão evidentes que são as questões, outras porém, ficarão sem qualquer resposta. É que há certos “porquês” que não tem “porquê” de existir, tais como:
- Os meninos sem pão! Os meninos com guerra! Os meninos sem a alegria de um Lar! Os meninos sem amor!
A estes e a outros “porquês” não te saberei dar respostas concretas e infelizmente sou levado a crer que nos muitos anos que tens à tua frente, nunca encontrarás respostas ou alguém que tas saiba dar. Nem mesmo por parte daqueles que:
- Negam o pão aos meninos! Lhes dão guerras como prendas! Se recusam a ser pais! Não lhes dão amor! - Negando assim aos meninos o que há de mais belo, que é, o deixá-los ser meninos!
Penso que talvez o façam porque também eles nunca o foram. Da minha parte, espero vivamente que ao aperceberes-te de tudo isto não te tornes frio e cruel, e que mesmo quando fores homem, continues com a pureza dos meninos durante toda a tua vida. Por mim, peço a Deus que me ajude a dar-te a meninice a que naturalmente tens direito.
Beijos e carinhos para ti, meu menino, do Pai amigo.
(Eduardo Roseira)
P.S.- Ah! Já me esquecia, beijos da tua Mãe Maria José e muitos miminhos da tua irmã Helena Sofia.
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quarta-feira, 10 de março de 2010
procuro por ti...
procuro por ti
e pergunto às palavras
o porquê da tua ausência.
onde estás?
do vento,
que me traz
o odor do teu corpo,
não ouço
um sinal
sequer.
inquietantes
e angustiosos
são os instantes
que me trazem
a tua lembrança.
onde estás?
que te sei!
mas não encontro?
...de repente,
num assombro,
o sol disse-me de ti!
...e foi quando te vi,
como sempre,
a escutares a minha voz,
aninhada à sombra
das minhas palavras!
eduardo roseira
e pergunto às palavras
o porquê da tua ausência.
onde estás?
do vento,
que me traz
o odor do teu corpo,
não ouço
um sinal
sequer.
inquietantes
e angustiosos
são os instantes
que me trazem
a tua lembrança.
onde estás?
que te sei!
mas não encontro?
...de repente,
num assombro,
o sol disse-me de ti!
...e foi quando te vi,
como sempre,
a escutares a minha voz,
aninhada à sombra
das minhas palavras!
eduardo roseira
segunda-feira, 8 de março de 2010
POEMA MULHER
mulher – mãe - canção do nosso embalar
mulher - encanto - de todos os momentos
mulher – amor – no dar e receber
mulher – oração – sentido mor do nosso rezar
mulher – maior – de todos os sentimentos
mulher - poema - escrito ao amanhecer
eduardo roseira
mulher - encanto - de todos os momentos
mulher – amor – no dar e receber
mulher – oração – sentido mor do nosso rezar
mulher – maior – de todos os sentimentos
mulher - poema - escrito ao amanhecer
eduardo roseira
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domingo, 7 de março de 2010
não há passado que me prenda....
não há passado que me prenda
não há futuro que me iluda
só há presente que me ata
apenas o momento…
…me liberta!…
eduardo roseira
não há futuro que me iluda
só há presente que me ata
apenas o momento…
…me liberta!…
eduardo roseira
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sábado, 6 de março de 2010
SENTINDO OS SENTIRES
A Leida Coelho
cumprir os dias
remar as marés
atropelar a pressa
fintar a espera
iludir o destino
repartir o silêncio
mastigar a saudade
queimar as lágrimas
resgatar a indiferença
aceitar as intempéries
abraçar o sol
escutar a tristeza
amanhecer as nuvens
afagar o berço
ver os olhares
ecoar o amor
sentir os sorrisos
e tudo fazer
sentindo os sentires.
eduardo roseira
cumprir os dias
remar as marés
atropelar a pressa
fintar a espera
iludir o destino
repartir o silêncio
mastigar a saudade
queimar as lágrimas
resgatar a indiferença
aceitar as intempéries
abraçar o sol
escutar a tristeza
amanhecer as nuvens
afagar o berço
ver os olhares
ecoar o amor
sentir os sorrisos
e tudo fazer
sentindo os sentires.
eduardo roseira
sexta-feira, 5 de março de 2010
terça-feira, 2 de março de 2010
VOTEM NO PALAVRAS VIVAS
Caros visitantes,
quero-vos pedir para apoiarem o meu projecto de performer poética "Palavras Vivas", votando no meu blog, clicando em:
www.superbock.pt/SuperBrand/Super_Blog_Awards_2009/Votar.aspx?blog=559aee6d-4b2d-4826-bc4f-197d87068340
MAIS DO QUE TER VOTOS NO REFERIDO CONCURSO, COM O VOSSO VOTO ESTÃO A AJUDAR-ME A DIVULGAR O PROJECTO DE POESIA.
A minha gratidão para todos vós.
Abraço,
eduardo roseira
quero-vos pedir para apoiarem o meu projecto de performer poética "Palavras Vivas", votando no meu blog, clicando em:
www.superbock.pt/SuperBrand/Super_Blog_Awards_2009/Votar.aspx?blog=559aee6d-4b2d-4826-bc4f-197d87068340
MAIS DO QUE TER VOTOS NO REFERIDO CONCURSO, COM O VOSSO VOTO ESTÃO A AJUDAR-ME A DIVULGAR O PROJECTO DE POESIA.
A minha gratidão para todos vós.
Abraço,
eduardo roseira
segunda-feira, 1 de março de 2010
PASSAPORTE
alba
esbelta
figura
corpo sereia
semblante risonho
cais de embarque
com destino
ao delírio
e passaporte
para o sonho!
eduardo roseira
esbelta
figura
corpo sereia
semblante risonho
cais de embarque
com destino
ao delírio
e passaporte
para o sonho!
eduardo roseira
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domingo, 28 de fevereiro de 2010
DE TANTO TE AMAR
tremem-me as mãos,
quando te afago o rosto.
tremem-me os lábios,
quando beijo os teus.
tremem-me os olhos,
quando os fixo, nos teus a brilhar.
treme-me o corpo
quando me estreitas num abraço.
tudo me treme,
quando junto a ti estou.
tudo, menos a alma
e o meu coração,
onde guardo este imenso amor,
que tenho por ti.
e quando me perguntas,
porque tremo?
suspendo o meu falar,
sorrio e digo-te:
- não sei?!
engano-te!
pois as minhas tremuras,
são apenas ternuras,
de tanto te amar!
eduardo roseira
quando te afago o rosto.
tremem-me os lábios,
quando beijo os teus.
tremem-me os olhos,
quando os fixo, nos teus a brilhar.
treme-me o corpo
quando me estreitas num abraço.
tudo me treme,
quando junto a ti estou.
tudo, menos a alma
e o meu coração,
onde guardo este imenso amor,
que tenho por ti.
e quando me perguntas,
porque tremo?
suspendo o meu falar,
sorrio e digo-te:
- não sei?!
engano-te!
pois as minhas tremuras,
são apenas ternuras,
de tanto te amar!
eduardo roseira
sábado, 27 de fevereiro de 2010
PARTITURA
chegas...
como música.
teu olhar – batuta
comanda todos os instantes – andamentos.
permaneces...
nota a nota
em suaves movimentos – melodia.
tua suave voz – canto
é composição
que permanece doce – musical.
és partitura de encanto.
eduardo roseira
como música.
teu olhar – batuta
comanda todos os instantes – andamentos.
permaneces...
nota a nota
em suaves movimentos – melodia.
tua suave voz – canto
é composição
que permanece doce – musical.
és partitura de encanto.
eduardo roseira
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
EU
preso,
mas desprendido.
de sentir
pleno
e baú vazio.
com beira,
mas eternamente
vadio.
acorrentado,
mas livre!
sou eu!
porque sem medo
da liberdade
que comigo nasceu.
eduardo roseira
mas desprendido.
de sentir
pleno
e baú vazio.
com beira,
mas eternamente
vadio.
acorrentado,
mas livre!
sou eu!
porque sem medo
da liberdade
que comigo nasceu.
eduardo roseira
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
DE MÃOS ABERTAS
de mãos abertas
entreguei-me a ti
de corpo inteiro
e alma límpida.
apenas lamento
ter nas minhas
mãos abertas
um deserto
para te dar.
… e tu ensinaste-me
o verbo amar!
eduardo roseira
(imagem: sapo.pt)
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
FOI...
foi do nordeste
que soprando
o vento
soletrou o teu nome.
foi do sul
que o vento
me empurrou
até norte
levando-me a uma
terra quente
e de sorte.
foi amor
que reciclou
a minha vida
curando a dor
duma alma
ferida.
foi o vento…
foi o amor…
foi…
- foste tu
meu amor!
minha vida!
eduardo roseira
que soprando
o vento
soletrou o teu nome.
foi do sul
que o vento
me empurrou
até norte
levando-me a uma
terra quente
e de sorte.
foi amor
que reciclou
a minha vida
curando a dor
duma alma
ferida.
foi o vento…
foi o amor…
foi…
- foste tu
meu amor!
minha vida!
eduardo roseira
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
...o poema escrever...
o poema escrever…
como quem esculpe a pedra
talha a madeira
borda o tule.
o poema sentir…
como quem pinta um quadro
molda o barro
tece o linho...
… e assim
palavra a palavra
com a pena
no papel cerzir
letra a letra
o poema…
eduardo roseira
como quem esculpe a pedra
talha a madeira
borda o tule.
o poema sentir…
como quem pinta um quadro
molda o barro
tece o linho...
… e assim
palavra a palavra
com a pena
no papel cerzir
letra a letra
o poema…
eduardo roseira
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
...é redondamente...
...é redondamente
espantoso
o estado deste
circulo vicioso
...que silenciosamente
falado
se transformou
em circuito viciado...
eduardo roseira
espantoso
o estado deste
circulo vicioso
...que silenciosamente
falado
se transformou
em circuito viciado...
eduardo roseira
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domingo, 21 de fevereiro de 2010
(ar)RISCAR
(ar)riscar o poema
abrir a palavra ao mundo
partilhar a pena…
eduardo roseira
In: "ao ritmo da lua",
a publicar
abrir a palavra ao mundo
partilhar a pena…
eduardo roseira
In: "ao ritmo da lua",
a publicar
sábado, 20 de fevereiro de 2010
FERNANDO PINTO RIBEIRO - Um ano de saudade
Em memória do Poeta Fernando Pinto Ribeiro
N. - Guarda - 1928
F. - Lisboa - 20/2/2009
NOITES PERDIDAS
Ao António Mourão
Noites perdidas no sonho
em que morrendo suponho
que vale a pena viver
Noites em que eu me encontrei
tão perdido que me achei
sem sequer me conhecer
Noites de bruma e de breu
em que eu deixei de ser eu
para ser quem sou agora
Noites de luta sangrenta
da treva que me alimenta
com a luz que me devora
Noites das tardas vielas
na solidão das janelas
olhando o mar e a lua
Noites de fogo e de frio
que me inundam como um rio
a transbordar pela rua
Noites do amor feito crime
que me condena e redime
do pecado de viver
Noites em que eu me encontrei
tão perdido que já sei
que vale a pena morrer.
Fernando Pinto Ribeiro
In: “Viola Delta XXVII – Poemas sobre Lisboa”,
Lisboa, 1999 – Coordenação de Fernando Grade.
(versão alterada em 2002, em manuscrito enviado
para publicação no “lavra… Boletim de Poesia”)
Dois poemas que lhe foram dedicados no site “Tributo a Fernando Pinto Ribeiro”
MORREU!
O Poeta morreu.
O Homem
deixou que a vida se fosse
e a morte
oportuna
oportunista
tomou lugar.
O Poeta foi
mas deixou lugar marcado
cativo, o lugar
de ficar aqui
A morte até pode tê-lo feito ir embora
pode
a morte só não nos obriga
a esquecer que neste lugar
aqui
com as palavras que foram as suas
fica o Poeta que não morre!...
Belmira Alves Besuga
Montemor-o-Novo
In: fernandopintoribeiro.no.comunidades.net
ninguém apaga as letras
o suor escrito
o pensamento despido
nu
eis que o poeta parte: desta vez
não podemos ir com ele
aprender a dividir ponto e vírgula; da próxima
vez
esperará por nós na estação do Eu:
afinal o poeta nunca morreu!
luís nogueira
VNGaia
In: fernandopintoribeiro.no.comunidades.net
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
JÁ TEMOS CORONEL - A Censura pode estar descansada
Segundo o PGR – Procurador Geral da República, “Tentar alterar a linha editorial de Órgãos de Comunicação para não serem hostis ao Governo, não é crime de atentado ao Estado de Direito.”
Sendo assim, das duas uma, ou o referido senhor não leu o Artigo 38.º da Constituição da República, no seu n.º 4, que refere:
- “O Estado assegura a liberdade e a independência dos órgãos de comunicação social perante o poder político e o poder económico, impondo o princípio da especialidade das empresas titulares de órgãos de informação geral, tratando-as e apoiando-as de forma não discriminatória e impedindo a sua concentração, designadamente através de participações múltiplas ou cruzadas.”
Se por acaso(!) o leu, pura e simplesmente e a coberto do seu cargo, está a ignorar gravemente a Constituição da República Portuguesa.
Perante mais uma atitude de sem vergonhice, resta-me dizer que a Censura pode estar descansada, pois já temos Coronel, chama-se Pinto Monteiro.
eduardo roseira
(Imagem: sapo.pt)
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
CLARAMENTE OCULTA
Começaram ontem (17/2/2010) as reuniões da Comissão de Ética, na Assembleia da República, com audições que prometem, qual pilhas “Duracel”, durar…durar…durar…, isto a ver pela quantidade de pessoas a serem ouvidas, cuja lista, ao que se noticia, ultrapassa a meia centena.
As referidas audições, primeiramente requeridas pelo PSD, para que se discuta a Liberdade de Expressão, e logo de seguida, com mais dois requerimentos, apresentados pelo PS, um para que se alargasse o tema da discussão, incluindo a realidade actual da Comunicação Social, abordando a transparência da propriedade dos Órgãos de Comunicação Social (OCS); da influência dos poderes económicos e políticos e da precariedade dos vínculos laborais. O segundo requerimento, é para que sejam ouvidos os dois jornalistas do “Público” que foram autores da notícia sobre as “Escutas a Belém”.
A meu ver estes dois requerimentos apresentados pelo PS, independentemente da importância de alguns temas, cheiram-me a encomenda para que se desviem as atenções e muito especialmente para que todas as audições se prolonguem por muito tempo, tal como já nos habituamos noutros casos…
Eu não conheço todos os nomes da listinha, mas como entendo ser dever patriótico ajudar a Comissão de Ética, quanto mais não seja para que não seja acusada de falta da mesma, dou umas dicas para aumentar a lista, ou seja, porque não chamarem jornalistas e outras entidades destes casos polemicamente noticiados, como por exemplo: - Casa Pia; Independente; Freeport; ou mesmo Camarate, quem sabe se até o caso dos Jornalistas despedidos injusta e abusivamente, das Rádios Placard, do Porto e Miramar, de Lisboa, contra um outro “Polvo” que tem vindo a crescer, com o assobiar para o lado dos nossos políticos, chamado IURD, ou mesmo até, com a interferência divina(?) destes pastores, conseguir ouvir em audiência a saudosa Dona Vera Lagoa, sobre os muitos e bem polémicos casos publicados nos Jornais “O Diabo” e “Sol”…
Assim, com esta minha ajudinha contribuo para aquilo que está mesmo à vista, e que o PS e o seu (des)Governo pretendem com o “alargamento da discussão”, que é manter o caso, discutido eternamente na Comissão de Ética, duma forma CLARAMENTE OCULTA.
eduardo roseira
As referidas audições, primeiramente requeridas pelo PSD, para que se discuta a Liberdade de Expressão, e logo de seguida, com mais dois requerimentos, apresentados pelo PS, um para que se alargasse o tema da discussão, incluindo a realidade actual da Comunicação Social, abordando a transparência da propriedade dos Órgãos de Comunicação Social (OCS); da influência dos poderes económicos e políticos e da precariedade dos vínculos laborais. O segundo requerimento, é para que sejam ouvidos os dois jornalistas do “Público” que foram autores da notícia sobre as “Escutas a Belém”.
A meu ver estes dois requerimentos apresentados pelo PS, independentemente da importância de alguns temas, cheiram-me a encomenda para que se desviem as atenções e muito especialmente para que todas as audições se prolonguem por muito tempo, tal como já nos habituamos noutros casos…
Eu não conheço todos os nomes da listinha, mas como entendo ser dever patriótico ajudar a Comissão de Ética, quanto mais não seja para que não seja acusada de falta da mesma, dou umas dicas para aumentar a lista, ou seja, porque não chamarem jornalistas e outras entidades destes casos polemicamente noticiados, como por exemplo: - Casa Pia; Independente; Freeport; ou mesmo Camarate, quem sabe se até o caso dos Jornalistas despedidos injusta e abusivamente, das Rádios Placard, do Porto e Miramar, de Lisboa, contra um outro “Polvo” que tem vindo a crescer, com o assobiar para o lado dos nossos políticos, chamado IURD, ou mesmo até, com a interferência divina(?) destes pastores, conseguir ouvir em audiência a saudosa Dona Vera Lagoa, sobre os muitos e bem polémicos casos publicados nos Jornais “O Diabo” e “Sol”…
Assim, com esta minha ajudinha contribuo para aquilo que está mesmo à vista, e que o PS e o seu (des)Governo pretendem com o “alargamento da discussão”, que é manter o caso, discutido eternamente na Comissão de Ética, duma forma CLARAMENTE OCULTA.
eduardo roseira
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
abraçar as manhãs...
abraçar as manhãs
sorrir para as nuvens
piscar o olho ao sol
afagar o rio
falar às gaivotas
…este o acordar
natural
de todos os meus dias…
eduardo roseira
In: "ao ritmo da lua", no prelo.
(imagem: sapo.pt)
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
...DOS CÃES...
"Conheço os cães
que ladram
ao poder"
Albano Martins, in "A Cicuta e o Mosto"
...sabemos
dos cães
que ladram
ao passar da caravana.
impávido
o poder
permanece
no cinzento
do seu trono.
Lúcio S. O. Jesus
que ladram
ao poder"
Albano Martins, in "A Cicuta e o Mosto"
...sabemos
dos cães
que ladram
ao passar da caravana.
impávido
o poder
permanece
no cinzento
do seu trono.
Lúcio S. O. Jesus
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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
VIDA DE CÃO - crónica
O dia estava de Sol que parecia brasa e penso que talvez por efeitos do imenso calor que se fazia sentir, assisti a uma cena que passo a relatar:
- Um cão a ser posto para fora de um café, aos pontapés.
De rabo entre as pernas e aos latidos o pobre animal lá foi à sua vida.
Eu, quase fiquei raivoso com o que assisti e pensei com os meus botões que se esse cão falasse, pela certa que vos dirigiria palavras como estas:
“- Eu sou o…bem, não tenho nome nenhum. Por vezes chamam-me de rafeiro ou “jeco”, outras vezes, de vira-latas e vadio. Há quem diga até, que sou cão que não conhece o seu dono.
Sim! Realmente não conheço, pois não o tenho, o que um dia pensei ter, foi de férias e nunca mais o vi, e cá para nós, dispenso muito bem alguns outros “donos” como esse, e que por aí abundam. Porque esses são piores do que eu!
Ou seja, são donos que não (re)conhecem o seu cão!
Acreditem que não me queixo da vida que levo e por vezes até me dá vontade de rir, a bom rir, com certas coisas que ouço e vejo, como por exemplo esta:
- Aqui Há uns dias atrás, passou por mim um senhor muito bem vestido e a exalar um cheiro a perfume de marca, que ao ver-me com o pelo um pouco sujo e mal arranjado, me afastou dele com duas valentes biqueiradas, ao mesmo tempo que me apelidava de porco.
- Porco? A mim que até sou cão! – Realmente eu estava sujo, mas não cheirava mal, tinha um aspecto desarranjado é certo, mas eu não tenho direito a um ossito, quanto mais a usar perfume… para disfarçar os maus ododres, nem a usar roupas para esconder a sujidade, contudo garanto-vos que sempre que encontro um riacho ou poça de água limpa onde me possa lavar, não preciso de ninguém para me ajudar a fazê-lo.
Dizem que todos precisamos de um amigo e de um companheiro fiel para nos apoiar. Mas até a isso eu acho graça e por vezes interrogo-me sobre:
- Quem é que precisa mais de quem?
- Será o cão que precisa do Homem, ou este que precisa mais do chamado “fiel amigo”?
Sobre este assunto, permitam-me dar apenas um outro exemplo:
- O cão é companheiro fiel e constante dos cegos! Em contrapartida, o que é que se faz quando este fica cego?
Pura e simplesmente, porque passa de fiel a empecilho…
- ABATE-SE!!!!
E todos nós somos, dizem, seres com direito à vida.
Eu sei que também se diz, que uns são racionais e outros irracionais. Mas, se me dão licença, também disto eu me rio. Então para uns existe o “direito” à Eutanásia e para outros é pecado, ou pior, é crime.
Bem, deixando-me de filosofias caninas e passando à realidade, quero que fiquem bem assentes estes meus desejos:
- Não quero ser um cão com nome pomposo!
- Não quero ser um cãozinho de luxo que vive cercado de mimos e mordomias!
- Não quero ser um cão amestrado, que vai a concursos por meros caprichos e vaidades do seu donos!
-Não! Eu não quero ser nada disto!
- Quero sim, que me reconheçam como cão e não como objecto descartável!
- Quero continuar a ser o vadio, o vira-latas…, enfim tudo o que me quiserem chamar!...mas por muito incrível que vos possa parecer, pouco me importa que volte a ser escorraçado dos cafés, ou que os “dignos senhores” me cumprimentem (?) à biqueirada, porque quero continuar sem nome, mas LIVRE!!!
eduardo roseira
(imagem: sapo.pt)
domingo, 14 de fevereiro de 2010
JASMIM!?
conheci uma catraia,
seu nome era jasmim.vestia sempre de saia,
nunca vira outra assim.
seu olhar, lindo de ver.
seu corpo, ai, nem falar.
logo me fizeram tremer,
em ânsia louca d’amar.
meus olhos fitaram os dela,
foi o amor que estalou.
nunca vira coisa tão bela.
tremi, quando o olho me piscou.
daí a declarar-me,
foi coisa de um instante.
com o amor, a queimar-me,
abordei-a de rompante.
disse-lhe num grito incontido:
- amo-te! sou louco por ti !
ela segredou-me ao ouvido:
- oh, filho, eu sou um travesti!!!
Foto de: eduardo roseira
eduardo roseira
sábado, 13 de fevereiro de 2010
LÁ VAI ARTUR
lá vai artur,
lá vaicom um rolo de serpentinas
na mão.
lá vai artur,
lá vai
vestindo a fantasia,
que é o desengano
por um dia,
da máscara que usa
ao longo do ano.
lá vai artur,
lá vai
com um molho de confetis
junto ao coração.
lá vai artur,
lá vai
a caminho do salão,
levando por vontade,
a de num dia só,
tirar desforra
de 364 de ilusão.
lá vai artur,
lá vai.
cerveja e mais cerveja,
afogando as acumuladas mágoas
da luta por um lugar ao Sol,
entre intrigas
e muita, muita inveja.
lá vai artur,
lá vai
dançando ao som
das notas musicais
da “banda realidade”.
dança.
requebra.
balança.
samba após samba
entre risos,
confetis,
serpentinas
e imensa alegria.
.................................................
...até que...
raios!
a “realidade” tocou
o seu último samba.
já é dia.
que castigo.
caramba!
.................................................
lá vai artur,
lá vai.
fantasia trocada.
agora trajando
fato,
gravata
e sapato a condizer,
p’ra ninguém dizer mal
nos dias e dias
deste imenso carnaval.
lá vai artur,
lá vai........
eduardo roseira
(imagem: sapo.pt)
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
OS MINISTROS À VOLTA DA GAMELA
Com os vícios que vieram do passado
os ministros vivem à grande e à francesa,fazem viagens, passeios por todo o lado,
depressa atingem cada vez maior riqueza.
Com os lábios de dizer novos discursos
debitam frases inteiras, decoradas,
põem o povo a jogar o pau c'os ursos,
nas eleições fazem promessas descaradas.
REFRÃO
Os ministros à volta da gamela
vão aprender novas maneiras de enganar,
vão aprender como se faz uma barrela
com mais impostos para o povo se lixar.
Com os sorrisos mais bonitos da TV
dizem sempre que a vida vai melhorar,
mas a verdade é bem diferente e o que se vê
é sempre o peço das coisas a aumentar.
Carregam com impostos sobre a gente
mas sobretudo àquele que trabalha,
fogem ao fisco da forma mais indecente
mas quem se lixa, quem mais paga é a maralha.
REFRÃO
Os ministros à volta da gamela
vão aprender novas maneiras de enganar,
vão aprender como se faz uma barrela
com mais impostos para o povo se lixar.
Com palavras sempre novas, rebuscadas,
e adaptadas para os tempos actuais
vão inventando formas mais sofisticadas
para apertar-nos o cinto cada vez mais.
E nós contentes continuamos a aplaudir
e, quando chega o dia das eleições
a mesma asneira voltamos a repetir
até que um dia nos apertem os c_ _ _ _ _ _
REFRÃO
Os ministros à volta da gamela
vão aprender novas maneiras de enganar,
vão aprender como se faz uma barrela
com mais impostos para o povo se lixar.
Letra: Fernando Peixoto
Música: “ Os Meninos à Volta da Fogueira”, de Paulo de Carvalho
In: “Colecção Literatura d’ agrafo”, lavra…Editorial, VNGaia, 2004
Imagem: "Polvotachus", colagem de eduardo roseira
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
POBREZA ENVERGONHADA
“…isto é uma agonia!...
Lá em casa… as pessoas já não falam... já não riem…” – suspiro triste.
Confidenciou “Daniela”, com as lágrimas quase a saltar dos olhos castanhos, soltando um acrescento ao abafado grito…que a sua timidez e vergonha guardava desde que está no desemprego, vai para quase dois anos.
“…nós até tínhamos um bom rendimento, hoje, o que fazer com seiscentos euros por mês para quatro pessoas e casa a pagar?...”
Esta a história de “José” e “Daniela”, um casal de desempregados, após terem sido despedidos, por falência da empresa onde trabalhavam.
Ambos com cinquenta e poucos anos, com dois filhos, uma rapariga de vinte anos, estudante e um rapaz de vinte e oito anos, com um curso superior e à espera do primeiro emprego…
Este o retrato de uma das muitas situações que existem neste país… onde cada vez há mais famílias que não encontram vontade de falar e forças para sorrir.
Recuso-me a tecer quaisquer comentários, não por falta de palavras, mas sim pelo respeito que os que me lerem, merecem….
eduardo roseira
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
NORMA DE REQUERIMENTO
“Há pessoas que são autênticos requerimentos ambulantes de infelicidade.”
Fernando Tavarespega-se numa caneta
em forma de dedo acusador,
com a qual se escreve
num papel de vinte e cinco
rugas de amarguras,
todas as maleitas,
azares e quejandos.
depois da graça.
em relatório imenso,
seguem-se à desfilada,
num metralhar intenso
as dores que se sentem
por tudo e por nada,
a par daquelas que não as tendo...
...se consentem.
sem nada olvidar,
desfiam-se todas as dores:
- as que a custo nos põe a pensar
e as que fazem de nós, uns estupores.
- as que nos ferem a alma.
- as que nos causam transtorno.
- as que nos levam a calma
e mesmo até as dores de corno.
puxando ao sentimento,
segundo o grau de infelicidade
e inspiração de momento.
apela-se à caridade.
a finalizar, em confrangedor
choro de sofrimento.
ao primeiro que se encontre,
em tom sofredor,
pede-se deferimento.
mas, caso a sua reacção
seja de incrudelidade.
atira-se-lhes com um rotundo: - NÃO!
- olhe, que eu sou:
- um requerimento de infelicidade!!!
eduardo roseira
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
MOÇAMBIQUE
traz futuro no olhar.
no peito guarda a esperança.
seus sonhos são imenso mar,
numa alma de criança.
de figura escultural
e bela.
com uma cintura delgada,
porte senhoril
e altaneiro.
corpo bem torneado
e de elegância divinal.
plena d’encantos,
rica e amável.
simples e de riso prazenteiro
na sua face rosácea.
forte como o embondeiro.
seu perfume,
mescla de caju e acácia.
sempre “chunguila”(1) de chique!
de seu nome :
- moçambique
(1) – Bonita; linda
eduardo roseira
In: osorrisodedeus.blogspot.com
(imagem: sapo.pt)
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domingo, 7 de fevereiro de 2010
AO ABOMIN(hábil...)
abomino
estes pedantes
senhores,
que tal como o cão
usa a trela,
passeiam a sua gravata,
sempre de ar risonho.
enquanto nós,
que caímos na esparrela
de ouvirmos a “cantata”
ao voto que não
conhece dono.
abomino
estas novas
reumáticas elites
do marketing da potassa.
que abusam no
discursar,
para a opinião
calar
com uma tele-mordaça.
abomino
estes hábeis
senhores,
que em “demo”…cráticas
orgias,
de forma astuta,
tornaram a liberdade
numa grotesca
e reles prostituta.
eduardo roseira
(imagem: sapo.pt)
sábado, 6 de fevereiro de 2010
"HOMO AGACHADINHUS"
este é o drama
da influência
mais os favores
que montam o trama
da nossa falência
e do adeus aos valores.
tudo em nome do santo cifrão,
a par de muita usura,
levam-nos o dinheiro,
numa imensa corrupção,
que aliada à vil censura
nos leva p'ró atoleiro.
reina assim a confusão
a par da teimosia.
roubam-nos o pão
nesta cleptocracia.
Portugal dos pequenos seres mansos
e eternamente servis.
os "zés", povo, viraram tansos,
porque perderam a cerviz.
país travestido em lodaçal,
onde os pulhíticos só dão pus.
tornando o nosso Portugal
no país do "Homo agachadinhus"!!!
eduardo roseira
(imagem: "Subservient", de Sue Wickham/sapo.pt)
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
TIRO AO CALENDÁRIO
início do mês
pagar contas
com dinheiro
que não vês…
meio do mês
e eu teso
sem cheta
mais uma vez…
final do mês
pouco dinheiro
outra e…
mais uma vez…
é assim mês após mês
em verdadeiro suplício
invento o meu salário
sempre e mais uma vez
num constante exercício
de tiro ao calendário…
eduardo roseira
(Imagens: sapo.pt)
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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
CALHANDRICES - Agradecimento ao Ministro Jorge Lacão
Estava eu a pensar cá com os meus botões, sobre o que é que este governo, já com cem dias, nos tinha oferecido que fosse digno de ser tido como coisa boa.
Pensei…pensei e já quase a desistir, por falta de encontrar algo de bom, quando de repente ouvi o Senhor Ministro dos Assuntos Parlamentares, referindo-se à crónica de Opinião do Mário Crespo, como sendo uma “calhandrice”.
E eu já a afiar a “pena” para desancar no governo por em cem dias não ter tido nada de bom, quando graças ao Senhor Ministro, eu, e pela certa muitos milhares de portugueses, desatamos a correr para as estantes a pegar nos dicionários para procurar o significado de tal palavra.
Esta é uma das coisas mais significativas oferecida por este governo a todos os portugueses, pois aprendemos mais um termo, que vai de certeza, entrar no léxico de muitos discursos na Assembleia da República e irá também ser “esmiuçado” pelos “Gatos Fedorentos” e logo passar a ser usado, por tudo e por nada pelo Zé Povinho.
Obrigado, querido Ministro! Fui ao dicionário por causa de uma só palavra que Vossa Excelência disse, sendo você o primeiro político que com uma única palavra mexeu comigo. Mais uma vez obrigado!
Mas já agora quero partilhar com todos vós a descoberta que fiz acerca da palavra “calhandrice”. A mesma vem de “calhandra”, o mesmo que “calandra”, e o seu significado, no entendimento do Ministro Jorge Lacão, é segundo o “tira-teimas”, a seguinte: Calhandra ou Calandra – Espécie de grande Cotovia de bico forte e voo rasteiro.
É bom de ver, onde é que o senhor Jorge Lacão pretendia chegar, só que quando falou de “calhandrice”, não olhou para si e para os seus pares de governação, pois juntamente com o Primeiro Ministro José Socrates, são parte integrante da “calhandrice”, que tem sido levada a cabo por uma bem montada máquina, designada de: CALANDRA, que segundo os dicionários é, nem mais nem menos do que uma:
- Máquina própria para ALISAR, lustrar ou acetinar PAPEL e tecido.
Pelo que concluí, graças ao Senhor Ministro, que calhandeiros é o que mais abunda neste Governo, muito especialmente nas diversas atitudes que tem tomado para ALISAR o PAPEL que tem tido alguns jornalistas e meios de comunicação social.
eduardo roseira
(imagem: sapo.pt)
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
CROATAS E GRAVATAS
Já todos estamos, pela negativa e pela positiva, mais ao menos informados através da Comunicação Social, dos conflitos e de alguns ecos de notícias menos tristes que nos chegam da e sobre a Croácia.
Contudo devem ser poucos os que são sabedores que foi a partir da deturpação da palavra “croata”, que resultou a palavra “gravata”.
- No século XVII muitos croatas “alugaram-se” à França como soldados mercenários. Os parisienses, não só homens como também mulheres, acharam de tão bom gosto o lenço que aqueles soldados traziam amarrado ao pescoço, que começaram também a usá-los – de linho; renda; crochet e musselina – variando-lhes o formato.
O novo acessório recebeu, em francês o nome de cravate. A palavra assumiu em inglês a forma cravat (cuja variante é neck-tie, nó de pescoço), em espanhol corbata, em italiano cravatta e em português gravata.
Voltando à Comunicação Social, pena é que de tempos a tempos, tenha que nos dar notícias sobre a Croácia, que em vez de nos contar histórias como esta, que “usa gravata”, nos dê ecos que “vestem” camuflado e morte…
eduardo roseira
(imagem: sapo.pt)
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
ENTRE A CENSURA E A MANIPULAÇÃO
O “Jornal de Notícias” de hoje (1 de Fevereiro de 2010) deveria trazer numa das suas páginas a habitual crónica de opinião do Jornalista da SIC, Mário Crespo, contudo a mesma não foi publicada pois segundo a “Nota da Direcção” do referido jornal…:
“…Basicamente, no entender do director do JN o texto de Mário Crespo não era um simples texto de Opinião mas fazia referências a factos que suscitavam duas ordens de problemas: por um lado necessitavam de confirmação, de que fosse exercido o direito ao contraditório relativamente às pessoas ali citadas; por outro lado, a informação chegara a Mário Crespo por um processo que o JN habitualmente rejeita como prática noticiosa; isto é: o texto era construído a partir de informações que lhe tinham sido fornecidas por alguém que escutara uma conversa num restaurante. …”
No final desta minha crónica de opinião transcrevo com a devida vénia, a crónica de Opinião do Mário Crespo, que entretanto se demitiu, para que os leitores do “Ecos do meu Pátio” possam fazer o seu juízo.
Eu da minha parte, já andava para deixar de comprar o ”JN”, mas com esta atitude censória, e enquanto não houver mudanças no referido jornal, NUNCA mais o comprarei.
Relativamente à Nota da Direcção do “JN”, entendo a mesma como uma boa desculpa, para de certo modo ninguém poder acusar a mesma de acto de CENSURA.
Só que a meu ver, se não existiu CENSURA, houve uma coisa bem pior, que se chama de MANIPULAÇÃO. É caso para dizer, venha o diabo e escolha.
Termino, repetindo o que referi anteriormente, …a partir de hoje deixo de comprar o “Jornal de Notícias”!
E permito-me finalizar com uma frase proferida num Colóquio sobre a Censura de antes do 25/4/74, que teve lugar no Porto, no Museu da Imprensa, no dia 9 de Novembro de 1998, (já lá vão quase doze anos), da autoria de um Jornalista de referência daquele periódico, referindo-se à actualidade das atitudes de alguns jornalistas e direcções, no pós 25/4/74, e que pelos vistos continuam actuais e refinadas, disse ele:
“Pior que a censura, só a manipulação”, José Saraiva.
eduardo roseira
-------------------------------------------------------------------------
De seguida a crónica que foi censurada pelo JN:
“O Fim da Linha”, por Mário Crespo
Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento.
O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa.
Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal.
Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o.
Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos.
Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados.
Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre.
Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009.
O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu.
O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”.
O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”.
Foi-se o “problema” que era o Director do Público.
Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu.
Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada. "
Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicado hoje (1/2/2010) no “Jornal de Notícias”.
NOTÍCIA DA PÁGINA DA INTERNET DO SEMANÁRIO “SOL”:
“…Basicamente, no entender do director do JN o texto de Mário Crespo não era um simples texto de Opinião mas fazia referências a factos que suscitavam duas ordens de problemas: por um lado necessitavam de confirmação, de que fosse exercido o direito ao contraditório relativamente às pessoas ali citadas; por outro lado, a informação chegara a Mário Crespo por um processo que o JN habitualmente rejeita como prática noticiosa; isto é: o texto era construído a partir de informações que lhe tinham sido fornecidas por alguém que escutara uma conversa num restaurante. …”
No final desta minha crónica de opinião transcrevo com a devida vénia, a crónica de Opinião do Mário Crespo, que entretanto se demitiu, para que os leitores do “Ecos do meu Pátio” possam fazer o seu juízo.
Eu da minha parte, já andava para deixar de comprar o ”JN”, mas com esta atitude censória, e enquanto não houver mudanças no referido jornal, NUNCA mais o comprarei.
Relativamente à Nota da Direcção do “JN”, entendo a mesma como uma boa desculpa, para de certo modo ninguém poder acusar a mesma de acto de CENSURA.
Só que a meu ver, se não existiu CENSURA, houve uma coisa bem pior, que se chama de MANIPULAÇÃO. É caso para dizer, venha o diabo e escolha.
Termino, repetindo o que referi anteriormente, …a partir de hoje deixo de comprar o “Jornal de Notícias”!
E permito-me finalizar com uma frase proferida num Colóquio sobre a Censura de antes do 25/4/74, que teve lugar no Porto, no Museu da Imprensa, no dia 9 de Novembro de 1998, (já lá vão quase doze anos), da autoria de um Jornalista de referência daquele periódico, referindo-se à actualidade das atitudes de alguns jornalistas e direcções, no pós 25/4/74, e que pelos vistos continuam actuais e refinadas, disse ele:
“Pior que a censura, só a manipulação”, José Saraiva.
eduardo roseira
-------------------------------------------------------------------------
De seguida a crónica que foi censurada pelo JN:
“O Fim da Linha”, por Mário Crespo
Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento.
O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa.
Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal.
Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o.
Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos.
Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados.
Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre.
Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009.
O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu.
O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”.
O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”.
Foi-se o “problema” que era o Director do Público.
Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu.
Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada. "
Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicado hoje (1/2/2010) no “Jornal de Notícias”.
NOTÍCIA DA PÁGINA DA INTERNET DO SEMANÁRIO “SOL”:
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Mário Crespo
NO RITMO DAS PALAVRAS
Aos
dizedores, declamadores
e outros animadores da palavra.
entrar no ritmo das palavras
e sequiosamente
absorvê-las.
ouvir atentamente
o cantar
sílaba a sílaba
dos versos que dizes.
entrar no ritmo das palavras
quando em tom ternura
falas amor
e em voz tremura
dizes horror.
perceber em tudo,
até no silêncio
das tuas deixas
a mensagem
que da tua voz
emana.
e permanecer
no ritmo das palavras…
eduardo roseira
(imagem:sapo.pt)
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Poesia; eduardo roseira
domingo, 31 de janeiro de 2010
O PAPEL SORRI
silenciosamente,
de forma quase inaudível
o lápis sussurra palavras ao papel.
e o papel sorri.
letra após letra,
o lápis acaricia
a alva folha
que de felicidade sorri.
do lápis
as ideias brotam
sobre o papel
e ambos fazem nascer
a poesia.
lápis e papel
trocam afagos com letras.
dão abraços com palavras.
são sentimentos
através das ideias
e em conjunto constroem o poema
até à palavra fim.
(…o lápis cansado
deita-se em merecido descanso…
…enquanto de alma preenchida
o papel sorri.)
eduardo roseira
In: “o sorriso de deus”
(imagem: sapo.pt)
sábado, 30 de janeiro de 2010
RETRATO DE UM VENDEDOR DE ÁGUA (d)ESTILADA
Tem ideias
coladas com cuspe
num cérebro feito
de papel mata-borrão.
De projectos incapaz,
funciona a sabão-macaco,
lixívia e água ráz.
Seus sonhos
são com grude
e palha de aço.
É perito em passeatas
e carrascão.
Constante figura de palhaço
no seu papel de morcão.
Dos sovacos
a cheirar a criolina,
sai-lhe a inspiração poética.
No “estar” nunca atina
pois é isento de toda a ética.
Mestre em cagadas sem consciência,
ele é um verdadeiro às no…
que respeita à inteligência
António Lima
(imagem: sapo.pt)
Porto
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
CONTAS À MODA DO pORTO...
… já sei, está neste momento a pensar que eu me enganei e provoquei uma gralha no título colocando no mesmo um “p” minúsculo, quando todas as outras letras são todas maiúsculas, mas engana-se, pois não é gralha ou engano no processamento de texto que acontece na maior parte das vezes, por causa da rapidez com que teclamos o mesmo.
Fique sabendo que é mesmo assim, que resolvi escrever, ou seja, a palavra PORTO com “p” minúsculo, isto porque ao contrário daquilo que muita gente pensa é errado dizer-se: “Contas à moda do Porto”, referindo-se à “Mui Nobre e sempre Leal cidade Invicta”.
Na verdade, este termo era aplicado há muitos anos, quando um navio ao fim de largos meses no mar, atracava a um porto e assim que era colocada a prancha para o cais, logo começavam a descer por ela os impacientes marinheiros, que na sua sofreguidão se dirigiam para o mundo proibido, durante meses e meses no mar, a caminho das tabernas onde encontravam o delírio de mulheres sonhadas noite após noite de vigília nocturna; das rixas sem motivo e das apetecidas bebidas, ingeridas em um ou dois rápidos tragos, tudo isto com um sabor de exotismo e diferença das paragens por onde o seu barco aportava ao longo da viagem.
Depois, nos ruidosos e escuros bares e tabernas, os recem desembarcados, mastigavam uma refeição saborosa, pelo menos, porque isenta do baloiçar do navio, e emborcavam copo atrás de copo de cerveja ou vinho, o que aliás pouco importava, desde que de álcool se tratasse.
Entretanto, era chegada a altura do pagamento, e cada um deles atirava um “amarrotado” de notas ou um punhado de moedas, para o meio da mesa ou cimo do balcão, em quantias certas relativas à despesa de cada um. Sem que de qualquer deles, houvesse um gesto que fosse de gentilmente se oferecer a suportar o consumo de um dos amigos ou companheiros de bordo.
É que contas são contas e entre os marinheiros existia uma lei tácita, a que todos obedeciam sem quaisquer contemplações, que era:
- Contas à moda do porto!!!
E tal como referi no início desta crónica, quando escrevi a palavra porto com “p” minúsculo, estava correcto, só que há pessoas que ignorando esta tradição entre os marítimos, penso que de todo o mundo, digam que é um hábito austero que é originário da cidade do Porto e escrevam, digam e logo pensem com um “P” maiúsculo porto, que o é, mas sim um dos muitos que existem por esses mares que são cruzados por um sem número de navios.
A finalizar, e para que se desfaça o engano aqui fica o registo, para que se saiba também que no mundo, há pouca gente com franqueza e generosidade igual à dos tripeiros…(1)
(1) - Designação que se dá aos naturais da cidade do Porto.
eduardo roseira
(baseado no texto “Contas à Moda do Porto”,
de António Manuel Couto Viana)
(imagem: sapo.pt)
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
ESTA NOITE
fomos abraço em abraço.
ternura na ternura.
beijo no beijo.
esta noite
fomos embaraço sem embaraço.
tremura na tremura.
desejo no desejo.
esta noite
fomos anseio do anseio.
carícia em carícia.
olhar no olhar.
esta noite
fomos receio no receio.
malícia sem malícia.
amor no amar.
esta noite
fomos língua na língua.
regaço no regaço.
calma no calor.
esta noite
fomos trégua à míngua.
esforço sem esforço
e corpos em ardor.
esta noite
dos sós que éramos
e já não somos.
fizemos um só.
esta noite
que guardarei em mim
por toda a vida,
fui sabor do teu sabor.
sabor
que trarei sempre em mim,
como lembrança querida.
do teu, do meu, do nosso amor!
(…e…esta noite…
ainda não foi a nossa noite!!!)
eduardo roseira
(imagem: sapo.pt)
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
UM POEMA AOS MEUS AMIGOS - sms de Vitor Carvalhais e resposta de eduardo roseira
solitário e estendido sobre o leito
acolho a luz branca que entra da janela
e escuto o canto das aves lá fora
dentro de mim
a música é só silêncio
que canta, no meu coração
a alegria da vida.
Vítor Carvalhais, em sms enviado em 27 de Junho de 2007, às 21h29
RESPOSTA DE eduardo roseira, via sms escrito na Beira Rio de Gaia, às 21h45 do mesmo dia:
Ao
Vitor Carvalhais.
de súbito
solitáriamente
rompendo o silêncio
do cair da noite
sobre este
rio águas ouro
por entre luminosas
e alvas estrelas
o poema surgiu
intrometido
no cantar das gaivotas
que poéticamente
mudas
voam ao encontro
de um hino à alegria
e à vida.
eduardo roseira
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terça-feira, 26 de janeiro de 2010
NAS MARGENS DA NOITE
acorda a noite
a cidade adormece
o rio aquietasse
nas suas margens
os barcos abraçam-se
ao cais
na estreiteza da viela
o brilhar frio
da lâmina
duma manhosa naifa
aguarda o próximo
tardio
nas ruínas da casa
soltam-se perfumes
que endoidecem
um casal
envolto em fumos
herbáceos
na tasca
contabilizam-se calotes
entre a garrafa e a viola
que em desafinada desgarrada
são eco dum fado
solitário que esmola
nalguns lares tremelicam
luzes que alumiam
o caldo e o pão pouco
o amor…
ficou nas amarguras
da velha porta
nas margens da noite
o pouco e o vazio
já não estranham
nem de nada importam…
talvez seja por isso,
que à noite…nem...
...as gaivotas cantam!!!!
eduardo roseira
(Imagem: sapo.pt)
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